Parece mais ou menos óbvio que nas próximas horas, dias ou semanas Carlos Queiroz se verá sem condições para continuar no cargo de seleccionador nacional.
Nada de novo: ficámos na primeira eliminatória, tal como no Euro 2008, a fase final anterior à campanha na África do Sul. Só falta ficarmos sem treinador, tal como há dois anos, com a saída de Luiz Felipe Scolari.
Resta saber quem vai comandar no próximo Europeu uma equipa que pode despertar nos adeptos portugueses legítimas esperanças de sucesso: Eduardo (30 anos em 2012), Bosingwa (30), Pepe (29), Bruno Alves (31), Coentrão (24), Veloso (26), Meireles (29), Ruben Micael (26), Nani (26), Cristiano Ronaldo (27) e Quaresma (29).
kovacevic
Quarta-feira, Junho 30, 2010
Terça-feira, Junho 29, 2010
O Mundial dos 7 a 1
Derrota normal, frente a uma selecção melhor. Portugal esteve dentro da eliminatória durante uma hora, sobrevivendo a dez minutos iniciais fortíssimos do adversário. A seguir, as ocasiões para marcar repartiram-se, mas parece-me que as melhores foram nossas. Os espanhóis praticamente só remataram de fora da área. Depois do golo, contudo, os navegadores afundaram-se imediata e irremediavelmente, deixando uma pálida última imagem.
O que marca o rumo dos acontecimentos não é a substituição de Hugo Almeida, com zero zero, como já se anda por aí a propagar, é mesmo a entrada de Llorente - responsabilidade de Del Bosque - e o tiro certeiro de Villa.
Queiroz tinha uma estratégia para este Mundial, a qual, face às características dos jogadores convocados, mais aptos a jogar em contra-ataque, me parece a mais certa. Falhou ao minuto 63 do quarto jogo, num momento em que os erros já eram potencialmente fatais.
Para uns será o Mundial em que só marcámos à Coreia, para outros o Mundial em que só sofremos um golo. Não houve milagres, nem Ronaldo, ficámos por um Mundial normalzinho, em que se perdeu o número dez (Deco) e um dos pontas-de-lança (Liedson), mas se ganhou guarda-redes (Eduardo) e lateral-esquerdo (Coentrão) para muitos anos.
kovacevic
O que marca o rumo dos acontecimentos não é a substituição de Hugo Almeida, com zero zero, como já se anda por aí a propagar, é mesmo a entrada de Llorente - responsabilidade de Del Bosque - e o tiro certeiro de Villa.
Queiroz tinha uma estratégia para este Mundial, a qual, face às características dos jogadores convocados, mais aptos a jogar em contra-ataque, me parece a mais certa. Falhou ao minuto 63 do quarto jogo, num momento em que os erros já eram potencialmente fatais.
Para uns será o Mundial em que só marcámos à Coreia, para outros o Mundial em que só sofremos um golo. Não houve milagres, nem Ronaldo, ficámos por um Mundial normalzinho, em que se perdeu o número dez (Deco) e um dos pontas-de-lança (Liedson), mas se ganhou guarda-redes (Eduardo) e lateral-esquerdo (Coentrão) para muitos anos.
kovacevic
Segunda-feira, Junho 28, 2010
Portugal (de Queiroz), o hiper-defensivo
Confesso que estou baralhado com alguns conceitos que me têm aparecido à frente. Expressões como "autocarro", "retranca" e "à grega" foram usadas na caixa de comentários do 442 (nem imagino o que andará por aí fora) para ilustrar a exibição de Portugal contra o Brasil - e não só. Paralelamente, li elogios à mestria táctica de Eriksson (obviamente em contraponto à inépcia queiroziana) no jogo da Costa do Marfim contra Portugal.
Li, novamente nos comentários do 442, que jogámos com quatro centrais, dois laterais esquerdos e dois trincos contra o Brasil. Confesso que esta última foi a minha leitura preferida, principalmente a parte dos laterais, porque a dos centrais já tem barbas e a do Tiago-médio-de-contenção já se sabia que ia funcionar, assim que foi lançada num jornal, como aqui descrevi. Devo, desde já, eleger Tiago como o melhor trinco que passou pelo futebol português, quando marcou 13 golos numa época no Benfica, mas isso é só um pormenor certamente insignificante.
Do que gostei mesmo foi dos laterais Fábio Coentrão e Duda (por esta ordem de ideias, com 8 golos e 7 assistências na Liga espanhola desta época, estamos diante de um sério rival de Roberto Carlos na história do futebol espanhol), que, por acaso, se bateram no flanco com Maicon e Daniel Alves. Extremos, por certo (como se isso interessasse para alguma coisa).
Mas o que me intriga é se toda esta neblina defensiva tem suporte em algo de palpável. Presumindo que ninguém está triste por estarmos numa série respeitável de jogos sem perder e sem sofrer golos, presumindo que sabemos todos o que é que quer dizer jogar contra o Brasil, em competição, e fazê-lo com necessidade de pontuar para passar sem sobressaltos, vamos a alguns dados estatísticos. Podemos discordar da forma como são medidos e apreciados, mas sabemos que o são de igual forma para todos. Podemos dizer que não são a melhor forma de ilustrar a realidade, ao que respondo que são uma das únicas em que o preconceito não entra. Por favor, façam uma leitura de todos os dados em conjunto e não de apenas um.
Golos marcados Portugal acabou a fase de grupos como o melhor ataque do Mundial, a par com a Argentina. A meio dos jogos dos oitavos-de-final, sem termos jogado, ainda somos a terceira selecção com mais golos marcados. Foram todos com a Coreia do Norte? Foram. Fomos os únicos a jogar contra a Coreia do Norte? Não.
Remates No fim da fase de grupos (para nós), 14.º lugar entre 32 selecções, lembrando que oito já fizeram o jogo dos oitavos-de-final (não tive tempo para fazer as contas). Das 24 que ainda não jogaram (ou não jogarão) os oitavos-de-final, 5 têm mais remates do que nós, incluindo o ofensivo Chile (com mais três) ou a deliberadamente ofensiva Espanha (com mais 9, 3 por jogo). A Holanda tem menos quatro e, por exemplo, o Paraguai tem menos 10 (isto para não falar nos também qualificados Japão e Eslováquia, com menos 16 e 17, respectivamente).
Ataques Novamente 14.º, novamente com oito selecções que já fizeram os jogos dos oitavos (aqui, com a particularidade de os Estados Unidos, mesmo com mais 120 minutos, não terem feito mais ataques do que nós). O atacante Chile continua com mais 3, a Holanda tem menos 7 que nós.
Bolas entregues na área (jogáveis, obviamente) 10.º lugar, ou 5.º se apenas considerarmos as selecções que ainda não jogaram nos oitavos (atrás de Espanha, Itália, Camarões e Chile). Chamo a atenção que não estamos a tentar medir se elas são imprescindíveis, aproveitadas, de qualidade, ou não, mas apenas se Portugal joga à defesa, ou não.
Porrada Autocarro que se preze, dá traulitada (tirando os rapazes da Coreia do Norte). Alerto para um raciocínio inverso ao das anteriores variáveis, para as oito selecções que têm um jogo a mais - e aqui destaco a Alemanha que, mesmo assim, tem menos faltas cometidas do que nós. Das 24 que ainda não jogaram, cinco fizeram menos faltas do que nós. A Holanda fez mais 4 e o Chile mais 19, para usar as selecções que serviram de modelo nos índices anteriores (uma por ser tradicionalmente ofensiva, outra por ser quase unanimemente considerada uma das mais ofensivas deste Mundial).
E deixo uma pergunta: considerando que, tal como os outros, não jogamos sozinhos; considerando que nos devemos comparar aos outros, porque é com eles que competimos; considerando que nem todos jogaram contra a Coreia do Norte e que nem todos jogaram contra o Brasil; onde é que está a retranca?
Começámos o Mundial contra o nosso adversário directo para a qualificação, que apresentou uma estratégia defensiva que nos criou dificuldades e mostrou valor para nos estragar a estreia e o Mundial. Queiroz concedeu o empate pretendido pelo adversário e devolveu, como favorito: agora façam melhor do que nós contra a Coreia e contra o Brasil. Faz o melhor resultado da selecção em fases finais e anula o jogo contra um real favorito ao título (que acabou o jogo com tantas dificuldades como nós sentimos contra a Costa do Marfim). Isto não é retranca. Isto é estratégia. Aliás, a única possível, dada a conjuntura, se o objectivo for ter algum tipo de sucesso. Com a mitologia agregada a algumas das intervenções que vou lendo, fico na dúvida se é esse o objectivo, porque não são opções que são criticadas.
ps - Aqui no 442, sentimo-nos - os três - muito confortáveis com as nossas posições sobre os dois últimos seleccionadores. Foram sempre criticadas as opções e os critérios, ferozmente criticadas em ambos os casos, quando foi caso disso. Mas esta conversa fica para outra altura, apesar do que também se vai lendo a este propósito. A seu tempo.
master kodro
Li, novamente nos comentários do 442, que jogámos com quatro centrais, dois laterais esquerdos e dois trincos contra o Brasil. Confesso que esta última foi a minha leitura preferida, principalmente a parte dos laterais, porque a dos centrais já tem barbas e a do Tiago-médio-de-contenção já se sabia que ia funcionar, assim que foi lançada num jornal, como aqui descrevi. Devo, desde já, eleger Tiago como o melhor trinco que passou pelo futebol português, quando marcou 13 golos numa época no Benfica, mas isso é só um pormenor certamente insignificante.
Do que gostei mesmo foi dos laterais Fábio Coentrão e Duda (por esta ordem de ideias, com 8 golos e 7 assistências na Liga espanhola desta época, estamos diante de um sério rival de Roberto Carlos na história do futebol espanhol), que, por acaso, se bateram no flanco com Maicon e Daniel Alves. Extremos, por certo (como se isso interessasse para alguma coisa).
Mas o que me intriga é se toda esta neblina defensiva tem suporte em algo de palpável. Presumindo que ninguém está triste por estarmos numa série respeitável de jogos sem perder e sem sofrer golos, presumindo que sabemos todos o que é que quer dizer jogar contra o Brasil, em competição, e fazê-lo com necessidade de pontuar para passar sem sobressaltos, vamos a alguns dados estatísticos. Podemos discordar da forma como são medidos e apreciados, mas sabemos que o são de igual forma para todos. Podemos dizer que não são a melhor forma de ilustrar a realidade, ao que respondo que são uma das únicas em que o preconceito não entra. Por favor, façam uma leitura de todos os dados em conjunto e não de apenas um.
Golos marcados Portugal acabou a fase de grupos como o melhor ataque do Mundial, a par com a Argentina. A meio dos jogos dos oitavos-de-final, sem termos jogado, ainda somos a terceira selecção com mais golos marcados. Foram todos com a Coreia do Norte? Foram. Fomos os únicos a jogar contra a Coreia do Norte? Não.
Remates No fim da fase de grupos (para nós), 14.º lugar entre 32 selecções, lembrando que oito já fizeram o jogo dos oitavos-de-final (não tive tempo para fazer as contas). Das 24 que ainda não jogaram (ou não jogarão) os oitavos-de-final, 5 têm mais remates do que nós, incluindo o ofensivo Chile (com mais três) ou a deliberadamente ofensiva Espanha (com mais 9, 3 por jogo). A Holanda tem menos quatro e, por exemplo, o Paraguai tem menos 10 (isto para não falar nos também qualificados Japão e Eslováquia, com menos 16 e 17, respectivamente).
Ataques Novamente 14.º, novamente com oito selecções que já fizeram os jogos dos oitavos (aqui, com a particularidade de os Estados Unidos, mesmo com mais 120 minutos, não terem feito mais ataques do que nós). O atacante Chile continua com mais 3, a Holanda tem menos 7 que nós.
Bolas entregues na área (jogáveis, obviamente) 10.º lugar, ou 5.º se apenas considerarmos as selecções que ainda não jogaram nos oitavos (atrás de Espanha, Itália, Camarões e Chile). Chamo a atenção que não estamos a tentar medir se elas são imprescindíveis, aproveitadas, de qualidade, ou não, mas apenas se Portugal joga à defesa, ou não.
Porrada Autocarro que se preze, dá traulitada (tirando os rapazes da Coreia do Norte). Alerto para um raciocínio inverso ao das anteriores variáveis, para as oito selecções que têm um jogo a mais - e aqui destaco a Alemanha que, mesmo assim, tem menos faltas cometidas do que nós. Das 24 que ainda não jogaram, cinco fizeram menos faltas do que nós. A Holanda fez mais 4 e o Chile mais 19, para usar as selecções que serviram de modelo nos índices anteriores (uma por ser tradicionalmente ofensiva, outra por ser quase unanimemente considerada uma das mais ofensivas deste Mundial).
E deixo uma pergunta: considerando que, tal como os outros, não jogamos sozinhos; considerando que nos devemos comparar aos outros, porque é com eles que competimos; considerando que nem todos jogaram contra a Coreia do Norte e que nem todos jogaram contra o Brasil; onde é que está a retranca?
