quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Play It Again, Sam #121 - Alt-J

«Three guns and one goes off, one's empty, one's not quick enough» e visualizo a cena do cemitério: «search the graves while the camara spins». O vilão, o alvo fácil, ainda meio zonzo por causa do prometido contrato milionário (ninguém lhe disse que teria de cavar - azar), espera chegar, ver e arrancar para o céu da Europa. O mau da fita, está visto, é o clube, que no fim acaba enterrado em dívidas porque não conseguiu disparar a tempo, por falta de liquidez. O bom é o intermediário (seja ele dirigente, empresário ou as duas coisas). É o mais rápido no gatilho, ninguém o consegue apanhar, sai sempre a lucrar e, de vez em quando, num acto de benevolência assinalável, dispara sobre uma corda e cai um Jardel (em potência) na frente de ataque. Depois, desaparece lentamente de cena, no seu cavalo dourado.

Música: "Tessellate"
Álbum: "An Awesome Wave", 2012
Interpretação: Alt-J



3 comentários:

galvao99 disse...

O quê?

littbarski disse...

The Good, the Bad and the Ugly (ou, traduzindo para português, O Bom, o Mau e o Vilão) é o título de um filme de Sergio Leone. Tessellate é uma música dos Alt-J, cuja letra faz referência à cena final do filme (a do link):

«Three guns and one goes off, one's empty, one's not quick enough
One burn, one red, one grin
Search the graves while the camera spins.»

Ora, o que acontece nessa cena é que há uma disputa pelo ouro enterrado algures. O Mau é lento (e por isso morre) o Vilão não tem balas (e por isso é um alvo fácil) e o Bom é o mais rápido no gatilho, logo, não só sobrevive como tem o Vilão à sua disposição para desenterrar o ouro.

Aquilo que eu procurei fazer foi uma analogia com a relação triangular entre clube, jogador e intermediário.

O mau é o clube, porque nem com vendas milionárias se salva de caminhar para a morte, enterrado num monte de dívidas. O clube porque, em última instância, é o nome do clube que prevalece (para todos os efeitos, foi o Porto que não pagou o Defour e o Mangala a tempo e horas, não foram os gestores da SAD portista; da mesma forma que é o clube que é detentor dos troféus, apesar de serem os jogadores e os treinadores a conquistá-los dentro de campo e, antes deles, os dirigentes que os contrataram).

O jogador é o alvo fácil. Lembrei-me dos miúdos que chegam da América do Sul já a pensar em dar o salto para um gigante europeu. Ninguém lhes diz que é preciso suar (cavar) primeiro em Portugal, antes de pensar em dar o salto para o topo da Europa. Ou diz, mas a ênfase está na outra parte, fácil e tentadora (chamam-lhe marketing). É, muitas vezes, uma marioneta nas mãos dos intermediários, que tanto podem ser os agentes dos jogadores como fundos de investimento que, suspeita-se cada vez mais, têm por trás dirigentes de clubes.

Os intermediários saem sempre a ganhar e o «bom» é obviamente irónico.

O jogador que, tal como o vilão da cena do cemitério, cai da corda e é um Jardel em potência, pode - para quem preferir a exactidão do anexo V do regulamento das competições organizadas pela LPFP aos surrealistas Contos do Gin-Tónico, do Mário-Henrique Leiria - ser o Liedson, que estava com a corda na garganta no Brasil e foi largado na frente de ataque do Porto. Enquanto isso, o Kléber marchou para o Brasil. Quem ganhou financeiramente com esta história? O jogador e os intermediários. Quem perdeu? O mau da fita.

galvao99 disse...

O FCP nao foge à regra da caça às comissões. A diferença é que procura melhorar a qualidade do plantel e esta "troca" Kleber-Liedson pode não ser má de todo para a equipa, dada a baixa produtividade do Kleber, jogador jovem, e que, quem sabe, pode ser que melhore e se revalorize no Brasil.

Ou seja, ainda que existam comissões, elas são a consequência da necessidade de revitalizar a concorrencia ao Jackson e de relançar a carreira de um jovem com potencial e que nao tinha minutos no FCP.

Um exemplo de clube onde as comissoes sao o prato do dia a dia, e onde as trocas no plantel nao fazem sentido, tens o SCP que vende o Matias Fernandez, o unico "10" do plantel, e fica sem alternativas à posição, ou a venda de Joao Pereira por tuta e meia, substituindo-o por 3 defesas direitos que, todos juntos, nao fazem um. O que nao faz sentido é pagar comissoes por jogadores sem qualidade, por que os bons vao acabar por compensar essas quantias.

Finalmente, nao sei se sem comissoes ha algum clube profissional que consiga "chegar" aos melhores jogadores.

abraço,