segunda-feira, janeiro 13, 2014

A consistência da inconsistência

Perder na Luz não é um drama e ter de correr atrás da concorrência, infelizmente, não é uma situação nova: aconteceu há duas épocas, na época passada e na presente temporada. O problema é que, neste momento, o Porto é a equipa mais inconsistente das três que lutam pelo primeiro lugar, o que é pouco animador.

O tempo passa e Paulo Fonseca não consegue pôr o Porto a jogar um futebol minimamente estável. Há erros que se repetem e que não acontecem apenas na fase de construção. A forma como Markovic avançou, sem oposição, e a facilidade com que Rodrigo fugiu da marcação de Danilo, para fazer o primeiro golo do Benfica, são sintomas de uma equipa perdida defensivamente e incapaz de reagir às contrariedades do jogo (neste caso, uma das múltiplas bolas perdidas em zona proibida). Uma insegurança que se estendeu até à baliza portista, onde esteve de volta o pior Helton, guardado por um Mangala em regressão.

Talvez um ataque poderoso (como teve Villas-Boas, por exemplo) fosse capaz de compensar tantas abébias defensivas. Infelizmente, já não há Hulk, nem Falcao, nem James, nem o melhor Varela, mas há Licá, uma aposta firme do treinador, pelo menos até que Quaresma complete a pré-temporada e se perceba se ainda tem pernas para fazer a diferença.

20 comentários:

Frederico Ventura disse...

Mais importante que isso tudo, NÃO HÁ MOUTINHO.
PF não é pior que o VP, até pelo contrário, mas o "Judas Moutinho" faz imensa falta naquele miolo.

littbarski disse...

Não há Moutinho, mas há soluções suficientes para construir um meio-campo competente. Já no ataque a coisa pia mais fino. Temos um jogador de valor inquestionável (Jackson) e Varela, às vezes. Licá fez dois jogos decentes, no início da temporada, e Kelvin vai a jogo quando o rei faz anos. Ghilas, já se sabe, joga quando Jackson precisa de sair cinco minutos mais cedo (para não perder o autocarro) ou quando chega mais tarde das férias. Teria piada, se metade do passe não tivesse custado quase 4 milhões de euros.

Ace-XXI disse...

Não quero estar a criar mais uma caixa de comentários cheia de ofensas mas quando o FCP perde neste blog respira-se melhor, a bozofia e o insulto dão lugar a discussão sobre o que realmente interessa.

Na minha opinião o P.Fonseca não é treinador de equipa grande, além de não conseguir que o FCP evolua em campo fora dele demonstra uma falta de estofo brutal.

É verdade que em termos de plantel este é o mais fraco desde Mourinho mas aí a culpa é da direção quanto gastou o FCP em reforços nas ultimas 2 épocas?

Ribeiro dos Santos disse...

Ando é preocupado com o novo Deco... Anda desaparecido há algum tempo, tal como o Izmailost...

João disse...

É como eu com o novo Aimar...

.:GM:. disse...

Curioso que anda sempre por aí quem não se coíba de comentar matéria alheia.

O que realmente interessa é que PF em 15 jogos de liga perdeu o dobro dos jogos que os seus dois antecessores perderam em 90 jogos. Isto são estatísticas, eu sei.

Mas permite-me acrescentar que vimos muita coisa má sobretudo na primeira mas também na segunda época de Vitor Pereira. No entanto, não nos podemos esquecer que na primeira época não tinha pontas de lança (Kléber e depois Janko - ambos mancos), apesar de ter Hulk, Moutinho e James, por exemplo.

Não nos podemos esquecer que foi nesta altura que começou a estabilizar após a limpeza de balneário e contratação de Lucho mas ainda assim não me lembro de um futebol tão degradante quanto este. Não me lembro de tão pouco domínio e de tantas abébias na defesa. Se não estou em erro o problema este quase sempre na criação de situações de golo e não na defesa.

No Porto sempre se teve a máxima que uma equipa se constrói a partir da defesa e sempre foi um dos nossos pontos fortes. Neste momento é uma manta de retalhos e recuso-me a acreditar que tenha a ver com os jogadores individualmente - já vi todos eles a fazer bem melhor de forma regular - mas sobretudo com as rotinas que são treinadas, com a estrutura, com o trabalho do treinador.