Começámos o Mundial contra o nosso adversário directo para a qualificação, que apresentou uma estratégia defensiva que nos criou dificuldades e mostrou valor para nos estragar a estreia e o Mundial. Queiroz concedeu o empate pretendido pelo adversário e devolveu, como favorito: agora façam melhor do que nós contra a Coreia e contra o Brasil. Faz o melhor resultado da selecção em fases finais e anula o jogo contra um real favorito ao título (que acabou o jogo com tantas dificuldades como nós sentimos contra a Costa do Marfim). Isto não é retranca. Isto é estratégia. Aliás, a única possível, dada a conjuntura, se o objectivo for ter algum tipo de sucesso. Com a mitologia agregada a algumas das intervenções que vou lendo, fico na dúvida se é esse o objectivo, porque não são opções que são criticadas.
ps - Aqui no 442, sentimo-nos - os três - muito confortáveis com as nossas posições sobre os dois últimos seleccionadores. Foram sempre criticadas as opções e os critérios, ferozmente criticadas em ambos os casos, quando foi caso disso. Mas esta conversa fica para outra altura, apesar do que também se vai lendo a este propósito. A seu tempo.
master kodro
Domingo, Junho 27, 2010
Alemanha 4 x Inglaterra 1
Bom jogo, com vitória do mais forte. A Alemanha continua a mostrar o melhor futebol do Mundial, com um colectivo muito organizado, contra-ataque letal e consistência defensiva q.b. (sobretudo atendendo à fragilidade dos centrais). Vimos boas e rápidas trocas de bola, um miolo abnegado e prático, e uma sede de baliza apreciável. Magnífico jogo de Özil e Müller, duas figuras deste campeonato. Do lado inglês, a pobreza dos últimos dias repetiu-se e nem um erro de arbitragem desculpa o desastre. Com Rooney muito longe da baliza e sem objectividade nos movimentos ofensivos, a Inglaterra caiu também pelo comportamento patético da sua retaguarda.
Vi o jogo em Berlim, na Schiffbauerdam (obrigado LMGM), numa simpática esplanada acompanhado de excelente cerveja. Os alemaes festejaram timidamente os primeiros dois golos, riram da ironia histórica do "golo que nao foi" e acabaram em loucura generalizada depois do bis de Müller. Já só se fala na conquista do título. Eu era um descrente, mas agora nao tenho a certeza. Esta malta joga muito à bola...
katanec
Vi o jogo em Berlim, na Schiffbauerdam (obrigado LMGM), numa simpática esplanada acompanhado de excelente cerveja. Os alemaes festejaram timidamente os primeiros dois golos, riram da ironia histórica do "golo que nao foi" e acabaram em loucura generalizada depois do bis de Müller. Já só se fala na conquista do título. Eu era um descrente, mas agora nao tenho a certeza. Esta malta joga muito à bola...
katanec
Sábado, Junho 26, 2010
Portugal, os cínicos e o Mundial
Pensava que os mais recentes acontecimentos iriam travar os cínicos, mas a julgar pelo que se vai lendo, enganei-me. Tinha boas razões para ter essa convicção. Afinal de contas, falo de gente que passou meses a anunciar a morte da selecção nacional, depois da derrota com a Dinamarca, depois do empate com a Albânia, depois do empate com a Suécia (com o mítico "Adeus África"), que não acreditava na ida ao playoff (íamos ser "o pior segundo"), que não acreditava na vitória contra a Bósnia. Que não acreditava, até ter de acreditar, porque Portugal apurou-se mesmo.
Refeitos da desilusão, os cínicos regressaram em força. Que o Mundial ia ser uma vergonha. Que o Drogba mete uns cinco ao Eduardo. Que saía goleada contra o Brasil. Que caminhávamos para mais um "2002". Pior, que ia ser uma repetição de Saltillo! Ao primeiro jogo (natural empate com um adversário directo), readquiriram força: "perdemos margem de manobra", eliminação à vista, nem um milagre nos salva. "Estou a cair para o lado daqueles que já pouco ou nada acreditam nas nossas possibilidades", escreveu o campeão do cinismo blogosférico português (num post de antologia). Dias depois, 7-0 à Coreia. Chatice. Mas contra o Brasil, ai contra o Brasil, abandonem os barcos, protejam mulheres e crianças, que vai ser um descalabro! Olha, deu empate...
E agora, que Portugal se apurou, sem derrotas, sem golos sofridos, cumprindo plenamente o mínimo exigível? Agora, claro, malha-se no miserável do Queiroz que "nos pôs a jogar à defesa" e que por isso nos levou a encontrar a poderosa Espanha. Repare-se na incoerência do argumento: tínhamos de ter arriscado, para ganhar ao Brasil e assim evitar a Espanha. É como dizer que para aguentarmos água a ferver o melhor é dormirmos numa lareira acesa...
Deixemo-nos de brincadeiras. Primeiro: Portugal não sabia quem ganharia o grupo H, pelo que não era possível "escolher" o adversário. Segundo: actuávamos contra uma das melhores equipas do mundo (tão favorita quanto a Espanha, caramba!), que há um ano e meio nos ganhou 6-2. Terceiro: nestas circunstâncias, Portugal adoptou o único plano de jogo lógico na sua situação - apostar na contenção, manter o Brasil longe da nossa baliza, jogar com o resultado do outro encontro e garantir o apuramento. Objectivo bem traçado e bem cumprido. O que diriam os cínicos se Portugal arriscasse, perdesse por 3 ou 4 e a Costa do Marfim se tivesse apurado num forcing final? Nem quero imaginar.
Ah, e tal, mas podíamos ter arriscado mais porque a Costa do Marfim só estava a ganhar por 2-0. Mas foi isso que aconteceu! Depois de uma primeira parte ultra-defensiva, Queiroz lançou Simão, Portugal subiu linhas, dominou o jogo durante 15-20 minutos e teve uma ocasião flagrante (Meireles) para marcar. Falhou e depois não foi capaz de voltar a acelerar, mas repito: cumpriu plenamente o plano estratégico e o objectivo traçado. Ninguém está a dizer que foi perfeito (muitos passes falhados, erros de casting de Danny e Duda, mau jogo de Pepe, Ronaldo com remates insanos, etc.). Mas foi claramente suficiente. Para mal dos cínicos.
E agora, com a Espanha? Os cínicos, naturalmente, anunciam desde já um massacre de proporções épicas. Pode acontecer? Pode. A Espanha é a melhor equipa europeia da actualidade e tem uma selecção fortíssima. E os cínicos têm do seu lado a vantagem de que, se falham o prognóstico, "não conta", se acertam, dizem "estão a ver" (lembra a história do cínico que passava a vida a dizer aos amigos que estava prestes a morrer, embora fosse sobrevivendo ano após ano; quando, por fim, morreu, aos 105 anos, lia-se na sua lápide "eu não dizia?"). Em todo o caso, se isso acontecer - se formos goleados - serei o primeiro a escrever aqui: para mal de muita gente, Portugal já cumpriu os seus objectivos fundamentais neste Mundial. No entretanto, vou lanchar a Aljubarrota. Just in case.
katanec
Refeitos da desilusão, os cínicos regressaram em força. Que o Mundial ia ser uma vergonha. Que o Drogba mete uns cinco ao Eduardo. Que saía goleada contra o Brasil. Que caminhávamos para mais um "2002". Pior, que ia ser uma repetição de Saltillo! Ao primeiro jogo (natural empate com um adversário directo), readquiriram força: "perdemos margem de manobra", eliminação à vista, nem um milagre nos salva. "Estou a cair para o lado daqueles que já pouco ou nada acreditam nas nossas possibilidades", escreveu o campeão do cinismo blogosférico português (num post de antologia). Dias depois, 7-0 à Coreia. Chatice. Mas contra o Brasil, ai contra o Brasil, abandonem os barcos, protejam mulheres e crianças, que vai ser um descalabro! Olha, deu empate...
E agora, que Portugal se apurou, sem derrotas, sem golos sofridos, cumprindo plenamente o mínimo exigível? Agora, claro, malha-se no miserável do Queiroz que "nos pôs a jogar à defesa" e que por isso nos levou a encontrar a poderosa Espanha. Repare-se na incoerência do argumento: tínhamos de ter arriscado, para ganhar ao Brasil e assim evitar a Espanha. É como dizer que para aguentarmos água a ferver o melhor é dormirmos numa lareira acesa...
Deixemo-nos de brincadeiras. Primeiro: Portugal não sabia quem ganharia o grupo H, pelo que não era possível "escolher" o adversário. Segundo: actuávamos contra uma das melhores equipas do mundo (tão favorita quanto a Espanha, caramba!), que há um ano e meio nos ganhou 6-2. Terceiro: nestas circunstâncias, Portugal adoptou o único plano de jogo lógico na sua situação - apostar na contenção, manter o Brasil longe da nossa baliza, jogar com o resultado do outro encontro e garantir o apuramento. Objectivo bem traçado e bem cumprido. O que diriam os cínicos se Portugal arriscasse, perdesse por 3 ou 4 e a Costa do Marfim se tivesse apurado num forcing final? Nem quero imaginar.
Ah, e tal, mas podíamos ter arriscado mais porque a Costa do Marfim só estava a ganhar por 2-0. Mas foi isso que aconteceu! Depois de uma primeira parte ultra-defensiva, Queiroz lançou Simão, Portugal subiu linhas, dominou o jogo durante 15-20 minutos e teve uma ocasião flagrante (Meireles) para marcar. Falhou e depois não foi capaz de voltar a acelerar, mas repito: cumpriu plenamente o plano estratégico e o objectivo traçado. Ninguém está a dizer que foi perfeito (muitos passes falhados, erros de casting de Danny e Duda, mau jogo de Pepe, Ronaldo com remates insanos, etc.). Mas foi claramente suficiente. Para mal dos cínicos.
E agora, com a Espanha? Os cínicos, naturalmente, anunciam desde já um massacre de proporções épicas. Pode acontecer? Pode. A Espanha é a melhor equipa europeia da actualidade e tem uma selecção fortíssima. E os cínicos têm do seu lado a vantagem de que, se falham o prognóstico, "não conta", se acertam, dizem "estão a ver" (lembra a história do cínico que passava a vida a dizer aos amigos que estava prestes a morrer, embora fosse sobrevivendo ano após ano; quando, por fim, morreu, aos 105 anos, lia-se na sua lápide "eu não dizia?"). Em todo o caso, se isso acontecer - se formos goleados - serei o primeiro a escrever aqui: para mal de muita gente, Portugal já cumpriu os seus objectivos fundamentais neste Mundial. No entretanto, vou lanchar a Aljubarrota. Just in case.
katanec
Quinta-feira, Junho 24, 2010
Dos EUA ao Gana
Grupos C e D resolvidos hoje, com muita emoção (e bom futebol) à mistura. Os EUA apuraram-se com todo o mérito, apesar das arbitragens deficientes e de alguma falta de sorte (poderiam ter ganho perfeitamente os três jogos). É uma equipa compacta, com enorme coração e transições rápidas, cujas únicas pechas me parecem ser a ausência de um "10" e alguma incapacidade para jogar eficazmente em ataque organizado. De qualquer forma, quem tem aquele Donovan (bem secundado por Bradley, Altidore e Dempsey), tem tudo. No outro confronto, a Inglaterra ganhou e segue em frente, mas pelo que vi no resumo, voltou a ter uma prestação pobre. Será que Capello pretende aplicar a fórmula italiana e assim chegar longe?
No Grupo D, a Alemanha confirmou o favoritismo e mostrou que o desaire com a Sérvia foi um azar de percurso. Os alemães continuam a ser uma das equipas mais entusiasmantes da prova, com um super-Özil a comandar um onze cheio de automatismos, combinações rápidas e pleno envolvimento dos laterais nas manobras atacantes. Grande jogo em perspectiva contra a Inglaterra (terei a sorte de estar em Berlim nesse dia).
Apurado também um sortudo Gana, que pouco tem mostrado. Venceu uma Sérvia disparatada (aquele penalty...), empatou contra uma Austrália reduzida a dez uma hora, e foi derrotada pela Alemanha. Será (provavelmente) a única equipa africana apurada para a fase seguinte, comprovando o desastre do continente negro nesta prova (apesar dos prognósticos favoráveis - cheguei mesmo a ouvir David Borges a apostar num triunfo africano neste ou no próximo Mundial): 2 vitórias em 16 jogos e um rol de eliminações precoces.
Nota breve para os quatro eliminados do dia. Da Argélia, gostei do lateral-esquerdo Beladjh (o resto é fraquíssimo). Da Eslovénia, gostei do contra-ataque (não justificava mais que um terceiro lugar no grupo). Da Austrália, destaque-se a combatividade (mas também a desorganização defensiva). A Sérvia desiludiu profundamente, nunca mostrando regularidade para estas andanças (apesar de um magnífico Krasic).
katanec
No Grupo D, a Alemanha confirmou o favoritismo e mostrou que o desaire com a Sérvia foi um azar de percurso. Os alemães continuam a ser uma das equipas mais entusiasmantes da prova, com um super-Özil a comandar um onze cheio de automatismos, combinações rápidas e pleno envolvimento dos laterais nas manobras atacantes. Grande jogo em perspectiva contra a Inglaterra (terei a sorte de estar em Berlim nesse dia).
Apurado também um sortudo Gana, que pouco tem mostrado. Venceu uma Sérvia disparatada (aquele penalty...), empatou contra uma Austrália reduzida a dez uma hora, e foi derrotada pela Alemanha. Será (provavelmente) a única equipa africana apurada para a fase seguinte, comprovando o desastre do continente negro nesta prova (apesar dos prognósticos favoráveis - cheguei mesmo a ouvir David Borges a apostar num triunfo africano neste ou no próximo Mundial): 2 vitórias em 16 jogos e um rol de eliminações precoces.
Nota breve para os quatro eliminados do dia. Da Argélia, gostei do lateral-esquerdo Beladjh (o resto é fraquíssimo). Da Eslovénia, gostei do contra-ataque (não justificava mais que um terceiro lugar no grupo). Da Austrália, destaque-se a combatividade (mas também a desorganização defensiva). A Sérvia desiludiu profundamente, nunca mostrando regularidade para estas andanças (apesar de um magnífico Krasic).
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Quarta-feira, Junho 23, 2010
Oitavos-de-final - o caminho aclara-se
Grupo A/B - Passei o dia longe de jogos (só consegui ver um pouco do Coreia do Sul x Nigéria). Aconteceu mais ou menos o que se estava à espera: a Argentina a rodar plantel e a bater e eliminar a Grécia; a Coreia a aguentar a vantagem que detinha sobre os adversários directos; o Uruguai a bater o México e a garantir a fuga ao cruzamento com Messi; e, finalmente, menos esperado, derrota de França com África do Sul (estava convencido que os franceses ainda passavam,apesar de tudo), a que não foi alheia a expulsão, logo aos 25 minutos, de Gourcuff, certamente (já vi bem pior, sem sanção). Como se não houvesse já problemas de sobra. Tudo resultou num Argentina x México e num Uruguai x Coreia do Sul.
