quarta-feira, setembro 19, 2012

Dádivas, vilões e artistas

40 minutos da primeira parte, em Zagreb. O que está para trás só tem relevância para quem tem problemas de insónia. Jackson não tem problemas de insónia: aceita a oferta do guarda-redes e, dois segundos depois, adormece no relvado a sonhar que acaba de marcar um golo na Champions.

Tenho para mim que o principal candidato a acordar as bancadas do Dragão, depois da saída de Hulk, é Atsu. Claro que é jovem, erra (porque arrisca) mais vezes, precisa de tempo para evoluir e o todo ainda tem mais potencial do que valor demonstrado. Mas é artista. E isto é um problema para alguns treinadores, que preferem operários a artistas. Que pelo menos não tentem transformar o artista em operário, porque há lugar para todos. A prova disso é o segundo golo do Porto, marcado de forma artística pelo operário Defour, depois de uma assistência perfeita do artista ganês.

Mas falava eu do sonho de Jackson, mais tarde transformado em sonho de Kléber, uma história de dádivas e de vilões, com Tonel a aproveitar a dádiva do árbitro que o deixou permanecer em campo para agitar o Dínamo e com um Carrasco simpático que prefere matar a bola no peito (à Postiga) do que fuzilar a baliza deserta. James ainda fez voar Kelava, mas uma história assim só podia terminar a meio com a intervenção divina de Lucho.

E Moutinho? Alguém viu Moutinho?

littbarski

12 comentários:

littbarski disse...

Prefiro + a = certo, prefiro + do que = errado. Mas, pronto, o importante é que o Helton estava lá.

master kodro disse...

O Helton? Estás a falar daquele rapaz que fez duas assistências de génio que não deram em golo por acaso?

Joao disse...

Acho que seria mais simples com Atsu e Iturbe na equipa. Mais rapidez, mais "poder de fogo" e acima de tudo mais imprevisibilidade no jogo jogado...

Sérgio_alj disse...

o Helton podia ter-me dado mais 6 pts para o fantasy (2 assists) não fosse o Kelava da 1ª vez e a "classe" do Kleber na 2º...

littbarski disse...

É esse mesmo, mk. Só não concordo como o "por acaso". A primeira acabou com uma grande defesa de Kelava, a segunda resultou numa finalização desastrada de Kléber. E o Helton estava mesmo lá, tanto no lance de Tonel como no de Carrasco. Este é um daqueles casos em que mais valeu tarde (porque corrigiu falhas iniciais) do que nunca.

condor disse...

Achei mais piada ao Martinez a sonhar que o árbitro tinha marcado penalty no lance do falhanço!
Vai sonhando e não abras a pestana!

littbarski disse...

Vou, então, abrir a pestana: «com Tonel a aproveitar a dádiva do árbitro que o deixou permanecer em campo». Está escrito no texto.

Houve mais algum lance em que o Tonel podia ter sido expulso? Isto não invalida o falhanço incrível do Jackson, que teve tempo mais do que suficiente para fazer o golo, antes da falta do Tonel.

Gabriel disse...

O falhanço é inadmissível mas mais inadmissível ainda é o erro do arbitro e pior ainda os comentários da RTP que falam num "corte de Tonel", só se foi um corte às pernas.
No mais, um jogo QB como muitos que este Porto do Vitor Pereira fez, para consumo interno e contra o mestre da táctica pode chegar mas para consumo externo não passará da mediania.

Costa disse...

Realmente o falhanço do Jackson é incrivel...

Como é que com um simples toque daqueles por parte do Tonel, não se aguenta em pé e entra com a bola pela baliza dentro ?!

Fraquinho sim, mas não o Jackson...

littbarski disse...

Fraquinha é essa tendência de querer culpar o árbitro por todos os erros, inclusivamente os dos jogadores. Como o árbitro não marcou o penalty do Tonel, o Jackson é automaticamente absolvido de qualquer erro que tenha cometido antes disso e a culpa passa a ser toda do árbitro (a dele a a dos outros). Escusado será dizer que, nesse caso, não há nada para o jogador corrigir porque só o árbitro é que errou. Quero acreditar que o Jackson não pensa assim e que nem sequer reclamou porque percebeu que o principal responsável por aquela bola não ter entrado foi ele próprio. Quero acreditar nisto porque este é o primeiro passo para corrigir o erro e fazer melhor na próxima oportunidade.

Costa disse...

Desculpa lá mas o arbitro é responsável por todos os erros que cometa.

Parece-me uma ideia peregrina culpar o Jackson pelo erro cometido pelo arbitro.

Pelos visto, para alguns, o erro do Jackson foi ter feito pressão sobre o gr de forma a ganhar a bola.

Ou então, talvez culpado pelo penalti não assinalado, seja o Vitor Pereira por ter posto o Jackson a jogar e este ter sido 'arrancado pela raíz' pelo Tonel antes de chutar à baliza.

littbarski disse...

Exacto, Costa, o árbitro é responsável pelo erro de não ter assinado a falta do Tonel nem mostrado o respectivo cartão vermelho ao central do Dínamo. Mas isto (a parte do vermelho, no único lance em que o Tonel o podia ter visto) está escrito no texto. Portanto, não percebo alguns comentários que eu li aqui.

Aquilo que eu disse no meu comentário anterior foi que o árbitro não era responsável pelos erros dos jogadores. E para mim é evidente que o Jackson teve tempo suficiente para marcar, antes de ser varrido pelo Tonel, e errou ao não o ter conseguido.

Preocupa-me mais a parte do Jackson porque é a parte que o Porto pode corrigir.

Só isto. Não é nenhum drama (todos erram e o Porto acabou por ganhar o jogo na mesma) e tanto assim é que eu brinquei (embora, pelos vistos, haja quem não tenha achado piada nenhuma) com o assunto.