Sinceramente, apesar de ter sido um grande crítico de VP e não pretender que ele volte, PF parece-me bem pior a todos os níveis. Escalonamento da equipa, aproveitamento de jogadores, substituições a partir do banco, capacidade de mudar um jogo, o jogo jogado, etc.

Terminando, acredito que temos 11 e plantel para dar a volta por cima. Mas não me parece que tenhamos treinador para isso. Lamentavelmente.

DC disse...

GM, VP e PF não podem nunca ser comparados por quem tiver 2 olhos na cara.
Um, por muitos problemas que tenha passado, por muito que muita gente não gostasse do seu estilo de futebol, por muito que esse estilo tenha demorado alguns meses a ser implementado, tinha ideias, tinha uma táctica e teve competência para a colocar em prática.

O outro, o actual, não tem nada. É um zero, que em 6 meses ainda nem o 11 titular conseguiu escolher depois de ter experimentado 10 meio-campos diferentes. Vai-nos deixar a equipa num ponto de destruição tal que será necessário um enorme treinador para remediar a situação.
Foi um erro histórico, já o disse muitas vezes.

Ah e contra aquele 4-4-2 e ainda por cima sem Cardozo, VP ganhava fácil, tenho poucas dúvidas.

littbarski disse...

GM, o modelo de Vítor Pereira tinha a virtude de expor menos a defesa, mas primeiro foi preciso estabilizá-lo. A meio de Janeiro de 2012, o Porto tinha 22 golos sofridos, em 26 jogos (agora tem 18, também em 26 jogos). No mês seguinte, veio a derrota em Barcelos e a goleada contra o M. City. A primeira vez que o Porto conseguiu mais de 3 vitórias seguidas foi no antepenúltimo jogo do campeonato. Só a partir dessa altura, já no fim da primeira época, é que Vítor Pereira conseguiu tornar o seu modelo de jogo minimamente fiável.

Não sei se Paulo Fonseca conseguirá estabilizar a equipa. É possível que não e que o tempo se encarregue de acentuar as inúmeras diferenças que dizem existir entre ele e o seu antecessor. Para já, continuo a ver mais semelhanças do que diferenças no percurso dos dois. O que, obviamente, me desilude, mas ao mesmo tempo me dá alguma esperança de ainda ver o Porto ser campeão, nem que seja com um golo de Kelvin, no último lance do último jogo do campeonato.

littbarski disse...

Mais diferenças ou semelhanças. Nos primeiros 26 jogos, Vítor Pereira manteve o onze, de um jogo para o seguinte, 5 vezes. Mexeu 13 vezes na defesa, 16 vezes no meio-campo e 18 vezes no ataque. A meio da temporada, trouxeram-lhe Lucho e fizeram-lhe o favor de levar Souza, Guarín e Belluschi. Foi a única forma de Vítor Pereira estabilizar um trio para o meio-campo (Fernando, Moutinho e Lucho). Na defesa e no ataque as experiências continuaram...

DC disse...

Fernando esteve castigado no início da época pelas declarações que fez na pré-época. Belluschi e Guarin quiseram sair.
Na defesa havia o correctíssimo Fucile e o esforçado mas medíocre Sapunaru a jogar à direita e o "reservado para o Chelsea" Álvaro Pereira.

Acho que este ano, até agora, na defesa haveria uma única dúvida: Maicon ou Nico (e se o Nico estivesse a jogar como no ano passado não havia dúvida nenhuma) e no meio-campo, em condições normais, a dúvida seria quem acompanhava Fernando e Lucho.

Agora, como o treinador optou por rasgar tudo o que tinha sido feito e começar de novo, Lucho deixou de ser 8 para passar a ser 10, Fernando passou de 6 para 8, etc...
E daí, este ano haver tanta mas tanta mexida. Mas pior do que isso, as mexidas não são apenas nos jogadores mas também nas posições que eles ocupam em campo.

Portanto, repito, não há comparação possível ao que se passou com VP! Um era caos no balneário, outro é caos naquela cabeça.

littbarski disse...

O correctíssimo Fucile e o esforçado mas medíocre Sapunaru chegaram para Villas-Boas ganhar o campeonato, a Liga Europa, a Taça de Portugal e a Supertaça, sem precisar de meter um central no lado direito da defesa.