Grupo C/D - Hoje é dia de ingleses e alemães mostrarem o que valem. Confiando em vitórias dos Estados Unidos sobre a Argélia e da Sérvia sobre a Austrália, à Eslovénia e ao Gana basta um empate, que deixaria os adversários de fora do Mundial... Vamos ver se Rooney e companhia mostram qualquer coisa que se veja e se os alemães aliam o resultado da primeira ronda àsexibições que conseguiram nos dois primeiros jogos.
master kodro
Grupo C/D - Hoje é dia de ingleses e alemães mostrarem o que valem. Confiando em vitórias dos Estados Unidos sobre a Argélia e da Sérvia sobre a Austrália, à Eslovénia e ao Gana basta um empate, que deixaria os adversários de fora do Mundial... Vamos ver se Rooney e companhia mostram qualquer coisa que se veja e se os alemães aliam o resultado da primeira ronda àsexibições que conseguiram nos dois primeiros jogos.
master kodro
Terça-feira, Junho 22, 2010
O epílogo da Estoril Connection
Alguns anos e muitos insultos depois, apeteceu-me voltar ao site da CMVM para perceber o que se tem passado desde que João Lagos resolveu tomar conta daquela brincadeira que foi, durante uns anos, a Estoril SAD. Começa bem. De 11 de Abril de 2008, uma comunicação de participação qualificada, em que a Lagos Sports dá conta da aquisição (no dia anterior) de mais de 208.000 acções às empresas KCK Developments Limited, Primera Management Limited e Mexes Marketing Limited. Uma comunicação que é seguida desta preciosidade:
"As acções acima identificadas encontram-se empenhadas em bloco a favor do Finibanco por dívida, que a esta data totaliza €119.304,22, contraída junto daquele banco pelo Sr. José Veiga, não tendo qualquer das ora alienantes procedido ao levantamento do penhor após a aquisição das acções ao Sr. José Veiga. No âmbito dos contratos de compra e venda hoje celebrados, transmitiu-se para a adquirente aquela dívida."
Lembra-se que estas empresas eram as-que-em-nada-estavam relacionadas-com-Veiga, director desportivo de uma SAD concorrente. Ao contrário da Sports Investrade. Pois bem, esta mesma comunicação acrescenta que a Lagos Sports celebrou, nesse mesmo dia, um contrato-promessa com essa empresa para a aquisição de mais 160.000 acções. Todas juntas, estas acções davam direito a 73% do capital social da empresa e respectivos direitos de voto, o que equivale a dizer a escolher o presidente do Conselho de Administração, a demiti-lo e a tudo o que essas duas possibilidades envolvem. Recordamos que a KCK, a Primera, a Mexes e a Sports Investrade mantiveram o mesmo administrador na Estoril SAD depois da suposta venda às empresas "inglesas".
Não é preciso dizer mais nada, pois não? É preciso, é.
É preciso falar nas moradas destas empresas e nos directores que assinaram estes comunicados, todos de Abril de 2008. Resumindo:
KCK - 33, Cavendish Square 4.º andar - Chiranjeev Singh Ahluwalia (director)
Mexes - 3, Carlos Place Mayfair - Chiranjeev Singh Ahluwalia (director)
Primera - 33, Cavendish Square 4.º andar - Kohli Koldeepuk (director)
Um busca internética simples por "33, Cavendish Square" mostra-nos um admirável mundo "novo" de escritórios virtuais, moradas de negócio virtuais, incluindo a possibilidade da contratação de staff virtual. Não admira que o enviado de O Jogo em Inglaterra, à data, não tenha encontrado nada sobre estas empresas. Mas deviam melhorar o algoritmo para que o director pudesse acumular funções em empresas com a mesma morada. E assim se vai animando o povo, que insulta o "inimigo", sem fazer a mínima ideia de quem o inimigo é.
master kodro
"As acções acima identificadas encontram-se empenhadas em bloco a favor do Finibanco por dívida, que a esta data totaliza €119.304,22, contraída junto daquele banco pelo Sr. José Veiga, não tendo qualquer das ora alienantes procedido ao levantamento do penhor após a aquisição das acções ao Sr. José Veiga. No âmbito dos contratos de compra e venda hoje celebrados, transmitiu-se para a adquirente aquela dívida."
Lembra-se que estas empresas eram as-que-em-nada-estavam relacionadas-com-Veiga, director desportivo de uma SAD concorrente. Ao contrário da Sports Investrade. Pois bem, esta mesma comunicação acrescenta que a Lagos Sports celebrou, nesse mesmo dia, um contrato-promessa com essa empresa para a aquisição de mais 160.000 acções. Todas juntas, estas acções davam direito a 73% do capital social da empresa e respectivos direitos de voto, o que equivale a dizer a escolher o presidente do Conselho de Administração, a demiti-lo e a tudo o que essas duas possibilidades envolvem. Recordamos que a KCK, a Primera, a Mexes e a Sports Investrade mantiveram o mesmo administrador na Estoril SAD depois da suposta venda às empresas "inglesas".
Não é preciso dizer mais nada, pois não? É preciso, é.
É preciso falar nas moradas destas empresas e nos directores que assinaram estes comunicados, todos de Abril de 2008. Resumindo:
KCK - 33, Cavendish Square 4.º andar - Chiranjeev Singh Ahluwalia (director)
Mexes - 3, Carlos Place Mayfair - Chiranjeev Singh Ahluwalia (director)
Primera - 33, Cavendish Square 4.º andar - Kohli Koldeepuk (director)
Um busca internética simples por "33, Cavendish Square" mostra-nos um admirável mundo "novo" de escritórios virtuais, moradas de negócio virtuais, incluindo a possibilidade da contratação de staff virtual. Não admira que o enviado de O Jogo em Inglaterra, à data, não tenha encontrado nada sobre estas empresas. Mas deviam melhorar o algoritmo para que o director pudesse acumular funções em empresas com a mesma morada. E assim se vai animando o povo, que insulta o "inimigo", sem fazer a mínima ideia de quem o inimigo é.
master kodro
Segunda-feira, Junho 21, 2010
Há homens com sorte
Decidi seguir quase à letra o último comentário e fui beber muito mais vinho e esqueci aquela parte de voltar só para a semana.
Este foi talvez um dos dias mais infelizes da minha vida. Antes de mais deixem-me dizer convictamente que ninguém goleia por 7 a 0 sem muita, mas mesmo muita sorte. Depois, realçar que a chuva que ameaçou de manhã fez prever/adivinhar o pior: a equipa mais tecnicista, a coreana, estava em maus lençóis e os portugueses podiam aproveitar aquela brutidade bruno valiana para fazer estragos no último reduto da democracia mais incompreendida do mundo.
Aguentaram-se na primeira parte, quando o relvado ainda estava praticável, mas na segunda parte, com o terreno de jogo mais próprio para um encontro de rugby, a selecção portuguesa apostou nos metros do Hugo Almeida, nas tatuagens do Raul Meireles e nas fífias ofensivas dos avançados portugueses.
É claro que vou derramar tantas lágrimas no hotel da Cidade do Cabo como a BP despejou nas últimas semanas, mas lembro que a esperança é a última a morrer: este é um recorde que antecede a despedida.
o anti-adepto na vossa cidade preferida do mundo, a fazer o que todos
vós would drool for
Este foi talvez um dos dias mais infelizes da minha vida. Antes de mais deixem-me dizer convictamente que ninguém goleia por 7 a 0 sem muita, mas mesmo muita sorte. Depois, realçar que a chuva que ameaçou de manhã fez prever/adivinhar o pior: a equipa mais tecnicista, a coreana, estava em maus lençóis e os portugueses podiam aproveitar aquela brutidade bruno valiana para fazer estragos no último reduto da democracia mais incompreendida do mundo.
Aguentaram-se na primeira parte, quando o relvado ainda estava praticável, mas na segunda parte, com o terreno de jogo mais próprio para um encontro de rugby, a selecção portuguesa apostou nos metros do Hugo Almeida, nas tatuagens do Raul Meireles e nas fífias ofensivas dos avançados portugueses.
É claro que vou derramar tantas lágrimas no hotel da Cidade do Cabo como a BP despejou nas últimas semanas, mas lembro que a esperança é a última a morrer: este é um recorde que antecede a despedida.
o anti-adepto na vossa cidade preferida do mundo, a fazer o que todos
vós would drool for
Jogaços à portuguesa e à chilena
Portugal 7 x 0 Coreia do Norte Não vale a pena escrever grande coisa sobre o jogo, até porque os sete golos escreveram história por eles mesmos. Quero apenas destacar a exibição de Tiago, cuja inclusão no onze valeu este texto da autoria (partilhada) de José Carlos Freitas, o antigo fiel escudeiro, que inclui excertos como "é claramente um meio-campo mais preso de movimentos" ou a "entrada de Tiago para o meio-campo, que passa a ser formado por dois homens de maior contenção". Já o título deve ter sido feito por alguém que não escreveu o texto. Nada de anormal. História, três pontos de avanço e nove de avanço na diferença de golos. Deve chegar para adiar o "Adeus Mundial" que já fez capa de jornal por mais uns dias.
Chile 1 x 0 Suíça Mais uma excelente exibição dos chilenos, coroada com mais uma vitória apenas por 1x0, que fica muito aquém da superioridade apresentada sobre o adversário e do número de oportunidades criadas. Só lhes falta mesmo isso, alguém que transforme emgolos o enorme caudal ofensivo - Suazo voltou, mas não foi convincente. Talvez seja a única selecção que, até ao momento, apresentou duas exibições de grande valia, mesmo que os adversários não estejam entre os melhores (dos 32 melhores) do mundo. O Chile x Espanha da terceira jornada promete vir a ser um grande espectáculo (e um enorme perigo para os espanhóis). Alguém transmitia a ideia, na caixa de comentários do post anterior, que quer Portugal, quer Brasil, poderiam estar com vontade de perder para não calhar com os espanhóis. Eu digo que também não quero calhar com estes. Venha a Suíça, se não for pedir muito...
master kodro
Chile 1 x 0 Suíça Mais uma excelente exibição dos chilenos, coroada com mais uma vitória apenas por 1x0, que fica muito aquém da superioridade apresentada sobre o adversário e do número de oportunidades criadas. Só lhes falta mesmo isso, alguém que transforme emgolos o enorme caudal ofensivo - Suazo voltou, mas não foi convincente. Talvez seja a única selecção que, até ao momento, apresentou duas exibições de grande valia, mesmo que os adversários não estejam entre os melhores (dos 32 melhores) do mundo. O Chile x Espanha da terceira jornada promete vir a ser um grande espectáculo (e um enorme perigo para os espanhóis). Alguém transmitia a ideia, na caixa de comentários do post anterior, que quer Portugal, quer Brasil, poderiam estar com vontade de perder para não calhar com os espanhóis. Eu digo que também não quero calhar com estes. Venha a Suíça, se não for pedir muito...
master kodro
Tenho uma dúvida
Podemos falar num show do caralho ou, como Queiroz é o seleccionador, tal não é permitido?
master kodro
master kodro
Quase humano
Ontem o anti-adepto tornou-se quase humano. Traduzido para vocês, tristes e patéticos mortais que se vão contentar em ver o jogo nessa pequena caixinha de transmissão de imagens em movimento, significa dizer que a minha veia portuguesa finalmente palpitou. Primeiro pensei que fosse um dos rebentamentos de vento que varre o Cabo da Boa Esperança e que me tivesse sacudido bem forte, mas não. Deitei a prova de vinhos a que estava obrigado nas imediações da cidade do cabo e fui fazer exercícios de aquecimento para o extremo sul-africano, mais coisa menos coisa onde Bartolomeu Dias contornou uns rochedos e não se calou com isso até que os media de então contassem historias de monstros e Bojadores carrancudos.
Junto a mim, um queniano que vive na Cidade do Cabo, que lutou em Angola pela equipa lusitana de então, narrou uma aventura de gente que deu novos mundos ao mundo, de temerosos marinheiros sulcados pela severidade da missão de enfrentar o terror que é sempre a morte e o desconhecido. Perscrutei aquele mar envolto no traiçoeiro nevoeiro que também espantou muitos dos portugueses salgados que habitaram as barcaças que nos deram a dado momento metade do mundo e, lá está, senti um salpico de sangue a bombear este meu coração português. Sim, agora imaginem o meu espanto. O meu frágil dedo mindinho tentou em vão limpar a lágrima pendurada ao canto do olho e eis que dei por mim quase a desejar o empate para Portugal contra os coreanos.
Hoje, depois do jogo visto das bancadas do estádio, prometo mais ternura deste vosso anti-adepto, em exclusivo para o 442.
Junto a mim, um queniano que vive na Cidade do Cabo, que lutou em Angola pela equipa lusitana de então, narrou uma aventura de gente que deu novos mundos ao mundo, de temerosos marinheiros sulcados pela severidade da missão de enfrentar o terror que é sempre a morte e o desconhecido. Perscrutei aquele mar envolto no traiçoeiro nevoeiro que também espantou muitos dos portugueses salgados que habitaram as barcaças que nos deram a dado momento metade do mundo e, lá está, senti um salpico de sangue a bombear este meu coração português. Sim, agora imaginem o meu espanto. O meu frágil dedo mindinho tentou em vão limpar a lágrima pendurada ao canto do olho e eis que dei por mim quase a desejar o empate para Portugal contra os coreanos.
Hoje, depois do jogo visto das bancadas do estádio, prometo mais ternura deste vosso anti-adepto, em exclusivo para o 442.
E amanhã?
