sexta-feira, março 07, 2014

A saída de Paulo Fonseca

Se olharmos para os números globais de Paulo Fonseca, verificamos que ele sai com tantas derrotas (7) como teve o seu antecessor, nos primeiros 37 jogos, e com mais 2 empates (9 vs. 7). Fez melhor na Taça de Portugal e na Liga Europa, mas fez bastante pior no campeonato e isso causou mossa. Além disso, ao contrário de Vítor Pereira, que conseguiu aguentar a pressão, na fase mais negativa, e, paulatinamente, estabilizar a equipa e inverter a situação, Paulo Fonseca nunca conseguiu dar esse passo e, à medida que o tempo foi passando, mostrou-se cada vez mais desgastado e perdido. A saída tornou-se inevitável a partir do momento em que foi o próprio treinador quem deixou de acreditar que conseguia dar a volta à situação.

Ainda assim, não concordo com a imagem exageradamente negativa do Porto de Paulo Fonseca, que começou a ser construída por quem deu sempre tolerância zero ao treinador. Objectivamente, este não é o pior Porto da última década, em competição nenhuma, e muito menos o pior Porto de sempre, como eu já ouvi e li. E acho que esta dramatização, com a procura constante de recordes negativos, serviu apenas para colocar, via pressão adicional, um obstáculo extra no caminho do treinador e da equipa.

Espero que a entrada de Luís Castro sirva, pelo menos, para desanuviar o ambiente funesto que neste momento rodeia a equipa. Não espero resultados imediatos (se vierem, melhor, mas não os exijo). O que espero é que a próxima época seja melhor planeada, que o plantel seja mais equilibrado e que jovens talentos como Quintero não tenham o mesmo triste fim que Atsu e Iturbe.

13 comentários:

Antonio Silva disse...

Não é o pior Porto de sempre? O pior dos últimos 30 anos é bem capaz de ser.

Dá-me um exemplo dum campeonato onde o Porto tem 5 pontos de vantagem e passados poucos meses fica a 9 do maior rival. O PF perdeu CATORZE pontos para o Benfica!

littbarski disse...

E porque perdeu 14 pontos para o Benfica, depois de ganhar 5, no campeonato, é o pior Porto dos últimos 30 anos? Ok. Olha, em 2004/05, o Porto tinha, na 21.ª jornada, menos 5 pontos do que tem agora. Não estava a 9 pontos do Benfica porque o Benfica fez o favor de empatar 5 vezes e perder outras 5. Se o Benfica, neste momento, tivesse os 38 pontos que tinha na altura, em vez dos 52 que tem, este já não era o pior Porto dos últimos 30 anos?

DC disse...

E o que é que interessa se é o pior dos ultimos 5, 10, 20, ou 30 anos?

O essencial é que é um Porto muito fraco e que só não foi mais fraco porque ainda mantinha alguns principios do ano anterior que foi perdendo.
Quanto mais o treinador metia a sua marca na equipa menos ela vencia. Daí o bom início seguido do completo descalabro.
Era um Porto péssimo, nada comparável ao do treinador anterior (em que sempre se viu evolução na equipa) e que só aos olhos de alguns maluquinhos das estatísticas é que podia ter desculpa.

littbarski disse...

Pelos vistos, interessa, caso contrário não seria constantemente repetido. A quem não sei. Ao Porto não deve ser.

Quanto aos maluquinhos dos números, devem ser os mesmos que diziam que o Porto devia apostar no Iturbe, enquanto alguns visionários declaravam que o argentino era um flop, um menino mimado que criava problemas em todos os clubes por onde passava e que o melhor era despachá-lo o mais rápido possível. Tão óbvio que era...

DC disse...

E o Iturbe já provou alguma coisa?
Só se o Salvador Agra também tiver provado, porque jogam em clubes com valor semelhante.

Joao disse...

O Porto de Paulo Fonseca era cada vez menos equipa. Não sei se a culpa é apenas dele, mas não consigo compreender como é que uma equipa deixa de jogar futebol em tão curto espaço de tempo...

Fazem falta Moutinho e James, mas bons treinadores são aqueles que conseguem melhorar significativamente o rendimento dos seus atletas em prol da equipa!

O Mourinho em 2003/2004 também tinha uma equipa aparentemente mediana e não foi por isso que deixou de ter tão bons resultados...

Ace-XXI disse...