Declarações de jogadores insatisfeitos são cada vez mais recorrentes no Porto (consequência da política de aquisições) e um problema com o qual os treinadores têm de lidar. Neste momento, há dois jogadores do onze base com os quais o Porto não consegue renovar. No início da época, houve o caso Atsu. Agora, há jogadores a pedirem para serem emprestados porque são suplentes e não querem falhar o mundial.

Paulo Fonseca rasgou tudo? E o que fez Vítor Pereira, que já cá estava na época anterior a ter tomado conta da equipa, quando se esperava que mexesse apenas numa posição (a de Falcao)? Vítor Pereira passou a primeira época toda a fazer experiências. E não foi só com Maicon. Aquele meio-campo foi uma confusão até à chegada de Lucho - e não consta que Fernando tenha ficado castigado meia temporada... No ataque, Vítor Pereira experimentou tudo e não conseguiu resolver o problema da saída de Falcao (o que não deixa de ser curioso, tendo em conta que ele é seguidor de um sistema de jogo que se diz não precisar de ponta-de-lança). Paulo Fonseca perdeu Moutinho e James, dois jogadores cuja ausência/baixa de forma foi utilizada para justificar a quebra do Porto na época passada. Deixaram de fazer falta, agora que o treinador é Paulo Fonseca? É óbvio que Paulo Fonseca tinha de mexer no meio-campo e no ataque.

Mas, atenção, eu também acho que Paulo Fonseca anda perdido e que tinha obrigação de já ter um meio-campo estabilizado e de fazer melhor com o plantel que tem à sua disposição. Simplesmente, ao contrário de quem acha que tudo o que Vítor Pereira fez é intocável e incomparável, eu digo que já vi este filme. Não sei é se terá um final tão feliz, até porque há milagres que não se repetem.

DC disse...

"Declarações de jogadores insatisfeitos são cada vez mais recorrentes no Porto (consequência da política de aquisições) e um problema com o qual os treinadores têm de lidar."

O castigo ao Fernando não foi imposto pelo treinador. O jogador, tal como Álvaro na supertaça, esteve afastado por ordens superiores até lhe darem ordem para jogar novamente.

Littbarski, podia estar aqui a explicar-te que o VP usou exactamente os mesmos métodos e princípios de AVB (não tivesse sido ele a dar os treinos), mas já sei que tu és mais de estatísticas e menos de tácticas.

James passou muito tempo no banco e lesionado no ano passado e chegou. Moutinho lesionou-se ao mesmo tempo que James, Atsu e salvo erro Varela e não perdemos nenhum jogo nesse período (e fomos a Alvalade).
Não, não é óbvio que PF tinha que mexer em lado nenhum. Podia manter os princípios alterando apenas os jogadores. Preferiu RASGAR TUDO!!! Nunca o Lucho jogou ali com treinador nenhum, nunca o Fernando jogou ali com treinador nenhum, há muitos e muitos anos que o Porto não jogava com 2 extremos bem abertos (jogamos sempre com 2º avançado ou 4º médio com James, Hulk, Lisandro, etc). Foi um começar do zero, foi uma táctica nova, novos princípios. Sobraram alguns jogadores, das tácticas não sobrou nada.
Olha para Tito e Martino em Barcelona e vê se uma transição mais natural não traz melhores resultados.

Não compreendo como podes comparar o estado do balneário quando chegou VP com o estado actual. Não compreendo como podes comparar a ressaca duma vitória europeia com a transição actual. Não compreendo como podes comparar um 4-4-2 losango disfarçado de 4-3-3, com cultura de posse, num 4-2-3-1 que mais parece um 4-2-4. Mas se calhar, se isto continuar assim, vais ver um balneário em ebulição como nessa época.
Se calhar, tal como te disse em relação ao treinador, também vais ser dos últimos a perceber mas vais chegar lá.

littbarski disse...