Brasil 3 x 1 Costa do Marfim Bem me apetecia falar de alguns excelentes momentos de futebol dos brasileiros, mas perante a gravidade do que se passou em campo, o destaque tem que ir para o árbitro. Um festival de pancadaria dos marfinenses, com o alto patrocínio do francês Stephane Lannoy, acaba com a expulsão de Kaká. Nota também para o segundo golo de Luis Fabiano, com gestos técnicos magníficos, incluindo os dois toques com os braços que o árbitro não conseguiu ver. Não era fácil. Mas parece que os franceses estão mesmo apostados em fazer figura neste Mundial. Triste, mas figura.
Itália 1 x 1 Nova Zelândia Apesar da minha desconfiança sobre o valor desta Itália, se me dessem dinheiro para apostar nesta segunda ronda, iria todo para italianos e espanhóis. E no entanto... Apesar dos resultados miseráveis, o mais normal é que um empate com a Eslováquia chegue para passar, o que, depois do Eslováquia 0 x 2 Paraguai de hoje, parece muito provável. Os paraguaios estiveram sempre por cima e os eslovacos apenas conseguiram enquadrar um remate na baliza.
França E o que dizer mais da selecção de Domenech? Insultos, acusações de traição, greves aos treinos, altercações entre jogadores...
Liga Portuguesa Está animadíssimo este defeso. Acabo de ler que Vukcevic não faz parte dos planos de Paulo Sérgio e que Quim, o guarda-redes que para muitos devia estar na selecção, foi dispensado por Jorge Jesus (essa parte já se sabia, ok) e assinou pelo Braga. Maniche volta para jogar no Sporting, que caça Evaldo e Viana (são tantos que nem me lembro se já está...) em Braga e ainda quer Alan. O Braga até o director desportivo perde para o Panathinaikos e contrata Fernando Couto para o lugar. Em Guimarães, entram os goleadores William e Edgar Silva, talvez Pereirinha, e sai Nuno Assis, graças a um projecto desportivo interessantíssimo no Al-Ittihad. Ah! E enquanto Toldo não se decide, o Sporting quer Nilson e pode despachar Patrício. O Stojkovic é que não, porque um gajo que é irmão do Vladan não pode ser boa pessoa.
Futsal Depois de tudo o que se passou, nem interessa quem ganha. Árbitros e jogadores atingidos pelo público, cargas policiais e um extraordinário testemunho de um treinador, que se queixa de uma decisão de expulsão de um jogador:
"Chamou um nome qualquer a um jogador do Sporting, o árbitro ouviu e expulsou o Ricardinho. O Cardinal ameaçou o Arnaldo e os sogros de morte, o árbitro ouviu tudo e não fez nada. O Ricardinho perguntou-lhe se ele tinha ouvido, ele disse que não e o Ricardinho chamou-lhe mentiroso"
E amanhã?
master kodro
Itália 1 x 1 Nova Zelândia Apesar da minha desconfiança sobre o valor desta Itália, se me dessem dinheiro para apostar nesta segunda ronda, iria todo para italianos e espanhóis. E no entanto... Apesar dos resultados miseráveis, o mais normal é que um empate com a Eslováquia chegue para passar, o que, depois do Eslováquia 0 x 2 Paraguai de hoje, parece muito provável. Os paraguaios estiveram sempre por cima e os eslovacos apenas conseguiram enquadrar um remate na baliza.
França E o que dizer mais da selecção de Domenech? Insultos, acusações de traição, greves aos treinos, altercações entre jogadores...
Liga Portuguesa Está animadíssimo este defeso. Acabo de ler que Vukcevic não faz parte dos planos de Paulo Sérgio e que Quim, o guarda-redes que para muitos devia estar na selecção, foi dispensado por Jorge Jesus (essa parte já se sabia, ok) e assinou pelo Braga. Maniche volta para jogar no Sporting, que caça Evaldo e Viana (são tantos que nem me lembro se já está...) em Braga e ainda quer Alan. O Braga até o director desportivo perde para o Panathinaikos e contrata Fernando Couto para o lugar. Em Guimarães, entram os goleadores William e Edgar Silva, talvez Pereirinha, e sai Nuno Assis, graças a um projecto desportivo interessantíssimo no Al-Ittihad. Ah! E enquanto Toldo não se decide, o Sporting quer Nilson e pode despachar Patrício. O Stojkovic é que não, porque um gajo que é irmão do Vladan não pode ser boa pessoa.
Futsal Depois de tudo o que se passou, nem interessa quem ganha. Árbitros e jogadores atingidos pelo público, cargas policiais e um extraordinário testemunho de um treinador, que se queixa de uma decisão de expulsão de um jogador:
"Chamou um nome qualquer a um jogador do Sporting, o árbitro ouviu e expulsou o Ricardinho. O Cardinal ameaçou o Arnaldo e os sogros de morte, o árbitro ouviu tudo e não fez nada. O Ricardinho perguntou-lhe se ele tinha ouvido, ele disse que não e o Ricardinho chamou-lhe mentiroso"
E amanhã?
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Domingo, Junho 20, 2010
Em estágio
Três sul-africanos com quem falei adoram a selecção portuguesa e dizem
que está cada vez melhor. Como estava no meu terceiro Merlot estas
ideias peregrinas não me incomodaram e fui tão indulgente com os
comentários como com a gorjeta. Falámos dos velhos e saudosos tempos
do colonialismo e mantivemos o apartheid funcional que nunca acarreta
conflitos: eu tinha rands, eu era o cliente e, portanto, tinha sempre
razão. A saber: Madaíl é um boer que tem de ser despojado do seu
sistema feudal, Carlos Queiroz é um Bicko de obra para o futebol
português. Mandela essa última bebida e esqueça a hora de fecho, ia
regorgitando, após treze horas de viagem que me forçaram a conhecer,
durante duas horas inteirinhas, depois de uma escala técnica, o Gabão
profundo. Os sul-africanos com quem falei foram acenando de mansinho,
na esperança que eu abandonasse a mesa ou o balcão. Eu, do outro lado,
como português desesperançado com o nosso Portugal, azedo com a nossa
selecção e miserabilista perante esta espécie de futebol que mesmo
assim nos faz voar entre continentes, arrastei-me dali para fora antes
que chegasse um daqueles fotógrafos desportivos ou cameramans manhosos
da TVI que só atraem desgraças e, triste com o empate do Gana, vou ao
bar do hotel onde ainda me desconhecem. Acredito que o meu espírito
missionário expurgue destas cabeças sul-africanas a peregrina ideia de
que os portugueses ainda conseguem encontrar na Cidade do Cabo algo
simbólico que devolva a esperança neste Mundial.
Amanhã vou fazer provas de vinho o dia inteiro. Fica algures o vinhedo
e só sei que tenho de me levantar a hora madrugadora que a primeira
videira desperta ainda húmida do orvalho. Peço desculpa aos meus
patrocinadores, mas será certamente melhor que assistir a treinos e
trazer informação inútil desportiva.
da Cidade do Cabo, o anti-adepto, em exclusivo para o 442.
que está cada vez melhor. Como estava no meu terceiro Merlot estas
ideias peregrinas não me incomodaram e fui tão indulgente com os
comentários como com a gorjeta. Falámos dos velhos e saudosos tempos
do colonialismo e mantivemos o apartheid funcional que nunca acarreta
conflitos: eu tinha rands, eu era o cliente e, portanto, tinha sempre
razão. A saber: Madaíl é um boer que tem de ser despojado do seu
sistema feudal, Carlos Queiroz é um Bicko de obra para o futebol
português. Mandela essa última bebida e esqueça a hora de fecho, ia
regorgitando, após treze horas de viagem que me forçaram a conhecer,
durante duas horas inteirinhas, depois de uma escala técnica, o Gabão
profundo. Os sul-africanos com quem falei foram acenando de mansinho,
na esperança que eu abandonasse a mesa ou o balcão. Eu, do outro lado,
como português desesperançado com o nosso Portugal, azedo com a nossa
selecção e miserabilista perante esta espécie de futebol que mesmo
assim nos faz voar entre continentes, arrastei-me dali para fora antes
que chegasse um daqueles fotógrafos desportivos ou cameramans manhosos
da TVI que só atraem desgraças e, triste com o empate do Gana, vou ao
bar do hotel onde ainda me desconhecem. Acredito que o meu espírito
missionário expurgue destas cabeças sul-africanas a peregrina ideia de
que os portugueses ainda conseguem encontrar na Cidade do Cabo algo
simbólico que devolva a esperança neste Mundial.
Amanhã vou fazer provas de vinho o dia inteiro. Fica algures o vinhedo
e só sei que tenho de me levantar a hora madrugadora que a primeira
videira desperta ainda húmida do orvalho. Peço desculpa aos meus
patrocinadores, mas será certamente melhor que assistir a treinos e
trazer informação inútil desportiva.
da Cidade do Cabo, o anti-adepto, em exclusivo para o 442.
Sábado, Junho 19, 2010
Holanda 1 x 0 Japão
A Holanda vence o Japão e apesar de raramente ter criado oportunidades de golo é preciso reconhecer que arrecada os três pontos com toda a naturalidade. Não há sinais de laranja mecânica nem de futebol total: escassamente testada por Dinamarca e Japão, a Holanda escolheu o pragmatismo e está com pé e meio nos oitavos-de-final.
No entanto, se falta brilho não falta qualidade e muito menos profundidade nas opções. Deve encarar-se esta Holanda como séria candidata a ir longe na prova. Veja-se os nomes disponíveis para o meio-campo ofensivo e ataque: Van der Vaart, Sneijder, Kuyt e Van Persie, com Robben, Huntelaar e Babel no banco, além dos menos notáveis Afellay e Elia, que já provaram na África do Sul serem excelentes jogadores.
A Holanda organiza-se em dois blocos claros. A linha defensiva de quatro é complementada no meio-campo por um fortíssimo Van Bommel e um eficiente De Jong, cabendo aos restantes quatro as despesas de assalto às redes contrárias. Hoje estiveram discretos, excepto Sneijder, o autor do golo, que além do talento evidencia uma entrega ao jogo verdadeiramente extraordinária. Tal como Kuyt, de resto. Pode a defesa sustentar a potência no ataque? Provavelmente só se saberá nas eliminatórias.
Há duas conclusões a retirar deste Mundial, para já. A primeira: o presente do futebol não está em África. O futuro logo se vê, mas tenho dúvidas. Das cinco selecções, só a Costa do Marfim se encontra num nível superior. A segunda: as selecções menos cotadas revelam uma evolução extraordinária, bons valores individuais e uma atitude positiva, sem complexos, que muito tem enriquecido a competição. O Japão é um desses casos. Gostei especialmente do central Túlio Tanaka, que parece ter consistência para uma liga europeia.
kovacevic
No entanto, se falta brilho não falta qualidade e muito menos profundidade nas opções. Deve encarar-se esta Holanda como séria candidata a ir longe na prova. Veja-se os nomes disponíveis para o meio-campo ofensivo e ataque: Van der Vaart, Sneijder, Kuyt e Van Persie, com Robben, Huntelaar e Babel no banco, além dos menos notáveis Afellay e Elia, que já provaram na África do Sul serem excelentes jogadores.
A Holanda organiza-se em dois blocos claros. A linha defensiva de quatro é complementada no meio-campo por um fortíssimo Van Bommel e um eficiente De Jong, cabendo aos restantes quatro as despesas de assalto às redes contrárias. Hoje estiveram discretos, excepto Sneijder, o autor do golo, que além do talento evidencia uma entrega ao jogo verdadeiramente extraordinária. Tal como Kuyt, de resto. Pode a defesa sustentar a potência no ataque? Provavelmente só se saberá nas eliminatórias.
Há duas conclusões a retirar deste Mundial, para já. A primeira: o presente do futebol não está em África. O futuro logo se vê, mas tenho dúvidas. Das cinco selecções, só a Costa do Marfim se encontra num nível superior. A segunda: as selecções menos cotadas revelam uma evolução extraordinária, bons valores individuais e uma atitude positiva, sem complexos, que muito tem enriquecido a competição. O Japão é um desses casos. Gostei especialmente do central Túlio Tanaka, que parece ter consistência para uma liga europeia.
kovacevic
Da Sérvia à Inglaterra
1. Os outros também jogam à bola. Analistas, comentadores e treinadores ressentidos (sim, estou a falar de Manuel José) descobriram nos últimos dias que afinal equipas fortes podem empatar (ou até perder, imagine-se) com formações menos cotadas, apesar de não serem treinadas por Carlos Queiroz. Aconteceu assim com a Alemanha, uma das melhores na primeira jornada, mas ontem manietada por uma Sérvia coesa e atrevida q.b., com um irrequieto Jovanovic e um desequilibrador Krasic. Registe-se porém que a arbitragem miserável, os falhanços de Podolski e as defesas de Stojkovic (donde conheço este nome?) ajudaram à festa...
2. Ao fim do dia, outra surpresa (e Queiroz novamente ausente deste filme), depois de prestação degradante da Inglaterra. É verdade que os argelinos foram compactos e muito solidários, que têm um magnífico lateral-esquerdo (Beladjh) e beneficiaram de uma óptima actuação de Yebda (até irritou ver quanto jogo cortou), mas deu pena assistir à total incapacidade dos ingleses em responder a estes desafios. Não há quem planeie manobras ofensivas, não há cruzamentos de qualidade, não há tabelas, não há desequilíbrios colectivos, não há génio individual. E, acima de tudo, não há alma. Quo vadis, Inglaterra?
