sexta-feira, dezembro 03, 2010

Não há frio que aguente

Hoje, ao ver aquele manto de neve onde os jogadores portistas teriam de jogar, lembrei-me de um Rosenborg-Porto que o Porto perdeu por 2-0. Uns dias depois, encontrei o Jardel no Arrábida Shopping e perguntei-lhe o que tinha falhado. Respondeu-me: é, foi difícil, né? É, fiquei a saber o mesmo, mas pelo menos pude conhecer pessoalmente o Jardel, e ainda sobrou um tempinho para me perder nos olhos de água da Karen. Adiante. Até porque isto não tinha nada que ver com o jogo de Viena, pensava eu antes de ver o hat-trick com que Falcao fechou as contas do 1.º lugar, entregue, naturalmente, à melhor equipa do grupo. Quem sabe, sabe, deve ter pensado o Madjer, que na bancada esfregava as mãos, enquanto recordava o golaço marcado ao Peñarol, num dia tão gelado como a nevada noite de hoje (ou de ontem, caso o post congele pelo caminho). Mas não há frio que aguente, e dei comigo a pensar se será desta que o Porto regressa às grandes conquistas europeias.

littbarski

18 comentários:

master kodro disse...

Congelou, littbarski, peço desculpa... Só os olhos da Karen derreteriam o post.

Offshore disse...

Também me recordei dessa final da Intercontinental.
Razão para a aquisição de um VHS (que ainda funciona) para gravar o jogo.

M disse...

final de viena e a intercontinental...jogos memoraveis, ainda do tempo em que sendo Benfiquista, vibrava com vitorias do fcp, clube portugues....

Ricardo disse...

Bom texto.

Quanto à última frase, parece-me que é óbvio que o Porto é um dos candidatos a ganhar esta Liga Europa. Não acho é que devamos retirar essa conclusão a partir do jogo de ontem. É que os austríacos são, de facto, muito fraquinhos. O adversário do Porto ontem chamou-se neve.

littbarski disse...

Master kodro, não te preocupes com os posts congelados. Eu próprio já congelei algumas vezes (e nem os olhos da Karen me valeram). Foi mais uma forma de meter conversa no texto e justificar um eventual hoje deslocado do que outra coisa.

Ricardo, é verdade que o Rapid é uma equipa fraquinha e que não é sequer comparável com o Rosenborg dos anos 90, que era presença assídua na champions. Mas aquilo que se percebe, em alguns jogos em que o Porto teve de lutar contra a adversidade, é uma grande disponibilidade física e mental que, não estando sempre presente (nem sei se isso era possível), acredito que continue a aparecer nos momentos mais difíceis para fazer a diferença.

MM disse...

Nas competições europeias - ou quaisquer outras em boa verdade - não é muitas vezes fácil fazer-se a separação entre equipas boas e fracas. É claro que os adeptos são sempre muito expeditos em qualificar equipas, treinadores, jogadores e clubes de fortes ou fracos, olhando-se apenas para um nome.
É um erro. Jogar fora de casa seja lá onde for, nas competições europeias é hoje, por norma, uma tarefa sempre difícil. O factor casa pesa muito e temos de ter sempre algum cuidado em adivinhar facilidades onde elas não existem.
Os de Tel-Aviv que o digam, tendo-se usado do factor casa para esmagar o Glorioso à crua mercê de uma humilhante goleada.

Foi uma muito difícil vitória do Porto, e uma que merece realce. Da mesma forma que mereceu a do Braga em Belgrado ou as do Sporting na Dinamarca e Lille. Elas são muito raras, e isso acontece por um motivo: fora de casa não existem jogos fáceis.

MM disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MM disse...

O factor casa é tão determinante que significa a diferença de uns:

0-6 em Londres, e 2-0 em Braga.
0-2 em França (quando podiam e deviam ter sido facilmente 5 ou 6), e 4-3 em Lisboa.
1-2 em Liverpool, e 3-0 em Alvalade, o ano passado.
2-1 em Lisboa, e 1-4 ainda em Liverpool, também o ano passado.

Todos os anos temos exemplos e eles repetem-se constituindo aquilo que se chama de norma, e nunca a excepção.
É evidente, isto.
Até para o Glorioso, acho.

Eliminado o anterior para correcção de norma/regra por norma/excepção.
Saudações Levezinhas.

Ricardo disse...

Concordo com tudo, Littbarski, aliás, uma das razões pela excelente época que o Porto está a fazer passa exactamente por aí: "grande disponibilidade física e mental". Sem dúvida. O que digo é que, naquele terreno e com uma equipa com outra qualidade, os problemas teriam sido outros, como é óbvio.

Ricardo disse...

MM, tens de resolver essa obsessão pelo Benfica. Isso já se torna patológico.

low desert puke disse...

Eu estava era à espera de um contraditòrio do MM no post antes deste.

Mas talvez se tenha rendido à evidencia de que mente com quantos dentes (neste caso teclas) tem.

MM disse...

Ricardo, não é patologia alguma. Falei mesmo em sequência à tua intervenção, e fi-lo para dizer uma coisa bastante óbvia. Dado que és benfiquista usei-me do teu Benfica para que a questão parecesse ainda mais óbvia daquilo que por natureza já é.
E que só mesmo o Benfica serve de exemplo se quisermos pegar em exemplos frescos. Foi agora em Israel, onde uma equipa "fraquinha" vos fez regressar a casa goleados. E isto não é raro acontecer. É mesmo a norma. Não ser-se goleado claro, mas não se ganhar, quando jogando fora de portas. Este ano, anormalmente, as equipas portugueses, todas elas (exceptuando uma) conseguiram importantes vitórias fora de casa e daí a necessidade de elogiarmos este anormal registo, como o Kodro fez em post anterior, por exemplo.