Eu sei que Vítor Pereira teve uma herança mais pesada do que Paulo Fonseca. Mas também teve a vantagem de ter feito um ano de estágio antes. Além disso, o sucesso desportivo não tem sido determinante nos grandes negócios do Porto. Há duas épocas vendeu Hulk, a época passada vendeu James e Moutinho. E os jogadores já chegam com a expectativa de darem o salto rapidamente, porque provavelmente é com isso que lhes acenam, na hora de os convencerem a assinar contrato. Se depois falham o salto, não gostam. Se nem sequer jogam regularmente, gostam ainda menos. Este é um problema que todos os treinadores do Porto herdam. Portanto, sim, neste aspecto, as épocas são comparáveis.

Mas Paulo Fonseca rasgou o modelo de jogo, que, para quem é fã da táctica, imagino que seja tudo. E, portanto, Paulo Fonseca rasgou tudo. Vítor Pereira rasgou só a equipa base (menos Falcao) que tinha acabado de vencer praticamente tudo o que havia para vencer na época anterior. Resultado prático? O mesmo: uma transição muito pouco tranquila e um desempenho decepcionante.

E olha que eu não me lembro de ver o Villas-Boas a jogar em 4x4x2, losango ou travestido, nem quando Falcao esteve lesionado. Nessa altura, havia Varela e Hulk bem abertos nas alas e Falcao no meio. Ou seja, Vítor Pereira mudou... o modelo de jogo. Algo que foi mais visível na segunda época, quando ele colocava também Defour como falso extremo esquerdo (e que Paulo Fonseca imitou esta época com Josué, do lado direito). Falavas de Lucho nunca ter jogado tão adiantado? E Defour já tinha jogado ali? E Maicon já tinha jogado a lateral direito? Como vês, há invenções para todos os gostos. Mas Fernando não é uma delas. Aliás, lembro-me de ouvir e ler elogios a Vítor Pereira por ter transformado Fernando num jogador mais ofensivo (algo que já vem do tempo de Villas-Boas).

Vou ser o último a perceber o quê? A incompetência de Paulo Fonseca? Mas eu acabei de te dizer que ele anda perdido, que tinha obrigação (porque tem soluções para isso) de já ter estabilizado o meio-campo e de fazer melhor com o plantel que tem à sua disposição. E digo isto há muito tempo. Agora, não alinho em filtragens que têm o objectivo de transformar o Porto de Paulo Fonseca no pior Porto de que há memória. Ontem, tiveste mais uma, no Reflexão Portista, que desta vez descontou os jogos da Taça da Liga e da Taça de Portugal - caso contrário teria de contar o 0x3 de Jesualdo, o 0x2 de Villas-Boas e o 2x3 de Vítor Pereira -, para chegar à conclusão de que o Porto já não perdia com o Benfica de Jorge Jesus - para o campeonato, claro - há mais de 4 anos e que, nesses 4 anos, marcou sempre pelo menos dois golos por jogo. Nisto eu não alinho, de facto.

DC disse...

"Resultado prático? O mesmo"

Veremos o resultado prático nos troféus de final de época. Para já o resultado prático vai no dobro de derrotas apenas em metade da época. Marca provavelmente que se irá agravar, mas aguardemos...

"E olha que eu não me lembro de ver o Villas-Boas a jogar em 4x4x2, losango ou travestido, nem quando Falcao esteve lesionado. Nessa altura, havia Varela e Hulk bem abertos nas alas e Falcao no meio. Ou seja, Vítor Pereira mudou... o modelo de jogo"

Sim, adaptou-o aos jogadores que tinha. Perdeu Hulk, lançou James. Naturalmente como são jogadores totalmente diferentes não lhes podia pedir a mesma coisa.

"e que Paulo Fonseca imitou esta época com Josué, do lado direito"

Aqui erras logo muito, porque Josué jogou sempre preferencialmente do lado esquerdo e bem aberto. Ou seja, como extremo mesmo e não como médio a apoiar o meio-campo. Daí, que apesar de serem 2 médios, não há comparação possível com o que andaram a fazer em campo.
E Defour jogou ali como último recurso devido às lesões de Varela, James e à CAN de Atsu. Não foi porque o VP se lembrou que queria um médio defensivo a extremo. Querer comparar isso com o caso de Lucho é ridículo.
Maicon também lá jogou como último recurso devido a problemas disciplinares tanto de Fucile como de Sapunaru (ambos os jogadores, aliás, já admitiram ter-se desentendido com o treinador).

