quinta-feira, março 28, 2013

Play It Again, Sam #125 - We Are Trees

Nada como um abraço do tamanho do sol, entre Pinto da Costa e o treinador revelação do século, para compensar o futebol que não se joga por cá (nem lá, em Israel e no Azerbaijão).

Lembrei-me de um fim de tarde de Verão, sentado em frente ao Atlântico e ao lado de quem me ensinou a verdade sobre o sol. É mais simples do que parece. Foi assim: sentámo-nos e esperámos, parcimoniosamente esperámos, esperámos pelo pôr-do-sol. E o sol lá se pôs, como não podia deixar de ser. E foi então que não percebemos o que fazíamos ali. A essência do momento, tudo aquilo que o precedeu e teve relevância, foi-se com o lusco-fusco. Talvez volte pela manhã, com um poema ensaiado na véspera:

Eis o rosto da noite, semicoberto, hipnótico, imagem por entre a névoa iluminando-se. Palco de sonhos evanescentes, refluídos? Pouco me importa, a multidão dos meus olhos acorre ao ambivalente espectáculo dos sentidos. Sei que me esperas, algures, num desses minutos que cantam. Na pausa do violino, no requiem do piano, encenas ainda a nossa dança. Sossega, hei-de encontrar-te. E será tarde para que nos amemos.

Ou talvez não. Mas o título é merecido.

Música: "I Don't Believe In Love"
Álbum: "Girlfriend ", 2011
Interpretação: We Are Trees




4 comentários:

jose reyes disse...

belo poema. de quem é? apenas mudaria o final: "nunca será tarde para..."

littbarski disse...

Foi escrito por mim, jose reyes. Obrigado.

galvao99 disse...

Lit, não te sabia um poeta. Este post merecia mais elogios. Parabéns

galvao99 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.