terça-feira, fevereiro 25, 2014

Paulo Fonseca e a troca de treinador

Desde que Pinto da Costa é presidente, o Porto mudou quatro vezes de treinador com a época oficial já a decorrer. Em 1988/89, Artur Jorge regressou para tomar o lugar de Quinito; em 1993/94, Robson pôs fim ao regresso sem êxito de Ivic; em 2001/02, Octávio saiu para a entrada de Mourinho; em 2004/05, Fernández foi substituído por Couceiro. Destes quatro, o único que conseguiu algum sucesso imediato foi Robson, que ganhou a Taça de Portugal na época de estreia. Nem Artur Jorge, com provas dadas, que entrou em Novembro, com o Porto a 1 ponto da liderança, conseguiu ser campeão na mesma época. Conseguiu-o na época seguinte, tal como Robson e Mourinho.

Tendo isto em consideração (e o passado recente, com duas recuperações no campeonato, quando já tudo parecia perdido), percebo as reticências da direcção portista em relação à troca de treinador, mesmo que ela tivesse ocorrido em Dezembro, como muitos portistas reclamaram.

Claro que tudo tem um limite. O Porto de Paulo Fonseca continua sem mostrar uma evolução positiva minimamente consistente e o treinador dá sinais de estar mais perdido do que nunca e a ceder perante a pressão dos maus resultados.

Se este cenário se mantiver ou se agravar e a situação se tornar insustentável, espero que os dirigentes do Porto pensem já na próxima época e não em tentar salvar o que resta desta (aliás, julgo que a melhor forma de menorizar estragos correntes será precisamente retirar qualquer pressão a quem chega, no que diz respeito a esta temporada).

Estar uma época sem vencer não é nenhum drama e mais importante do que remediar o presente é criar condições de sucesso para o futuro, escolhendo ponderadamente quem deve liderar a equipa e corrigindo alguns erros das últimas épocas, nomeadamente no que diz respeito à construção do plantel.

5 comentários:

Pedro disse...

Penso que os receios de uma troca de treinadores agora seja a de perder margem de manobra para a próxima época.
Se Paulo Fonseca sai e entra um novo treinador que não consegue mudar o rumo da equipa irá entrar já na próxima época com menos crédito do que o desejado. O FCP tem duas meias finais com o SLB, se o novo treinador as perde fica com muito pouca margem de manobra.
Mas manter o status quo tb pode ser terrível para os azuis.

É uma decisão difícil para o velhote.

DC disse...

"Se este cenário se mantiver ou se agravar e a situação se tornar insustentável"

Estar a 7 pontos do 1º lugar, eliminado da Champions sem vitórias em casa e com muita probabilidade de ser eliminado da liga europa por uma equipa banal não é insustentável?
Somos o Sporting?
Vai ser preciso perder mais 4 vezes com os lampiões para se perceber o que era óbvio desde o início?

.:GM:. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
.:GM:. disse...

Apostar num novo treinador agora fará todo o sentido se for efectivamente para preparar a próxima época convenientemente. Não me importo nada de perder um campeonato para o Benfica ou seja para quem for a cada três ou quatro campeonatos ganhos. Apostar num treinador novo agora dar-lhe-ia condições para avaliar convenientemente o plantel actual e procurar colmatar as lacunas existentes para a próxima época. Permitiria começar desde já a implementar novas rotinas e modelos de jogo com 4 ou 5 meses de avanço. Não me parece que planear somente o momento imediato seja estratégia sustentável ou com futuro. Temos de pensar a médio-longo prazo e mudar já até porque uma chicotada psicológica costuma surtir algum efeito também a curto prazo. A ver se conseguimos ganhar uma das taças nacionais este ano - apesar de serem ambas as meias finais contra o Benfica - mas sem colocar demasiada pressão sobre quem vier. Com o PF quer-me parecer que estará tudo perdido independentemente de a mudança ser agora ou no final da época. O Marco Silva continuará a ser uma aposta de risco mas ainda assim de muito menor risco que o Paulo Fonseca. Subir o Estoril de divisão e manter-se no Top 4 dois anos seguidos apesar das inúmeras alterações à estrutura da equipa tem obrigatoriamente muito mérito. Para além da qualidade exibicional que demonstra em campo, do pragmatismo com que os jogos são abordados, e do conhecimento do adversário e suas lacunas. Todos aspectos que faltam ao Paulo Fonseca.

miguel.ca disse...

GM, concordo com o que teorisas relativamente à entrada de um novo treinador. Ser alguém que tente durante o que resta desta época manter o barco a flutuar da melhor forma possível enquanto avalia o plantel e calmamente programa a proxima época fazendo uma escolha criteriosa de jogadores que componham as lacunas no plantel e se tornem mais valias efectivas para a equipa.
Mas aqui é que surge o outro grande problema que afecta o FCPorto. Os jogadores a comprar ou a vender não são aqueles que o treinador determina segundo os seus padrões tecnicos, qualitativos, humanos e de valia para a equipa! São sim aqueles que geram excelentes oportunidades de negócio e chorudas comissões que continuem a encher os bolsos daquela escumalha que continua a chupar e a sugar o nosso clube antes que o Pinto da Costa morra! Enquanto essa cambada não resolver por de novo o clube à frente do seu próprio bolso eu mantenho amnha opinião de que até esta Administração cair vai ser sempre a descer.