3. Pelo meio, partida vibrante entre EUA e Eslovénia, com resultado justo. Primeira parte muito boa dos europeus, com um excelente Birsa e um notável aproveitamento do muito espaço concedido pela retaguarda americana. O segundo tempo trouxe uns EUA mais equilibrados no meio-campo e decididos a inverter o resultado - o que foi possível sobretudo pelos méritos de Donovan (ainda um grande jogador) e de Altidore (a forma como domina a bola e arrasta os defesas pode fazer deste avançado um caso sério). Continuo a achar que os americanos vão passar, mas os eslovenos estão claramente na corrida.
katanec
2. Ao fim do dia, outra surpresa (e Queiroz novamente ausente deste filme), depois de prestação degradante da Inglaterra. É verdade que os argelinos foram compactos e muito solidários, que têm um magnífico lateral-esquerdo (Beladjh) e beneficiaram de uma óptima actuação de Yebda (até irritou ver quanto jogo cortou), mas deu pena assistir à total incapacidade dos ingleses em responder a estes desafios. Não há quem planeie manobras ofensivas, não há cruzamentos de qualidade, não há tabelas, não há desequilíbrios colectivos, não há génio individual. E, acima de tudo, não há alma. Quo vadis, Inglaterra?
3. Pelo meio, partida vibrante entre EUA e Eslovénia, com resultado justo. Primeira parte muito boa dos europeus, com um excelente Birsa e um notável aproveitamento do muito espaço concedido pela retaguarda americana. O segundo tempo trouxe uns EUA mais equilibrados no meio-campo e decididos a inverter o resultado - o que foi possível sobretudo pelos méritos de Donovan (ainda um grande jogador) e de Altidore (a forma como domina a bola e arrasta os defesas pode fazer deste avançado um caso sério). Continuo a achar que os americanos vão passar, mas os eslovenos estão claramente na corrida.
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Soem as vuvuzelas: o 442 está na África do Sul
Como muitos dos comentários criticaram o óbvio, ou seja, que muito do
que escrevia sobre a selecção portuguesa não tinha piada ou que se
tratava de um mero exercício, resolvi aceitar uma viagenzinha à Cidade
do Cabo sem despender um tostão, com alojamento em hotel a condizer
com a fortuna que não tenho e o respectivo bilhete para ver esses
rapazes que vocês idolatram e que vão jogar contra os atletas da
Coreia do Norte que ainda não desapareceram. Ir mesmo ao terreno terá
de facto mais piada que escrever da bancada, evitando conspurcar ainda
mais espaço naquele que é a New Yorker dos sites de futebol
portugueses. Se encontrar por lá algum dos nosso irmãos brasileiros,
terei o cuidado de lhe perguntar se há alguma razão (que não a
xenófoba) para me chamarem de brasuca só porque não torço por
Portugal. Ah, e desejar-lhes sorte também para o jogo com os
lusitanos.
o anti-adepto a caminho da África do Sul
que escrevia sobre a selecção portuguesa não tinha piada ou que se
tratava de um mero exercício, resolvi aceitar uma viagenzinha à Cidade
do Cabo sem despender um tostão, com alojamento em hotel a condizer
com a fortuna que não tenho e o respectivo bilhete para ver esses
rapazes que vocês idolatram e que vão jogar contra os atletas da
Coreia do Norte que ainda não desapareceram. Ir mesmo ao terreno terá
de facto mais piada que escrever da bancada, evitando conspurcar ainda
mais espaço naquele que é a New Yorker dos sites de futebol
portugueses. Se encontrar por lá algum dos nosso irmãos brasileiros,
terei o cuidado de lhe perguntar se há alguma razão (que não a
xenófoba) para me chamarem de brasuca só porque não torço por
Portugal. Ah, e desejar-lhes sorte também para o jogo com os
lusitanos.
o anti-adepto a caminho da África do Sul
Sexta-feira, Junho 18, 2010
Mais Mundial
Alemanha Com dois calões como parceiros, o katanec não pode escrever sobre todos os jogos como é óbvio. Se bem me lembro, escapou o jogo em que os alemães produziram a melhor exibição do Mundial até ao momento, alicerçada em exibições fantásticas de Lahm, Muller e Podolski, um lateral e dois extremos, no desenho de Low. Nestes tempos perigosos em que há quem defenda que só há um caminho para o bom futebol e para o sucesso (baseado em posse de bola infinita e passes e decisões certos), é sempre bom verificar que a diversidade existe e está bem viva. Com "apenas" 55% de posse de bola, vimos um espectacular Muller, que foi extremo, acertou 3 dos 10 cruzamentos que fez, falhou 23 dos 59 passes que tentou ou um fantástico Podolski que só acertou 23 dos 42 passes a que se propôs. E porquê? Porque isto é gente que ataca com os olhos postos na baliza, a jogar para a frente. É outra forma, mais uma, de abordar o jogo - são muitas e são muitas as que resultam. Vamos ver como funciona hoje perante uma desesperada Sérvia.
Chile A outro nível, mas com uma exibição muito agradável, os chilenos também fizeram uma boa partida não narrada no 442. Toda a equipa empenhada em tarefas defensivas e ofensivas e algumas exibições muito interessantes como a de Isla ou a de um gajo que eu nunca tinha visto, nem nunca ouvi falar chamado Matias. Só tenho dúvidas que tenha valorizado tanto como Fábio Coentrão.
A loucura Há poucas semanas li uma entrevista de um jornalista de Record a Nuno Gomes. A certa altura o senhor atira qualquer coisa (não me lembro das palavras concretas) como 'Não acha que Carlos Queiroz devia fazer o mesmo que Scolari fez em 2004, baseando a convocatória no Porto de Mourinho?'. O jornalista estava diante do 5.º avançado (1.º português) mais utilizado do campeão nacional (com mais 20 minutos do que Keirrison), uma equipa cujo onze titular tinha dois portugueses (mais dois utilizados com frequência, um como suplente de dois adversários do Mundial, outro de um jogador que também joga a gasóleo). Comparava-se, de alguma forma, nove portugueses titulares (quatro ainda lá andam na selecção) na equipa que ganhou a Champions League, com dois que chegaram aos quartos-de-final da Liga Europa. Fosse Mourinho do género de reclamar paternidades...
NBA Chegou ao fim esta madrugada, com a vitória dos Lakers na negra. Faz-me confusão que o MVP da final, Kobe Bryant, faça 6 em 24 de lançamentos de campo no jogo decisivo, mas quem, à equipa que já tinha, junta Ron Artest pode tudo. Nunca mais chega Outubro?
master kodro
Chile A outro nível, mas com uma exibição muito agradável, os chilenos também fizeram uma boa partida não narrada no 442. Toda a equipa empenhada em tarefas defensivas e ofensivas e algumas exibições muito interessantes como a de Isla ou a de um gajo que eu nunca tinha visto, nem nunca ouvi falar chamado Matias. Só tenho dúvidas que tenha valorizado tanto como Fábio Coentrão.
A loucura Há poucas semanas li uma entrevista de um jornalista de Record a Nuno Gomes. A certa altura o senhor atira qualquer coisa (não me lembro das palavras concretas) como 'Não acha que Carlos Queiroz devia fazer o mesmo que Scolari fez em 2004, baseando a convocatória no Porto de Mourinho?'. O jornalista estava diante do 5.º avançado (1.º português) mais utilizado do campeão nacional (com mais 20 minutos do que Keirrison), uma equipa cujo onze titular tinha dois portugueses (mais dois utilizados com frequência, um como suplente de dois adversários do Mundial, outro de um jogador que também joga a gasóleo). Comparava-se, de alguma forma, nove portugueses titulares (quatro ainda lá andam na selecção) na equipa que ganhou a Champions League, com dois que chegaram aos quartos-de-final da Liga Europa. Fosse Mourinho do género de reclamar paternidades...
NBA Chegou ao fim esta madrugada, com a vitória dos Lakers na negra. Faz-me confusão que o MVP da final, Kobe Bryant, faça 6 em 24 de lançamentos de campo no jogo decisivo, mas quem, à equipa que já tinha, junta Ron Artest pode tudo. Nunca mais chega Outubro?
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Grupo da Morte
Quatro jogadores da Coreia do Norte desaparecidos desde terça feira: "Quatro futebolistas da Coreia do Norte estão desaparecidos desde terça feira, dia do jogo entre o seu país e o Brasil, no Mundial 2010 da África do Sul, e a equipa vai fazer hoje uma conferência de imprensa para esclarecer a situação" (Expresso)
Corea del Nord, Lo strano silenzio sui quatrro assenti: "Qui adesso nessuno vuole pensare male, ma trattandosi di un paese guidato da un dittatore come Kim Jong Il, che non ha troppa pazienza con la dissidenza, è lecito porsi delle domande. Basti pensare che la Corea del Nord ha rifiutato persino il pullman ufficiale della Fifa per non essere riconoscibile in strada" (La Stampa)
kovacevic
Corea del Nord, Lo strano silenzio sui quatrro assenti: "Qui adesso nessuno vuole pensare male, ma trattandosi di un paese guidato da un dittatore come Kim Jong Il, che non ha troppa pazienza con la dissidenza, è lecito porsi delle domande. Basti pensare che la Corea del Nord ha rifiutato persino il pullman ufficiale della Fifa per non essere riconoscibile in strada" (La Stampa)
kovacevic
Da Argentina à França
1. É difícil acompanhar tantos jogos, mas quem corre por gosto não cansa. E hoje (ontem) foram só seis horitas de bola... Primeiro, um interessante Argentina-Coreia do Sul, com os de Maradona a confirmarem a (boa) impressão deixada anteriormente: equipa poderosíssima no último terço do campo, com desequilíbrios permanentes e grande capacidade de definição dos lances. Todavia - e para minha surpresa - a Argentina não parece ser só um agregado de magníficos jogadores: vêem-se no meio-campo movimentações bem trabalhadas, acentuado entrosamento e até alguns automatismos nas transições defensivas. Muita atenção, meus senhores...
2. Na outra partida do grupo, jogo de paixão entre Nigéria e Grécia, com entrada fulminante dos africanos, seguida de disparate-mor de Kaita (inenarrável uma agressão daquelas num momento destes...) e de reacção vibrante dos gregos. Apesar da emoção (e de uma merecida e sempre curiosa reviravolta), houve demasiada desorganização táctica e descontrolo mental para o meu gosto. Lá está: eis um daqueles jogos que facilmente os comentadores designam de "espectacular", mas que foi bem menos interessante como duelo futebolístico do que por exemplo o Inglaterra-EUA (que os mesmos comentadores descrevem como "decepcionante").
3. À noite, a sobremesa. E das boas: apreciar a derrocada de Domenech entusiasma qualquer um. O treinador francês acumula disparates (retirou o único verdadeiro criativo do onze, Gourcuff; deixa Henry e Cissé no banco, Benzema em casa, etc.,) e nunca elaborou um plano de jogo. Até os intermitentes mexicanos pareciam uma máquina de jogar futebol... Destaque para Giovani dos Santos (algum clube europeu que contrate o psicólogo mexicano que trata o miúdo!), a experiência de Márquez e a frieza de Hérnandez na hora da verdade. A França precisa de um milagre (ganhar 4-0 e esperar a derrota mexicana). Adieu, bleus!
katanec
2. Na outra partida do grupo, jogo de paixão entre Nigéria e Grécia, com entrada fulminante dos africanos, seguida de disparate-mor de Kaita (inenarrável uma agressão daquelas num momento destes...) e de reacção vibrante dos gregos. Apesar da emoção (e de uma merecida e sempre curiosa reviravolta), houve demasiada desorganização táctica e descontrolo mental para o meu gosto. Lá está: eis um daqueles jogos que facilmente os comentadores designam de "espectacular", mas que foi bem menos interessante como duelo futebolístico do que por exemplo o Inglaterra-EUA (que os mesmos comentadores descrevem como "decepcionante").
3. À noite, a sobremesa. E das boas: apreciar a derrocada de Domenech entusiasma qualquer um. O treinador francês acumula disparates (retirou o único verdadeiro criativo do onze, Gourcuff; deixa Henry e Cissé no banco, Benzema em casa, etc.,) e nunca elaborou um plano de jogo. Até os intermitentes mexicanos pareciam uma máquina de jogar futebol... Destaque para Giovani dos Santos (algum clube europeu que contrate o psicólogo mexicano que trata o miúdo!), a experiência de Márquez e a frieza de Hérnandez na hora da verdade. A França precisa de um milagre (ganhar 4-0 e esperar a derrota mexicana). Adieu, bleus!
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Quinta-feira, Junho 17, 2010
Notas sobre o Mundial (4)
Pior que as vuvuzelas, só a falta de qualidade dos comentadores televisivos. Numa actividade que envolve milhares de pessoas, não se compreende a selecção de tão incapazes indivíduos. Em textos anteriores já dei conta de algumas pérolas, mas hoje voltaram a repetir-se os disparates. No Argentina-Coreia do Sul, o narrador da SIC manifestou três vezes (!) o seu desejo de que o primeiro golo argentino fosse atribuído a Gutierrez, não obstante as imagens mostrarem que este não toca na bola e que é o jogador coreano a desviar por completo a trajectória da mesma. Nem as sucessivas repetições convenceram o homem...
Por outro lado, ainda há pouco, na Sport TV, o comentador de serviço teceu longas considerações sobre a "eliminação da Nigéria" (sic), num jogo onde, e cito, "uma das equipas sairia eliminada". Disparate. E desconhecimento, que é o mais ridículo, tratando-se de profissionais pagos. Ficando a Coreia do Sul com 3 pontos, a Nigéria poderá qualificar-se vencendo os coreanos pela margem mínima, desde que a Grécia perca com a Argentina. E só haveria um eliminado neste jogo se a Nigéria o tivesse ganho. É assim tão difícil fazer estes cálculos? É - quando não se prepara minimamente uma intervenção televisiva.
katanec
Por outro lado, ainda há pouco, na Sport TV, o comentador de serviço teceu longas considerações sobre a "eliminação da Nigéria" (sic), num jogo onde, e cito, "uma das equipas sairia eliminada". Disparate. E desconhecimento, que é o mais ridículo, tratando-se de profissionais pagos. Ficando a Coreia do Sul com 3 pontos, a Nigéria poderá qualificar-se vencendo os coreanos pela margem mínima, desde que a Grécia perca com a Argentina. E só haveria um eliminado neste jogo se a Nigéria o tivesse ganho. É assim tão difícil fazer estes cálculos? É - quando não se prepara minimamente uma intervenção televisiva.
katanec
Quarta-feira, Junho 16, 2010
Espanha 0 x Suíça 1
No fecho da jornada, a primeira grande surpresa. E com todo o mérito da Suíça, que só recorreu ao "autocarro" nos últimos minutos, explorou sabiamente o contra-ataque, cortou linhas de passe e soube manter "la roja" a razoável distância da sua grande área. Claro que não foi uma prestação avassaladora dos suíços, mas boa parte do sucesso do desporto depende disto: disfarçar os limites, potenciar as qualidades. E neste campo, os helvéticos merecem todos os encómios. Nota particular para um seguro Benaglio, uma exibição categórica dos centrais, um monumental Inler no miolo e um exuberante Derdyiok no ataque.
