domingo, junho 10, 2012

Alemanha 1 x 0 Portugal

Confesso que tenho alguma dificuldade em compreender frases como "fomos muito melhores do que a Alemanha" ou "jogar como nunca e perder como sempre não nos agrada". Gostava mais que os seus autores se esforçassem para perceber como é que isolados se deixam antecipar ou como é que a selecção passa 45 minutos a ver jogar, sem, por exemplo, ter garantido o apoio ao lateral esquerdo já que se assumiu, mais uma vez, que o extremo não está lá para defender, respectivamente. Para se ser muito melhor ou jogar como nunca, não basta ter a primeira oportunidade (enorme, claro) nos descontos da primeira parte. Outro erro estratégico que não beneficia ninguém é juntar Gomez e sorte na mesma frase, para nos queixarmos da nossa finalização de seguida.

Claro que o adversário se chama Alemanha, que tem um valor extraordinário, e que é importante manter o discurso positivo, não só porque o ponto esteve ao nosso alcance, como porque os próximos adversários (os próximos três, espero, pelo menos) não são deste calibre. Mas convém fazer o trabalho de casa, porque Muller esteve péssimo nos cruzamentos, mas Robben pode não estar. Bom, primeiro temos que ganhar à Dinamarca, que tem tido mais "sorte" do que nós nos últimos 4 jogos oficiais em que nos defrontámos.

ps - não vi o Holanda 0 x 1 Dinamarca, mas parece que foi milagre. Foi?

master kodro


15 comentários:

Tiago Martins disse...

Não foi um milagre. A Holanda dominou a posse de bola, teve uma bola ao poste, mas nunca conseguiu desmontar a defesa da Dinamarca.

Muitas dificuldades de construção com um duplo pivot tão fixo. Mas a verdade é que a entrada do Van der Vaart não ajudou.

Grande jogo da dupla de centrais da Dinamarca. É certo que a Holanda falhou algumas boas oportunidades, mas a Dinamarca teve momentos muito bons no jogo, em que deu a bola a cheirar aos holandeses.

miguel_canada disse...

Portugal foi igual a si próprio e não se desviou um milímetro daquilo que, quem percebe o futebol, antecipou.
Defensivamente estivemos muito bem não só porque os defesas estiveram concentrados e acertados mas também porque com uma dupla Moutinho-Meireles no meio campo torna-se muito difícil a qualquer adversário penetrar em boas condições no nosso meio campo defensivo e construir jogadas de verdadeiro perigo.
O problema deste "plantel" é a falta de um 10, de um verdadeiro criativo que assuma a responsabilidade do transporte e organização do ataque pela zona central e que se saiba transformar num segundo avançado permitindo uma maior presença na grande área adversaria. Sempre defendi que o CR7 podia fazer este papel deixando a ala para Varela ou Quaresma consoante a necessidade de intensidade defensiva.
Os nossos movimentos atacantes no jogo de hoje resumiram-se na maior parte das vezes a manobras de apenas 3 jogadores já que Moutinho e Meireles ficavam sempre para trás e quando três esbarram numa barreira de 5 ou 6 as hipóteses ficam muitíssimo reduzidas e geralmente quem conduz a bola sofre imediatamente um problema de solidão profunda.
Depois o problema do avançado centro que... não temos, conforme Postiga fez questão de demonstrar hoje. Repito e reafirmo que prefiro 10 vezes o Nélson Oliveira ao Postiga e Almeida juntos!
Mas uma coisa é irrefutável e o comentador da ESPN referiu isso varias vezes... os jogadores Portugueses tem uma qualidade técnica acima da média e deveriam ter partido para cima da Alemanha desde o inicio do jogo mas aí é que entra outro dos nossos crónicos handicaps... o excesso de respeito!!!
Aqueles 10 minutos finais demonstraram que se os Portugueses tivessem os tomates um bocadinho maiores podia perfeitamente ter ganho o jogo.
Agora, ganhar à Dinamarca é fundamental mas, os Dinamarqueses demonstraram uma coisa frente à Holanda....defendem bem pra caraças! Se o Paulo Bento não for capaz de acrescentar uma dinâmica mais agressiva e mais apontada a área contraria naquele meio campo o Europeu pode ficar muito comprometido.
Vamos ter fé.