O Mourinho tinha alguns dos melhores jogadores da Europa nos apenas nao sabíamos isso, actualmente o Porto tem 4/5 bons jogadores mas nada que se compare ao nível de 2003.

littbarski disse...

Primeiro, o Iturbe era um barrete que nem para a equipa B servia. Depois, era um flop que nem o lugar ao 6.º avançado do Benfica conseguia tirar. Depois, passou a ser titular do River, mas o que fazia não contava para nada, porque tudo o que é feito na Argentina vale zero. Regressou ao Porto, fez uma boa pré-temporada, mas foi contra aqueles mancos sul-americanos, portanto, o que fez vale zero. Foi outra vez emprestado e o Porto fez muito bem, porque além do jogador ser um caso tacticamente perdido, falava demais, andava na má vida e criava problemas em todos os clubes por onde passava. Agora, é titular de uma equipa que joga no campeonato tacticamente mais disciplinado do mundo, mas o que faz não vale nada porque o Hellas Verona é a Académica italiana. Haja imaginação...

Um miúdo com 20 anos que não consegue ter uma oportunidade num clube que tem fama de ser descobridor e potenciador de talentos. É preferível apostar no Defour a extremo-esquerdo ou ir buscar um médio de 30 anos ao Sporting que joga actualmente no Azerbaijão.

miguel.ca disse...

Litt, eu raramente analiso o valor da equipa do Porto pelos números porque os números são de uma subjectividade tremenda. Comparar os nossos números com os do Benfica é subjectivo porque o benfica não segue uma linha pontual constante e consistente e 10 pontos hoje podem ser óptimos e amanha uma miséria.
Eu analiso o valor da equipa do Porto por aquilo que ela apresenta em campo em todos os parâmetros possíveis e aquilo que eu fui assistindo durante esta época foi de facto o pior trabalho de equipa apresentado desde que me conheço e refiro-me não só a qualidade de jogo apresentado mas também aos comportamentos técnicos e tácticos dos jogadores, a sua resistência física e mental, aos níveis de confiança e acima de todo aos erros grosseiros praticados pelo treinador no plano da gestão física e mental do plantel, da disposição táctica da equipa em campo, da incapacidade total em criar uma dinâmica consentânea com a qualidade humana disponível, da falta de visão gritante para alterar positivamente seja o que fosse, a destruição dos jovens talentos do plantel e incapacidade de melhorar as qualidades de um único jogador, acabando nas miseráveis conferencias de imprensa onde via o que mais ninguém via e onde confundia os adversários da taça uefa passando para o exterior uma imagem de alguém totalmente desnorteado.
Todo este bolo, depois de amassado cozido e mastigado traz-nos de facto aquilo a que eu chamo "o pior Porto de sempre".

DC disse...

ahahah campeonato italiano o mais disciplinado tacticamente. cada vez demonstras mais o pouco que percebes de futebol.

littbarski disse...

É isso, DC. Eu não percebo nada de futebol, o Hellas Verona está ao nível da Académica e o Iturbe é um barrete. Tu é que sabes. E tens razão. O campeonato mais disciplinado (e evoluído) do mundo, desde que o novo Guardiola foi para lá, é o da Arábia Saudita. You saw the true, my friend!

Costa disse...

Pelo que disseste do VP, és dos (muitos) Portistas que merece o que está a acontecer.

Como dizem os antigos:
«Depois de mim virá quem de mim bom fará»

PS. Com o mini-messi nada disto estaria a acontecer...

littbarski disse...

Costa, eu não vejo as coisas dessa forma. Para mim, não há portistas de primeira e de segunda. Critiquei Vítor Pereira, da mesma forma que critiquei Paulo Fonseca. Tenho as minhas preferências pessoais, como toda a gente, e posso até ter sido injusto, numa situação ou noutra. Mas nunca, nem na pior fase de Vítor Pereira, quando ele andava tão perdido como Paulo Fonseca andou, eu caí no exagero de dizer que aquele era o pior Porto de sempre ou que Vítor Pereira era o pior treinador da história do clube. E muito menos fiz habilidades deste género para passar uma mensagem errada como se fosse um facto inegável.

Uma coisa é uma opinão, e todos temos direito à nossa opinião sem que nos chamem idiotas ou maluquinhos. Outra é manipular números com um objectivo pensado e que em nada beneficia o Porto.