Fernando ter funções mais ofensivas não tem nada a ver com o facto de estar a jogar com alguém ao lado. Com VP e AVB nunca jogou sem ser no vértice do triângulo. Não confundas o que é o momento defensivo com o momento ofensivo. O Barça quando joga com o Busquets tem rotinas ofensivas diferentes de quando joga com o Song e não deixa de ter só um homem em frente à defesa.

Vais ser o último a perceber que este Porto não está nem vai evoluir como o de VP evoluiu para se tornar na melhor equipa nacional. Vais ser o último a perceber que o 5LB este ano está muito mais fraco, acabou de vender o seu melhor jogador, e mesmo assim será campeão contra um treinador que nos está a destruir a equipa.
Quanto ao que o José fez no RP, se estamos a falar de jogos do campeonato, porque raio devia ele ir buscar jogos para a taça da liga e taça de portugal. Idiota é aquele que diz que o AVB também perdeu com o 5LB quando ele, sendo uma eliminatória a duas mãos, passou a eliminatória e portanto, no global ganhou. Idiota então, seria querer comparar os 11 e a motivação duma equipa na taça da liga e no campeonato. O Porto, para a maior competição nacional, a única que por si só nos deixa contentes por vencer no final da época, já não perdia desde Jesualdo. É um facto e é um post natural e muito bem feito pelo José.
E sem olhar a estatísticas até te digo mais: com ou sem golos marcados, com ou sem taça, liga ou o catano, eu já não via o Porto a ser tão miserável contra o 5LB há muitos, muitos anos. Posso colocar o jogo ao nível daquele da taça da liga dos 3-0 mas essa taça interessa-me zero. Ver o Porto encolhido assim na luz para o campeonato? Sinceramente estou a tentar recordar-me de algo semelhante e não consigo.

littbarski disse...

O Josué jogou do lado esquerdo e do lado direito. Os extremos trocam de lado com alguma frequência. Não acho relevante. O que é relevante é que jogou no ataque, adaptado, tal como Defour, quando, ao contrário do que dizes, havia Atsu (e Kelvin) no banco. Podes confirmar aqui (ou aqui, se não gostares do exemplo da Taça da Liga).

«Nunca o Fernando jogou ali com treinador nenhum» - foram estas as tuas palavras. Não disseste que nunca jogou com ninguém ao lado. Eu respondi-te em função disso.

Ai o jogo com o Benfica era para o campeonato e, portanto, a Taça da Liga não tinha nada que entrar nas contas porque é uma competição que nem interessa para nada. Pois. E imagino que «o pior registo ofensivo do Porto nos últimos três mil duzentos e quatro dias», depois do jogo em Alvalade, para a Taça da Liga, siga a mesma lógica. Vou ser o último a perceber, vou...

DC disse...

Littbarski não queiras associar-me a coisas que eu não comentei.

A taça da liga nunca me interessou para nada. Já ver o Porto a ser massacrado em Alvalade e na Luz interessa-me muito, seja para que competiação for, até podia ser na pré-época.

O Porto assim encolhido contra o Sporting só me lembro do Jesualdo a levar 3 secos, o Porto assim encolhido contra o 5LB não me lembro sinceramente. Isso é que me preocupa e não tenho dúvidas que este é sem dúvida o pior Porto que eu me lembro de ver na Luz.

Quanto ao Defour, tal como te disse, a adaptação foi feita por necessidade e foi uma adaptação que correu muito bem (Defour contra o Gil Vicente foi o melhor em campo e até um golo marcou e como podes ver essa adaptação foi bem antes do jogo que mostraste http://www.ligaportugal.pt/oou/jogo/20122013/primeiraliga/16/8). Naturalmente, tal como Maicon, depois da adaptação resultar é normal mantê-la ou usá-la em determinados jogos. Ou como VP explicou, "os jogadores não são como a chiclete, usar e deitar fora".

littbarski disse...

DC, o Porto não foi massacrado na Luz. Isso é um exagero. Nem sequer jogou tão encolhido como dizes e a prova disso é que teve mais posse de bola do que o Benfica. Jogou mal e cometeu muitos erros. É um facto. O Benfica aproveitou um desses erros para fazer um golo e a seguir jogou quase sempre em contra-ataque.