Filipe disse...

Não foi por excesso de respeito que Portugal não agarrou no jogo. A Alemanha tem saúde para dar e vender e Portugal tentou amparar as investidas deles e esperar que a coisa se equilibrasse. Teria funcionado se os cepos que temos no ataque finalizassem melhor.

Gostei do Veloso, até nem se mostrou muito mas isso foi por estar em geral bem posicionado.

Infante disse...

Exacto, Filipe, essa história do "excesso de respeito" parece-me um daqueles clichés muito ligados à nossa mania de ver as coisas pelo demérito de quem perde e não pelo mérito de quem ganha.

Ir para cima da Alemanha? A sério, Miguel? Para isso é preciso que a outra equipa deixe. Isto não é um Porto-Olhanense ou Benfica-Rio Ave.

Esta derrota não é inesperada, paciência. É um resultado normal, a Alemanha é melhor e pronto. E não só no ataque (se bem que aqui nem se fala!).

Veremos agora a Dinamarca, mas é giro ver comentadores a dizerem que a vitoria da Dinamarca contra a Holanda é uma boa noticia, porque mostra que "a Holanda está frágil". Como é óbvio, essa mesma vitória não mostra que a Dinamarca é forte porque, como sabemos, são os "nomes" que jogam e não a verdadeira dimensão da equipa. Enfim...

Infante disse...

Queria dizer "e não a verdadeira qualidade", claro.

Hugo disse...

O jogo da Holanda fez-me lembrar o Espanha-Suica do Mundial de 2010
A Dinamarca nao volta a ter a mesma sorte

jose reyes disse...

João Pereira: «Podíamos ter saído daqui com a vitória»
Ronaldo: «Fomos muito melhores do que a Alemanha»
Nani: «Tivemos azar...»
Fábio Coentrão: «É uma injustiça muito grande»
Nélson Oliveira: «Perdemos mas fizemos um grande jogo»

Por último, o "treinador":
Paulo Bento: «Jogo estava controlado...»

Como poderão estes gajos melhorar quando não conseguem perceber por que perderam o jogo? Andam nisto há décadas e depois queixam-se do azar e do Pinto da Costa.

SportingSempre disse...

tou de acordo, o Ronaldo não tá para defender, é irritante mas é verdade, sendo assim devia jogar no meio dos centrais e alguém com mais atitude passar para a ponta esquerda no sentido de ajudar o Fabio Coentros.

incrivel a facilidade com que se percebe que ele não dá tudo o que tem...tenho torcido por ele mas torna-se dificil ás vezes.

littbarski disse...

Eu acho que a esse medo de que o Miguel fala há ainda a juntar um crónico complexo de inferioridade. Basta ouvir os comentários ao jogo: depois ter passado a primeira parte toda a ver a Alemanha jogar, Portugal lá consegue chegar uma ou duas vezes ao ataque, com o potencial perigo a ser sistematicamente anulado pela crónica incompetência na finalização. Comentário: «Portugal conseguiu calar a arrogância alemã». Qualquer coisa assim seguida de um elogio à dupla de centrais portuguesa, porque tinha secado completamente Mario Gomez, e do inevitável golo da Alemanha, marcado por Mario Gomez, logo a seguir (eu sei, é sina). Portugal volta ao ataque. Comentário: «estamos a perder, mas calámos os adeptos alemães». A Alemanha ganha porque tem Gomez na frente (e Klose no banco), enquanto Portugal tem de fazer de conta que tem um ponta-de-lança e porque Boateng se antecipa a Ronaldo enquanto Gomes fica livre de marcação para fazer o golo da vitória. O resto é fado. A bola de Pepe na barra, uma fatalidade que a não acontecer tudo mudaria. A forma como Portugal foi para a frente quando já estava a perder (afinal, era possível chegar lá, mesmo que os alemães não quisessem) e quase conseguia o empate. Fomos melhores, diz a fotografia de Ronaldo. Moralmente ganhámos, sem dúvida. Quanto mais não seja, porque durante alguns minutos conseguimos calar a arrogância alemã.

littbarski disse...