Do lado espanhol - além da proverbial arrogância - faltou sobretudo qualidade na finalização. A equipa jogou rápido, explorou bem as alas e nem aprimorou excessivamente os movimentos atacantes, mas no último terço ora foi manietada pelos suíços, ora punida por falhanços próprios (a tarde desinspirada de Villa e Torres não ajudou). Em todo o caso, continuo a encontrar na selecção espanhol valor de sobra para vencer o Mundial.
Nota adicional: dos oito favoritos, três empataram (com selecções da América do Norte e do Sul) e um perdeu. Brasil e Argentina triunfaram pela margem mínima. Seria interessante atender a estes números quando se tecem apreciações internas e se descrevem cenários apocalípticos depois de empates contra adversários directos. Não sei se já repararam, mas os outros também jogam à bola.
katanec
Do lado espanhol - além da proverbial arrogância - faltou sobretudo qualidade na finalização. A equipa jogou rápido, explorou bem as alas e nem aprimorou excessivamente os movimentos atacantes, mas no último terço ora foi manietada pelos suíços, ora punida por falhanços próprios (a tarde desinspirada de Villa e Torres não ajudou). Em todo o caso, continuo a encontrar na selecção espanhol valor de sobra para vencer o Mundial.
Nota adicional: dos oito favoritos, três empataram (com selecções da América do Norte e do Sul) e um perdeu. Brasil e Argentina triunfaram pela margem mínima. Seria interessante atender a estes números quando se tecem apreciações internas e se descrevem cenários apocalípticos depois de empates contra adversários directos. Não sei se já repararam, mas os outros também jogam à bola.
katanec
Brasil 2 x Coreia do Norte 1
Breve nota para dar conta de um triunfo suado, mas por todos esperado. Prestação fraca da "canarinha", obtida em ritmo lento e jogo paciente (só Robinho e Maicon actuaram noutra velocidade). Porém, desvalorizar os brasileiros - numa partida onde foram pouco testados - seria um erro crasso. Do outro lado, equipa voluntariosa e razoavelmente organizada, a surpreender pela positiva. Um interessante avançado (Jong Tae-se) e uma exibição melhor do que a esperada.
Não posso deixar de registar as patéticas observações do comentador de serviço (da RTP). Desde tratar Michel Bastos por Michel Barros e confundir Brasil com Benfica, valeu tudo. Até criticar a prestação da Coreia do Norte, que "só veio jogar à defesa" e a quem teria "faltado agressividade". Isto de uma selecção praticamente desconhecida, com jogadores sem experiência, quase amadores, que acabara de perder 2-1 com um dos principais favoritos ao título mundial.
katanec
Não posso deixar de registar as patéticas observações do comentador de serviço (da RTP). Desde tratar Michel Bastos por Michel Barros e confundir Brasil com Benfica, valeu tudo. Até criticar a prestação da Coreia do Norte, que "só veio jogar à defesa" e a quem teria "faltado agressividade". Isto de uma selecção praticamente desconhecida, com jogadores sem experiência, quase amadores, que acabara de perder 2-1 com um dos principais favoritos ao título mundial.
katanec
A inteligência de Portugal e o QI de Queiroz
Depois de ter sido vilmente censurado por um indivíduo que se auto-denomina por kovacevic - e daí o silêncio que durou mais de uma semana - regresso, enquanto anti-adepto para dizer, com inusitado prazer, que a selecção portuguesa, para a qualidade, capacidade, liderança, organização e potencial que possui, fez - como se diz popularmente - “uma ganda joga”.
O que traduzido por miúdos significa dizer que se transcendeu na primeira parte e aguentou-se estóica e soberbamente na segunda, acabando por evitar a esperada (por mim) derrota com a Costa do Marfim.
Queiroz voltou a mandar o fair-play às malvas e fiquei com a ideia que, entre o afónico e o embargo de voz, hesitava em ir chorar no ombro do Nani ou do Drogba, depois de saber o que é que Deco disse às rádios e às televisões. Deco, tem sido criticado, mas injustamente. É preciso perceber que o médio jogou (mal) como português e comentou (bem) enquanto brasileiro.
Os coreanos (os das bombas nucleares e dos saltos altos) meteram-se em bico-de-pés com o Brasil e vão pisar os calos aos portugueses, antes do meiinho que vos espera com o Brasil.
Mas há pelo menos uma boa notícia para Portugal. Já não vai defrontar a Espanha. Comentário temeroso? Duas razões confluem para a certeza: Espanha dificilmente fica em primeiro do seu grupo. Ah: e Portugal nessa altura já aterrou em Lisboa e Porto, não haja qualquer vulcão activo.
o anti-adepto
O que traduzido por miúdos significa dizer que se transcendeu na primeira parte e aguentou-se estóica e soberbamente na segunda, acabando por evitar a esperada (por mim) derrota com a Costa do Marfim.
Queiroz voltou a mandar o fair-play às malvas e fiquei com a ideia que, entre o afónico e o embargo de voz, hesitava em ir chorar no ombro do Nani ou do Drogba, depois de saber o que é que Deco disse às rádios e às televisões. Deco, tem sido criticado, mas injustamente. É preciso perceber que o médio jogou (mal) como português e comentou (bem) enquanto brasileiro.
Os coreanos (os das bombas nucleares e dos saltos altos) meteram-se em bico-de-pés com o Brasil e vão pisar os calos aos portugueses, antes do meiinho que vos espera com o Brasil.
Mas há pelo menos uma boa notícia para Portugal. Já não vai defrontar a Espanha. Comentário temeroso? Duas razões confluem para a certeza: Espanha dificilmente fica em primeiro do seu grupo. Ah: e Portugal nessa altura já aterrou em Lisboa e Porto, não haja qualquer vulcão activo.
o anti-adepto
Terça-feira, Junho 15, 2010
Portugal 0 x 0 Costa do Marfim
Resultado: não aquece nem arrefece
Colectivo: exibição globalmente fraquinha
Queiroz: a estratégia deu frutos na hora de conter o adversário directo no grupo - 18º jogo sem golos sofridos em 23 com este treinador - e falhou rotundamente no ataque, onde Portugal raramente criou perigo. Queiroz não quis correr muitos riscos para contornar o colete de forças organizado por Erikson, o que se percebe, tratando-se da primeira jornada. O novato Coentrão deu retorno, mas a aposta em Danny revelou-se um erro de casting. A troca com Simão era inevitável. As outras substituições - um apagado Deco por Tiago e um esgotado Meireles por Amorim - aceitam-se, embora não seja fácil perceber como é que Pepe e Veloso são preteridos por alguém que está há meia dúzia de dias com a selecção.
Eduardo: surpreendentemente seguro.
Paulo Ferreira: para ele o campo só tem 50 metros de comprimento, mas fechou o flanco.
Ricardo Carvalho: eficaz.
Bruno Alves: discreto e eficiente.
Coentrão: perfeito a defender, raramente atacou.
Pedro Mendes: limitou-se a jogar curto.
Meireles: o melhor. Destruiu com acerto, construiu sempre que pôde, rematou com perigo. Quando aparece a pegar no jogo, como ontem, é normalmente sinal de incapacidade do colectivo.
Deco: cansado e insuficiente. Uma jogada na segunda parte, quando surgiu na área a cruzar para Liedson. De resto, nada de magia.
Danny: um desastre.
Cristiano Ronaldo: não explodiu. Os primeiros minutos fizeram acreditar que estava em campo o melhor CR7 de sempre na selecção. Inexplicavelmente, o remate ao poste na melhor jogada individual do desafio marcou o fim de um arranque em força. Desaparecido na segunda parte.
Liedson: muito mal. Falhou a única oportunidade para marcar, a passe de Deco, mas principalmente esteve sempre fora da manobra da equipa, parecendo muitas vezes que Portugal jogava com menos um.
Simão: perdeu menos bolas do que Danny.
Tiago: pergunto-me como é que continua a ser chamado.
Amorim: cinco minutos deram para um remate por alto.
kovacevic
Colectivo: exibição globalmente fraquinha
Queiroz: a estratégia deu frutos na hora de conter o adversário directo no grupo - 18º jogo sem golos sofridos em 23 com este treinador - e falhou rotundamente no ataque, onde Portugal raramente criou perigo. Queiroz não quis correr muitos riscos para contornar o colete de forças organizado por Erikson, o que se percebe, tratando-se da primeira jornada. O novato Coentrão deu retorno, mas a aposta em Danny revelou-se um erro de casting. A troca com Simão era inevitável. As outras substituições - um apagado Deco por Tiago e um esgotado Meireles por Amorim - aceitam-se, embora não seja fácil perceber como é que Pepe e Veloso são preteridos por alguém que está há meia dúzia de dias com a selecção.
Eduardo: surpreendentemente seguro.
Paulo Ferreira: para ele o campo só tem 50 metros de comprimento, mas fechou o flanco.
Ricardo Carvalho: eficaz.
Bruno Alves: discreto e eficiente.
Coentrão: perfeito a defender, raramente atacou.
Pedro Mendes: limitou-se a jogar curto.
Meireles: o melhor. Destruiu com acerto, construiu sempre que pôde, rematou com perigo. Quando aparece a pegar no jogo, como ontem, é normalmente sinal de incapacidade do colectivo.
Deco: cansado e insuficiente. Uma jogada na segunda parte, quando surgiu na área a cruzar para Liedson. De resto, nada de magia.
Danny: um desastre.
Cristiano Ronaldo: não explodiu. Os primeiros minutos fizeram acreditar que estava em campo o melhor CR7 de sempre na selecção. Inexplicavelmente, o remate ao poste na melhor jogada individual do desafio marcou o fim de um arranque em força. Desaparecido na segunda parte.
Liedson: muito mal. Falhou a única oportunidade para marcar, a passe de Deco, mas principalmente esteve sempre fora da manobra da equipa, parecendo muitas vezes que Portugal jogava com menos um.
Simão: perdeu menos bolas do que Danny.
Tiago: pergunto-me como é que continua a ser chamado.
Amorim: cinco minutos deram para um remate por alto.
kovacevic
Estreia
Médio menos, com tendência para mau. Embora se compreendam as dificuldades. Agora vai ser um carnaval de críticas até ao jogo da Coreia do Norte, o qual, naturalmente, já é de vida ou morte.
kovacevic
kovacevic
O Mundial é deles
Ontem, uma reportagem nas ruas de Lisboa esforçava-se por concluir que os portugueses andam menos entusiasmados com a selecção nacional do que nos tempos de Scolari. E a prova deste arrefecimento emocional, garante a SIC, é a falta de bandeiras à janela.
Esta manhã, na África do Sul, um luso-descendente avança um prognóstico à RTP: "two nil", confia, incapaz de expressar-se em português. A jornalista não compreende o que ouve. Hesita. Ele repete. Sem sucesso. Segundos depois, a luz. E o remate da repórter, transitoriamente ao serviço do desporto: "provavelmente uma expressão idiomática sul-africana".
O Mundial é deles. Dos donos das bandeirinhas, dos sopradores de vuvuzelas, das meninas para quem o jogo começa e acaba em Ronaldo, dos álvaros com portáteis à noite nas notícias, dos adeptos de circunstância, de todos aqueles para quem o futebol, no resto do tempo, não passa de um abominável e inexplicável vício.
A coisa está neste ponto: depois do trajecto de Portugal no Mundial 2010 ensaiado aqui pelo MK, o comentário mais esclarecido sobre as reais possibilidades e responsabilidades da selecção nacional veio de Rui Santos, que domingo à noite, no Tempo Extra, perguntou o óbvio: se Portugal ganhar à Costa do Marfim e à Coreia do Norte e perder com a Espanha nos oitavos-de-final, alguém pode ficar chocado?
kovacevic
Esta manhã, na África do Sul, um luso-descendente avança um prognóstico à RTP: "two nil", confia, incapaz de expressar-se em português. A jornalista não compreende o que ouve. Hesita. Ele repete. Sem sucesso. Segundos depois, a luz. E o remate da repórter, transitoriamente ao serviço do desporto: "provavelmente uma expressão idiomática sul-africana".
O Mundial é deles. Dos donos das bandeirinhas, dos sopradores de vuvuzelas, das meninas para quem o jogo começa e acaba em Ronaldo, dos álvaros com portáteis à noite nas notícias, dos adeptos de circunstância, de todos aqueles para quem o futebol, no resto do tempo, não passa de um abominável e inexplicável vício.
A coisa está neste ponto: depois do trajecto de Portugal no Mundial 2010 ensaiado aqui pelo MK, o comentário mais esclarecido sobre as reais possibilidades e responsabilidades da selecção nacional veio de Rui Santos, que domingo à noite, no Tempo Extra, perguntou o óbvio: se Portugal ganhar à Costa do Marfim e à Coreia do Norte e perder com a Espanha nos oitavos-de-final, alguém pode ficar chocado?
kovacevic
Itália 1 x Paraguai 1
Encontro muito táctico (expectável), mas rijo e combativo - o que sempre me entusiasma, confesso. Mal arrancou o Mundial apareceram logo as carpideiras de serviço, lamentando os poucos golos (devem pensar que estão a ver o campeonato holandês), os "vários empates" (como se 4 em 11 jogos fosse anormal) e as "pobres exibições". Patetices de quem acha que o futebol são só golos...