Mas olha que mesmo este Porto fraquinho podia perfeitamente ter marcado dois golos na Luz, se o penalty sobre o Quaresma tivesse sido assinalado e a jogada do Jackson isolado não tivesse sido cortada. Ou se o Oblak se tivesse lembrado de oferecer um golo ao Jackson, como fez o Artur, na época passada. Vejo gente a falar como se ganhar na Luz fosse uma coisa banal e a esquecer-se de como foi difícil o Porto lá empatar, na época passada, com zero oportunidades de golo criadas, na segunda parte, com o Cardozo isolado a acertar no poste, a 15 minutos do fim.

O Kelvin esteve sempre disponível. O Atsu ficou disponível em Fevereiro (o Defour andou a jogar como extremo até Abril). E Vítor Pereira não teve problemas em deitar o Defour fora, para meter o Izmailov (aqui). Portanto, essa da chiclete não cola.

littbarski disse...

E atenção que eu lembrei o jogo da época passada não para dizer que esta época o Porto jogou melhor, igual ou pior. Jogou pior, acho que isso é evidente. Mas, mesmo tendo jogado melhor, na época passada, viu-se à rasca para conseguir empatar. Só isto.

DC disse...

Littbarski a palavra massacrado pode ser exagerada, mas o facto é que com um avançado a sério, se calhar em vez de 2 eram 4 ou 5. Lembro-me do remate por cima da baliza do Rodrigo com o Hélton sentado, lembro-me do passe do Hélton para jogadores do 5LB desperdiçado, etc...
Podíamos ter levado mais e ninguém me tira da cabeça que com Cardozo tínhamos mesmo levado mais. Para mim isso é ser massacrado, pelo menos para o que eu estou habituado. Da mesma forma que o Sporting não nos marcou nenhum golo mas uma equipa a sério com todas aquelas oportunidades, tinha marcado 3 ou 4 facilmente.

Esse Porto que empatou na Luz no ano passado devia ter jogado 11 contra 10 pelo menos 20 minutos, ou não te lembras do que andou Maxi a fazer? É isso que não percebo em ti. Se és assim tão imparcial, porque é que falas dos erros de arbitragem deste ano e não falas dos desse ano? VP empatou sendo roubado, PF perdeu sendo roubado. O resto é especulação, embora eu concorde que podíamos ter reentrado no jogo se não fosso o árbitro. Não invalida que tenhamos defendido miseravelmente.

Não queres comparar a experiência de Izmailov à de Kelvin pois não? O Izmailov de cabeça limpa é um dos 5 melhores jogadores em Portugal, já o Kelvin é, para já, um puto com potencial e no ano passado ainda mais puto era.

littbarski disse...

DC, eu falei dos erros de arbitragem, não para justificar a derrota (o Benfica jogou melhor e ganhou bem, e além disso houve pelo menos um erro que beneficiou o Porto), mas apenas para dizer que, sem eles, o Porto provavelmente tinha marcado na Luz. O que é mais uma prova de que não jogou assim tão encolhido.

Lembro-me de mais do que isso. Lembro-me de três foras-de-jogo mal assinalados ao ataque do Porto, na primeira parte, sendo que um deles cortou um lance de Varela isolado. Mas também me lembro de, na segunda parte, o Porto praticamente só ter defendido. Dedendeu bem, é verdade, melhor do que defendeu esta época, mas ainda assim não conseguiu evitar que Cardozo se isolasse e acertasse no poste. Para quem agora acha que é fácil ganhar na Luz, que é fácil criar oportunidades de golo na Luz e que é fácil evitar que o Benfica crie oportunidades de golo na Luz, talvez fosse bom rever este jogo.

Aquilo que estava em causa era se Vítor Pereira tinha outras opções. E tinha. Se manteve Defour não foi porque não havia mais ninguém para jogar ali, não foi porque não queria deitar o Defour fora como uma chiclete, foi porque não quis arriscar nem Kelvin (que depois lhe haveria de dar o campeonato) nem Atsu e preferiu jogar com mais um médio. E olha que essa da adaptação bem conseguida tem que se lhe diga. Lembras-te deste jogo? Mas Vítor Pereira insistiu, até perder a final da Taça da Liga, com o Braga. Depois disso, não houve mais Defour a extremo-esquerdo.