Em relação ao milagre de que Heitinga fala (não sei se foi nem como foi porque também não vi), o que ele diz a seguir faz alguma diferença: «A culpa deste resultado é nossa, porque falhámos em demasiado.» Primeiro, reconhecer os erros, depois corrigir. Ronaldo e Paulo Bento acham que não há nada para corrigir. Falta apenas aquela pontinha de sorte. E se no lance da bola na barra de Pepe houve, de facto, infelicidade em proporção igual à felicidade que seria Portugal marcar naquela altura, depois de passar a primeira parte toda à espera da tal pontinha de sorte (ao contrário da Alemanha, que a procurou desde o primeiro minuto), o mesmo não se aplica à falha de marcação no golo de Gomez. Ou a Ronaldo, Nani e Varela. Mas pronto, se calhar não há mesmo mais nada a fazer e a única coisa que nos pode salvar é a sorte.

Infante disse...

A história da "arrogância" dos outros é já um clássico, nem vale a pena falar muito disso.

Basicamente, se uma equipa/selecção portuguesa joga com uma de Ing, Esp, Ale, Fra, Ita, a arrogância já existe ainda antes do jogo começar, ainda antes da primeira conferência de imprensa. Ah, e se os treinadores/jogadores da outra equipa elogiam os portugueses antes do jogo, isso também é arrogância porque "estão a querer colocar a pressão do nosso lado".

Já foi responsável por belos momentos de ridículo, a história da arrogância.

E, claro, dizer "fomos muito melhores que o adversário" quando se passa a primeira parte a ver jogar, não é nada arrogante.

Rearviewmirror disse...

Das 7 equipas pseudo candidatas ao titulo, somos aquela que tem o pior meio-campo. É factual e não tenho dúvidas nenhumas, se calhar o Meireles com a lesão do Lampard poderia jogar na selecção Inglesa, do resto...

A nossa equipa esteve sempre partida, Sem ligação, a jogada era colocar a bola no extremo e esperar que ele resolvesse 1x1 ou 1x2, e incrivelmente o jogador que mais apoiava o trio da frente era o ... Fábio Coentrão.

Defender com 8 e atacar com 3, só funcionou com a Grécia. E nós não somos a Grécia.

naked sniper disse...

a Holanda podia ter levado 2 ou 3 na boa...

miguel_canada disse...

Rear, a tua analise é demasiadamente minimalista. O nosso meio campo não é mau! É deficitário. Tanto Meireles como Moutinho são excelentes jogadores na sua função mas utiliza-los ao mesmo tempo retira à equipa funcionalidade atacante, garantindo apenas segurança e qualidade em termos de pressão e recuperação de bola.
Falta-nos o Deco, o Rui Costa...o 10. Insisto que poderia-mos utilizar o Ronaldo nessa função mas...

Sentinela um Estremecer disse...

Não tens de desviar jogadores da sua posição natural. Metendo o Cristiano Ronaldo ou o Nani no centro passas a jogar em 4-4-2, porque tanto um como outro não fazem a parte do meio campo, principalmente o CR7, necessário para o 4-2-3-1. Tornavas-te numa Inglaterra com uma defesa mais fragil e exposta.
O jogador que melhores caracteristicas tem de 10 é o Hugo Viana mas é carta fora do baralho para o Paulo Bento.
Também não tens um trinco digno desse nome que permitisse à equipa esticar-se mais no terreno e assim jogam encolhidos. Miguel Veloso até fez um jogo bonzinho contra a Alemanha mas não me convence a longo termo por ser muito inconstante. Dos que levámos, o mais parecido com um verdadeiro trinco seria adaptar o Pepe mas depois tinhas de jogar com um Rolando ou Ricardo Costa atrás dele. É uma manta de retalhos, mas as alternativas para a convocatória também não eram muitas mais.
Não sou a pessoa mais confiante nesta equipa e tudo o que conseguirem trazer de lá já é bom.