O Paraguai exibiu grande rigor organizativo, excelente a defender (que pena o erro de Villar!) e a sair bem no contra-ataque. Belo jogo de Paulo da Silva, Alcaraz (sim, o ex-Beira-Mar!) e Enrique Vera, num empate promissor para os sul-americanos. A Itália apresentou o pior onze das últimas três décadas, que nem sequer dá para grande rigor defensivo (sofrer um golo de cabeça na sequência de um livre indirecto? Num Mundial, não me lembro). Em todo o caso, surgiu com atitude competitiva e foi corajosa no segundo tempo, justificando o empate. Lippi mexeu bem na equipa (entradas de Di Natale e Camoranesi), numa noite feliz de Pepe e De Rossi.
katanec
O Paraguai exibiu grande rigor organizativo, excelente a defender (que pena o erro de Villar!) e a sair bem no contra-ataque. Belo jogo de Paulo da Silva, Alcaraz (sim, o ex-Beira-Mar!) e Enrique Vera, num empate promissor para os sul-americanos. A Itália apresentou o pior onze das últimas três décadas, que nem sequer dá para grande rigor defensivo (sofrer um golo de cabeça na sequência de um livre indirecto? Num Mundial, não me lembro). Em todo o caso, surgiu com atitude competitiva e foi corajosa no segundo tempo, justificando o empate. Lippi mexeu bem na equipa (entradas de Di Natale e Camoranesi), numa noite feliz de Pepe e De Rossi.
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Camarões 0 x Japão 1
Vitória justa em encontro algo bizarro, face à prestação calamitosa dos Camarões, equipa que reavivou o cliché das selecções africanas dos anos 90: caótica, com os sectores desligados, sem um plano de jogo, sem "colectivo" e com um comportamento defensivo duvidoso. Le Guen, claro, ajudou à festa: deixar Alex Song de fora é criminoso; dar meia hora a Emana, um dos poucos jogadores esclarecidos desta equipa, não tem sentido; encostar Eto'o à direita é ridículo (no Inter funciona, mas os italianos têm Milito e Sneijder, e os Camarões têm duas abéculas no ataque). Ou se dá uma revolução nos próximos jogos, ou a eliminação é mais que certa.
O Japão fez o que lhe competia (até porque não consegue fazer mais que isto): foi uma equipa solidária e esforçada, espreitando o contra-ataque (o que fez bem) e aguardando pelo seu momento (quando este surgiu, Honda foi letal). Não sei se chegará para a Dinamarca, mas a julgar pelo que vi dos nórdicos, vai ser um encontro renhido. Destaque para Nakazawa, imperial na defesa; Hasebe, médio operário do Wolfsburgo e Honda, o mais talentoso (e neste jogo, decisivo) futebolista nipónico.
katanec
O Japão fez o que lhe competia (até porque não consegue fazer mais que isto): foi uma equipa solidária e esforçada, espreitando o contra-ataque (o que fez bem) e aguardando pelo seu momento (quando este surgiu, Honda foi letal). Não sei se chegará para a Dinamarca, mas a julgar pelo que vi dos nórdicos, vai ser um encontro renhido. Destaque para Nakazawa, imperial na defesa; Hasebe, médio operário do Wolfsburgo e Honda, o mais talentoso (e neste jogo, decisivo) futebolista nipónico.
katanec
Segunda-feira, Junho 14, 2010
Holanda 2 x Dinamarca 0
Embora visto de soslaio, este jogo confirmou o que conhecia da Holanda: uma equipa sólida no meio-campo, com dois médios defensivos de qualidade indiscutível (Van Bommel e De Jong), a que se junta um quarteto atacante muito móvel, criativo e imprevisível (hoje jogaram Van der Vaart, Kuyt, Sneijder e Van Persie, mas os suplentes Elia e Afellay entraram bem neste esquema). Os holandeses chegam por isso com facilidade à área adversária, mantendo por outro lado a bola longe da sua defesa, sector algo permeável (hoje não se notou, mas a culpa é da Dinamarca). Ainda assim, não foi propriamente uma exibição deslumbrante.
Os dinamarqueses equilibraram o jogo na primeira parte, mas foram globalmente uma equipa cinzenta, sem rasgos, sem imaginação e sem reacção ao golo sofrido. Com a excepção de alguns movimentos interessantes de Bendtner e mais tarde de Gronkjaer, foi uma Dinamarca francamente pobre...
katanec
Os dinamarqueses equilibraram o jogo na primeira parte, mas foram globalmente uma equipa cinzenta, sem rasgos, sem imaginação e sem reacção ao golo sofrido. Com a excepção de alguns movimentos interessantes de Bendtner e mais tarde de Gronkjaer, foi uma Dinamarca francamente pobre...
katanec
O caso Nani
Pouco dado a teorias da conspiração, nada escrevi sobre a lesão de Nani e as várias explicações exóticas que logo surgiram na internet e noutros locais. Admiti desde logo que tinha havido negligência médica e que havias questões pertinentes por responder (Nuno Nogueira Santos compilou uma boa lista), mas pareceu-me que a perda de Nani resultara, ainda assim, de um acidente, mau para o próprio, para Queiroz, para a selecção, para os adeptos portugueses.
Mudei de opinião nos últimos dias. As afirmações evasivas do jogador e responsáveis e a inexistência de uma declaração médica taxativa acentuaram a minha desconfiança, que agora se tornou inequívoca face à recente confissão de Nani: "Numa semana já estou bom". Dir-me-ão: foi apenas um desabafo tonto. Admiti-lo-ia se tal frase não surgisse num contexto com várias declarações no mesmo sentido. Nesta altura, torna-se portanto claro que Nani foi afastado por motivos disciplinares.
A hipótese "doping" perde sentido pois o jogador, em tal caso, só ganharia em sublinhar a sua condição de "lesionado", o que não tem de todo sucedido. Na minha opinião, Nani teve um desentendimento (com Queiroz? com outro jogador? com dirigentes?) e foi pura e simplesmente afastado do Mundial, com a condição de que, se não falasse do sucedido, poderia voltar à selecção num futuro próximo. Teoria da conspiração? Antes fosse.
katanec
Mudei de opinião nos últimos dias. As afirmações evasivas do jogador e responsáveis e a inexistência de uma declaração médica taxativa acentuaram a minha desconfiança, que agora se tornou inequívoca face à recente confissão de Nani: "Numa semana já estou bom". Dir-me-ão: foi apenas um desabafo tonto. Admiti-lo-ia se tal frase não surgisse num contexto com várias declarações no mesmo sentido. Nesta altura, torna-se portanto claro que Nani foi afastado por motivos disciplinares.
A hipótese "doping" perde sentido pois o jogador, em tal caso, só ganharia em sublinhar a sua condição de "lesionado", o que não tem de todo sucedido. Na minha opinião, Nani teve um desentendimento (com Queiroz? com outro jogador? com dirigentes?) e foi pura e simplesmente afastado do Mundial, com a condição de que, se não falasse do sucedido, poderia voltar à selecção num futuro próximo. Teoria da conspiração? Antes fosse.
katanec
Domingo, Junho 13, 2010
Gana 1 x 0 Sérvia
Começa a ser um hábito destacar uma ou outra intervenção menos feliz para explicar um resultado final neste Mundial. Começo ao contrário desta vez: Asamoah Gyan atirou duas bolas ao poste; sofreu a falta que valeu a expulsão a Lukovic; e marcou o penalty decisivo. Em mais um jogo em que imperou a prudência e em que faltaram rasgos individuais em quantidade desejável, o ganês fez por merecer o epíteto - efémero - de herói, um dos primeiros da prova. A partida foi dividida, com poucas mas boas oportunidades para os dois lados, mas foi mais um erro estúpido (mais uma vez de um suplente utilizado) a decidir o resultado final. Kuzmanovic meteu a mão à bola na área, a menos de dez minutos do fim, sem que nada o justificasse. Esperava mais destes sérvios, de Jovanovic e Krasic, mas o que não esperava mesmo eram erros deste calibre.
master kodro
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Argélia 0 x 1 Eslovénia
Fico contente com a vitória dos nossos primos - a primeira da sua história em fases finais e a primeira vitória europeia deste Mundial -, mas ficaria mais satisfeito se apresentassem qualquer mais do que infinita paciência, para além de previsibilidade e lentidão. Se o katanec bocejava enquanto assistia ao França x Uruguai, espero que tenha ficado a dormir neste início de tarde de domingo, pois teria sido a opção mais acertada. Tudo aconteceu na segunda parte, depois da entrada de Ghezzal, que conseguiu assustar Handanovic num par de ocasiões devidamente enquadradas por dois amarelos, em quinze minutos de grande actividade (imitando o uruguaio Lodeiro no grau de parvoíce). Depois Koren aproveitou um espaço à frente da área para aplicar um remate normalíssimo que deu em golo, algo que Chaouchi vai atribuir àquela jabulânica invenção do demo. Eu gostava que aqui houvesse um candidato à segunda fase, mas não vi nada disso.
master kodro
master kodro
Sábado, Junho 12, 2010
Inglaterra 1 x 1 Estados Unidos
A Inglaterra, na verdade, parece uma selecção de cinco: Terry, Cole, Lampard, Gerrard e Rooney representam o brilho da Premier League e da pátria do futebol, os restantes são do mesmo saco que os clubes portugueses costumam eliminar com uma perna nas taças europeias.
Esperava-se de Capello a arte para transformar um plantel de ricos e remediados numa equipa equilibrada e homogénea, mas a selecção inglesa foi quase sempre inferior tacticamente ao adversário, que continua a chamar soccer ao desporto mais bonito do mundo. Esta é, provavelmente, a verdadeira surpresa: um grupo de norte-americanos percebeu melhor os princípios do jogo aplicados a estes 90 minutos do que o treinador italiano que levou o Milan a campeão europeu em 1994.
Mesmo sofrendo um golo aos quatro minutos, por Gerrard, os Estados Unidos agiram com a confiança de quem sabe onde descobrir a felicidade, o que aliás respeita a essência do american way of life. A terminar a primeira parte, Dempsey viu em Green um aliado, num frango impensável a este nível, mas fica a sensação de que o empate era uma inevitabilidade, mesmo não fazendo sentido no desporto made in USA.
Nos segundos 45 minutos, os comandados de Capello intensificaram o volume ofensivo, embora encontrando forte resistência numa defesa bem comandada por Onyewu. Podia ter dado vitória para Sua Majestade, mas seria Altidore a protagonizar a oportunidade de golo mais evidente, quando atirou ao poste, numa noite em que Rooney raramente se libertou e pareceu demasiado longe da baliza.
kovacevic
Esperava-se de Capello a arte para transformar um plantel de ricos e remediados numa equipa equilibrada e homogénea, mas a selecção inglesa foi quase sempre inferior tacticamente ao adversário, que continua a chamar soccer ao desporto mais bonito do mundo. Esta é, provavelmente, a verdadeira surpresa: um grupo de norte-americanos percebeu melhor os princípios do jogo aplicados a estes 90 minutos do que o treinador italiano que levou o Milan a campeão europeu em 1994.
Mesmo sofrendo um golo aos quatro minutos, por Gerrard, os Estados Unidos agiram com a confiança de quem sabe onde descobrir a felicidade, o que aliás respeita a essência do american way of life. A terminar a primeira parte, Dempsey viu em Green um aliado, num frango impensável a este nível, mas fica a sensação de que o empate era uma inevitabilidade, mesmo não fazendo sentido no desporto made in USA.
Nos segundos 45 minutos, os comandados de Capello intensificaram o volume ofensivo, embora encontrando forte resistência numa defesa bem comandada por Onyewu. Podia ter dado vitória para Sua Majestade, mas seria Altidore a protagonizar a oportunidade de golo mais evidente, quando atirou ao poste, numa noite em que Rooney raramente se libertou e pareceu demasiado longe da baliza.
kovacevic
Argentina 1 x Nigéria 0
Vitória previsível, embora sem brilho. A Argentina entrou a todo o gás, mas depois de marcar (bom cabeceamento de Heinze) tornou-se muito mais calculista e menos espectacular. Ainda assim, sempre que a bola chegava ao último terço, a qualidade fabulosa dos homens da frente trazia um perfume que não engana. Pena a tarde desinspirada de Di Maria e Higuaín. Em todo o caso, se a Argentina souber corrigir algumas falhas defensivas e exibir maior rigor táctico (o que duvido, por razões óbvias), será um adversário temível.
Os nigerianos entraram demasiado receosos e não mereceram o empate. A sua reacção à desvantagem foi tímida e/ou confusa, embora tenham usufruído de algumas ocasiões perigosas. A exibição portentosa do guarda-redes Enyeama e o rigor defensivo (construído mais em quantidade do que qualidade) foi mantendo a Nigéria à tona de água, que chegou a ameaçar sobretudo depois das entradas de Martins e Odemwingie (muito bem Lagerback no banco). Não vi o Grécia-Coreia do Sul, mas creio que os africanos têm boas hipóteses de apuramento.
katanec
Os nigerianos entraram demasiado receosos e não mereceram o empate. A sua reacção à desvantagem foi tímida e/ou confusa, embora tenham usufruído de algumas ocasiões perigosas. A exibição portentosa do guarda-redes Enyeama e o rigor defensivo (construído mais em quantidade do que qualidade) foi mantendo a Nigéria à tona de água, que chegou a ameaçar sobretudo depois das entradas de Martins e Odemwingie (muito bem Lagerback no banco). Não vi o Grécia-Coreia do Sul, mas creio que os africanos têm boas hipóteses de apuramento.
katanec
Um novo Sporting online
Novo site, em www.sporting.pt, com um layout finalmente ao nível da projecção social do clube, provando que nem tudo anda a dormir nos corredores de Alvalade.
Positivo: muita história, muita academia, muito ecletismo -- pelo menos online, o Sporting parece vivo.
Negativo: foco na informação noticiosa e jogadores no segundo plano -- se a ideia é vender sonhos, não devia ser ao contrário?
kovacevic
Positivo: muita história, muita academia, muito ecletismo -- pelo menos online, o Sporting parece vivo.
Negativo: foco na informação noticiosa e jogadores no segundo plano -- se a ideia é vender sonhos, não devia ser ao contrário?
kovacevic
França 0 x Uruguai 0
Sai um bocejo para a mesa do canto... Jogo fraco, entre duas equipas competitivas - não duvido - mas sem pingo de magia. A França de Domenech é uma amálgama de jogadores descoordenados, que só não se desmorona porque a qualidade individual dos mesmos o impede. Hoje, viveu dos lampejos de Ribéry e da qualidade de passe de Gourcuff, sem efeitos práticos, porém. Mas quem tem Henry e Malouda no banco, e Benzema no sofá, não pode de facto aspirar a muito mais. Vai passar o grupo? Rezo para que não.
O Uruguai tem uma defesa sólida e um ataque de ouro, mas falta-lhe quem pense o jogo no miolo, onde habitam somente distribuidores de fruta da antiga. A equipa tem coesão e raramente se desequilibra, mas o cobertor é curto demais para sair em ataque rápido com eficácia. Há demasiado espaço entre o meio-campo e os dois atacantes, quase sempre a braços com tarefas impossíveis. No entanto, destaque para as boas exibições dos laterais "portugueses" (Maxi e Álvaro Pereira), bem como dos centrais Godin e Lugano.
katanec
O Uruguai tem uma defesa sólida e um ataque de ouro, mas falta-lhe quem pense o jogo no miolo, onde habitam somente distribuidores de fruta da antiga. A equipa tem coesão e raramente se desequilibra, mas o cobertor é curto demais para sair em ataque rápido com eficácia. Há demasiado espaço entre o meio-campo e os dois atacantes, quase sempre a braços com tarefas impossíveis. No entanto, destaque para as boas exibições dos laterais "portugueses" (Maxi e Álvaro Pereira), bem como dos centrais Godin e Lugano.
katanec
Sexta-feira, Junho 11, 2010
Jogo #1: África do Sul 1 x México 1
Para começo, não esteve nada mal. Jogo com ritmo, segunda parte emotiva e um golaço de Tshabalala (que tem futebol para clubes europeus). Pareceu-me o México globalmente mais capaz, com um meio-campo bem organizado e um tridente atacante inspirado (belo jogo de Giovani dos Santos). Mas sem um finalizador nato e com uma defesa permeável (tanto espaço nas costas!), revela-se uma formação algo frágil. Ainda deu para buscar o empate, mas vai ter muitas dificuldades para se apurar.
A África do Sul respondeu apenas em contra-ataque, mas fê-lo com competência q.b., e esteve bem próxima de ganhar a partida (bola no poste no último minuto). Beneficiou de uma excelente actuação do seu guarda-redes e do movimento inspirado de Tshabalala para disfarçar alguns problemas evidentes: defesa medonha, meio-campo apenas esforçado, entrosamento duvidoso. Mas surpreendeu-me pela positiva.
Notas adicionais: o som das vuvuzelas chateia, mas não é tão mau como cheguei a imaginar. A transmissão televisiva foi cheia de mariquices (uns slow-motions que não serviam para nada), mas falhou no que mais importa: não mostrou a repetição do golo da África do Sul (para evitar polémica?), que me pareceu derivar de manifesto fora-de-jogo.
katanec
A África do Sul respondeu apenas em contra-ataque, mas fê-lo com competência q.b., e esteve bem próxima de ganhar a partida (bola no poste no último minuto). Beneficiou de uma excelente actuação do seu guarda-redes e do movimento inspirado de Tshabalala para disfarçar alguns problemas evidentes: defesa medonha, meio-campo apenas esforçado, entrosamento duvidoso. Mas surpreendeu-me pela positiva.
Notas adicionais: o som das vuvuzelas chateia, mas não é tão mau como cheguei a imaginar. A transmissão televisiva foi cheia de mariquices (uns slow-motions que não serviam para nada), mas falhou no que mais importa: não mostrou a repetição do golo da África do Sul (para evitar polémica?), que me pareceu derivar de manifesto fora-de-jogo.
katanec
Quinta-feira, Junho 10, 2010
Notas sobre o Mundial (3)
Espanha A propósito das expectativas que tenho para a selecção neste Mundial - e para a medição do grau de sucesso da participação -, dizia-me o infante que estas não devem ser tão baixas e que não deve ser uma Espanha que nos deve assustar, apontando, para o efeito e como exemplo, uma recente derrota dos campeões europeus contra os Estados Unidos em jogo oficial.
A minha dúvida perante esta ideia é se devemos olhar para essa derrota como o exemplo ou como a excepção, porque para encontrar a derrota anterior dos espanhóis em jogos oficiais é preciso recuar até Outubro de 2006, num jogo disputado na Suécia. Desde esse jogo, em 30 partidas oficiais, foram 26 vitórias, 3 empates (dos quais uma vitória por penalties e uma vitória num prolongamento) e uma derrota - essa mesmo com os Estados Unidas nas meias-finais da Taça das Confederações de 2009. É uma questão de ângulo.
Diz-me também o infante que, com esta bitola baixa, parece que me esqueci dos últimos 6 anos de sucessos da selecção nacional, antes desta gestão. Não, não me esqueci que na última campanha numa fase final - que foi a que precedeu a actual, com o que isso implica - fomos afastados logo na primeira eliminatória, com um saldo global de duas vitórias e duas derrotas (uma com a favorita Alemanha e outra com a Suíça).
master kodro
A minha dúvida perante esta ideia é se devemos olhar para essa derrota como o exemplo ou como a excepção, porque para encontrar a derrota anterior dos espanhóis em jogos oficiais é preciso recuar até Outubro de 2006, num jogo disputado na Suécia. Desde esse jogo, em 30 partidas oficiais, foram 26 vitórias, 3 empates (dos quais uma vitória por penalties e uma vitória num prolongamento) e uma derrota - essa mesmo com os Estados Unidas nas meias-finais da Taça das Confederações de 2009. É uma questão de ângulo.
Diz-me também o infante que, com esta bitola baixa, parece que me esqueci dos últimos 6 anos de sucessos da selecção nacional, antes desta gestão. Não, não me esqueci que na última campanha numa fase final - que foi a que precedeu a actual, com o que isso implica - fomos afastados logo na primeira eliminatória, com um saldo global de duas vitórias e duas derrotas (uma com a favorita Alemanha e outra com a Suíça).
master kodro
Quarta-feira, Junho 09, 2010
Portugal 3 x 0 Moçambique
Mais do que pelo resultado, valeu por ninguém se ter lesionado, em especial na primeira parte, fase em que os moçambicanos bem se esforçaram por atirar mais alguém para o estaleiro. Também valeu para testar a paciência face a um árbitro extremamente permissivo e alheado da realidade. Danny apresentou forte candidatura a um lugar no onze.
master kodro
master kodro
Domingo, Junho 06, 2010
O périplo de Costinha
Breve pausa para assinalar uma extraordinária notícia, em jeito de Costinha Report. Bem sei que o "defeso" é propício a especulações e relatos imaginários, mas a peça que se segue, a ter um mínimo de fundo de verdade, promete desde já tornar-se mítica. Destaques meus em bold:
"Costinha pretende contratar um guarda-redes de topo para a próxima temporada. [...] o dirigente leonino informou-se sobre vários nomes em Itália, procurando jogadores de inegável qualidade e que atraiam espectadores ao Estádio José Alvalade na próxima temporada.
Profundo conhecedor do mercado italiano, Costinha pretende recriar o efeito Schmeichel e o guarda-redes do Inter, Francesco Toldo, foi uma das hipóteses colocadas ao diretor para o futebol do Sporting, que também tentou informar-se sobre a possibilidade de Buffon (Juventus) terminar a carreira em Alvalade. [...]
Após 9 temporadas em Milão, Toldo encontra-se na fase final da carreira, é suplente de Júlio César e poderá sair a custo zero da antiga equipa de José Mourinho. Além do mais, o Inter está interessado no guarda-redes da Sampdoria, Luca Castellazzi, o que tira ainda mais espaço ao internacional transalpino, de 38 anos, na formação milanesa."
Só para recapitular: Costinha, profundo conhecedor do mercado italiano (por ter frequentado ginásios de fisioterapia em Bergamo?); Buffon a terminar a carreira em Alvalade quando tem meio mundo interessado nele; Toldo, de 38 anos, para o lugar ocupado por Rui Patrício. Muito bom.
katanec
"Costinha pretende contratar um guarda-redes de topo para a próxima temporada. [...] o dirigente leonino informou-se sobre vários nomes em Itália, procurando jogadores de inegável qualidade e que atraiam espectadores ao Estádio José Alvalade na próxima temporada.
Profundo conhecedor do mercado italiano, Costinha pretende recriar o efeito Schmeichel e o guarda-redes do Inter, Francesco Toldo, foi uma das hipóteses colocadas ao diretor para o futebol do Sporting, que também tentou informar-se sobre a possibilidade de Buffon (Juventus) terminar a carreira em Alvalade. [...]
Após 9 temporadas em Milão, Toldo encontra-se na fase final da carreira, é suplente de Júlio César e poderá sair a custo zero da antiga equipa de José Mourinho. Além do mais, o Inter está interessado no guarda-redes da Sampdoria, Luca Castellazzi, o que tira ainda mais espaço ao internacional transalpino, de 38 anos, na formação milanesa."
Só para recapitular: Costinha, profundo conhecedor do mercado italiano (por ter frequentado ginásios de fisioterapia em Bergamo?); Buffon a terminar a carreira em Alvalade quando tem meio mundo interessado nele; Toldo, de 38 anos, para o lugar ocupado por Rui Patrício. Muito bom.
katanec
Sexta-feira, Junho 04, 2010
Notas sobre o Mundial (2)
A uma semana do pontapé de saída, e já a salivar pelos cantos da boca, eis que nos chega a notícia de que Drogba se lesionou no encontro que a Costa do Marfim disputou hoje com o Japão. É no cotovelo e não se sabe a extensão da coisa. Seja como for, com ou sem Drogba, é do caminho que espera Portugal que me apetece falar. Depois de uma fase de qualificação com Suécia e Dinamarca no caminho, a fase de grupos inclui o Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte. Ou seja, a terceira selecção do ranking FIFA encontra a primeira da tabela, o eterno favorito à vitória final nestes torneios, mais do que qualquer outro. Sabemos todos que passam dois aos oitavos-de-final, pelo que o problema é amenizado, mas este emparelhamento leva-nos a um expectável segundo lugar no grupo (vamos esquecer que a Costa do Marfim tem jogadores no Chelsea e no Barcelona, por instantes) que cruza com o primeiro do grupo H. De entre Espanha, Suíça, Chile e Honduras, não nos parece que os campeões europeus tenham muitas dificuldades em garantir o primeiro lugar.
Recapitulando: Suécia, Dinamarca (Bósnia); Brasil, (Costa do Marfim,) Espanha. O caminho natural e previsível prossegue com Itália (embora eu tenha sérias dúvidas relativamente aos italianos e recomendo uma análise à lista de convocados) e Argentina (aceito outras leituras, mas esta é a minha) até à final. A linha que separa o sucesso do insucesso desta participação no Mundial reside numa vitória (ou melhor, numa classificação melhor) sobre a Costa do Marfim, porque ninguém no seu perfeito juízo vai exigir vitórias sobre o Brasil ou sobre Espanha. Conseguindo mais do que isso, trata-se de um feito extraordinário. Menos do que o segundo lugar no grupo vai ser o descalabro. E eis que, de repente, o cotovelo de Drogba parece a coisa mais importante do mundo...
ps - Drogba out.
Actualização - Afinal ainda não é definitivo...
master kodro
Recapitulando: Suécia, Dinamarca (Bósnia); Brasil, (Costa do Marfim,) Espanha. O caminho natural e previsível prossegue com Itália (embora eu tenha sérias dúvidas relativamente aos italianos e recomendo uma análise à lista de convocados) e Argentina (aceito outras leituras, mas esta é a minha) até à final. A linha que separa o sucesso do insucesso desta participação no Mundial reside numa vitória (ou melhor, numa classificação melhor) sobre a Costa do Marfim, porque ninguém no seu perfeito juízo vai exigir vitórias sobre o Brasil ou sobre Espanha. Conseguindo mais do que isso, trata-se de um feito extraordinário. Menos do que o segundo lugar no grupo vai ser o descalabro. E eis que, de repente, o cotovelo de Drogba parece a coisa mais importante do mundo...
ps - Drogba out.
Actualização - Afinal ainda não é definitivo...
master kodro
Quarta-feira, Junho 02, 2010
Terça-feira, Junho 01, 2010
Força nas canetas
Hoje li na imprensa que era, “quase de certeza, Zé Castro o jogador a ser dispensado. Ou então Ricardo Costa”. Pois. É quase de certeza sífilis. Ou cancro. É quase de certeza retroactivo. Ou não.
Queiroz, gostavas que te marcassem um blind date e te dissessem à entrada do bar: “professor, tenho quase a certeza que é uma mulher. Mas não se preocupe. Se não for, tenho pelo menos a certeza de que gosta mesmo de homens. Força nas canetas, campeão!”.
o anti-adepto
Queiroz, gostavas que te marcassem um blind date e te dissessem à entrada do bar: “professor, tenho quase a certeza que é uma mulher. Mas não se preocupe. Se não for, tenho pelo menos a certeza de que gosta mesmo de homens. Força nas canetas, campeão!”.
o anti-adepto
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