Só isso. Por isso dizer-se que uma vitória por 3-1 em Viena não é nada de mais porque foi obtida contra uma equipa "fraquinha" só pode honestamente ser cegueira. Cegueira claro, porque és uma pessoa inteligente e por isso tenho a certeza que a afirmação apenas surgiu por ter saído da frequente cegueira encarnada que quase sempre vos caracteriza.

Vou mais longe, este Porto, este Porto deste Villas Boas, pode muito bem pegar nesta vitória de Viena e juntando-a ao registo impecável que até agora tem mantido em todas as provas que disputa almejar a conquista da Liga Europa. Não será favorito mas, será um dos favoritos, sem dúvida. É que ele é sem qualquer sombra de dúvida muito (mas muito) melhor do que o Porto do Jesualdo.

Não obstante, estou crente que mesmo com muito menor favoritismo será o Sporting um dos participantes da final da Liga Europa este ano. Por 2 motivos:
1 - O Sporting habituou-se na última década a boas prestações europeias, mesmo conseguidas em épocas desportivamente fracas.
2 - A final sendo em Belfast eu vou lá estar presente. E se vou lá estar presente quero nela ver o Sporting envolvido.
Acredito que o meu clube este ano dar-me-á esta alegria, já que no resto do tempo oferece-me tão poucas (football wise, in football alone).

Por isso Littbarski, esquece a Liga Europa este ano. Tu e todos os portistas. Não irá acontecer. Não porque não tenham a capacidade mas simplesmente porque ele está reservada aos Leões. Numa cidade Leonina um dos clubes participantes na final que ela acolherá levará consigo um centenário Leão embrulhado na bandeira. E esse clube será o Sporting.
Será a nossa humilde oferta ao seu povo.

Quando vencermos a Liga Europa podem também todos os benfiquistas - se quiserem - juntar-se à festa. Porque uma festa não é festa se não existir risota.

Ricardo disse...

MM,

Tu tens capacidade para mais, eu sei que tens. Mas perdes-te exactamente pele patológico sentimento de inferioridade que sentes em relação ao Benfica. Só isso explica que uma pessoa inteligente como tu não consiga comentar nada sem referir o amor/ódio de estimação. Mas se fosse apenas uma referência, eu compreenderia e nem te diria nada, visto que essa atitude é regra em grande parte dos sportinguistas. O problema, MM, é que tu, além do trauma benfiquista, tens outro defeito: mentes de forma descarada*. Ora, tendo eu a tua pessoa como lúcida, só posso concluir que isso advém de doença.


*remeter para o post anterior (que, já agora, gostaria de ver MM refutar) e também para este , em que MM volta a falar na falta de estaleca europeia do Benfica em oposição à do Sporting. Os factos parecem não chegar.

MM disse...

Ricardo,
Não possuo sentimentos de inferioridade. Compreendo que seja fácil atribuir o anti-benfiquismo a qualquer coisa desse âmbito e não vou tentar convencer-te dos porquês desse exercício ser um erróneo. Contudo, não resisto a deixar só a nota de que essa associação só aparece porque porventura será naturalmente tida por aqueles que dela se usam para naturalmente acusar terceiros daquilo que os próprios naturalmente sentem.
E com isto não estou a querer dizer que te deixas possuir por sentimentos de inferioridade. Não te conheço por isso não sei nem posso saber. Falo só mesmo da tua condição de benfiquista, e nada mais.
Sobre este benfiquismo, ele tem muito disso, sabias? E provaste-o lá em cima na facilidade com que usaste o termo "fraquinho" para versar sobre uma vitória por 3-1 obtida 1 semana depois de saíres (salvo seja) de Israel com um 3-0 encaixado.

Sobre a mentira, podes servir-te do acima como resposta, também. Não sei se és mentiroso ou não, porque mais uma vez, não te conheço. Já o benfiquismo é sem dúvida mentiroso: mente na sua idade de fundação, mente na forma como contabiliza os seus títulos, mente na forma como se entende e entende os seus adversários e, mente no seu diário governo. Mente tanto que chega a mentir durante 10 ou mais anos aos próprios, sem ser questionado.

Sobre o estado mentiroso que me imputas e tal como para os sentimentos de inferioridade que também me imputaste não tenho nada a dizer-te sobre isso. Cada um perde tempo com o que quer: conhecido e desconhecido.

Sobre a mentira que remetes para o post anterior: encontras sustento para o que lá afirmei no corrente ranking dos mais bem cotados clubes europeus pela IFFHS que deixa o Sporting em 26º lugar dessa lista e o Benfica em 43º ou 53ºlugar dessa mesma lista. Lista que percorre o actual milénio, período 01 a 10, última década portanto. Aqui, tendo o Benfica 2 campeonatos ganhos (2004 e 2009) e o Sporting apenas 1 (2001, porque o de 1999/00 não é contabilizado pelo ranking uma vez que pertence ao milénio passado), não custa perceber que a distanciada posição que o Sporting mantém sobre o Benfica tem origem nas prestações europeias dos 2 clubes.

2 anos fora da Europa.
1 ano em que fazem 1 ponto e marcam 1 golo num grupo da Liga Europa.
E vários anos (menos 2, 2005 e 2009) em que sofrem sempre eliminações precoces das provas que disputam. O melhor que conseguiram: 2 presenças nos quartos-de-final, precisamente nesses 05 e 09.

Versus

1 final europeia.
1 oitavos-de-final da LC.
1 oitavos-de-final da Liga Europa.
1 quartos-de-final da Liga Europa.
E 4 participações na LC, 3 delas consecutivas.

Queres arriscar palpite sobre aquele que melhores prestações europeias consegue na última década?
Não arrisques, não é necessário.
Cumprimentos.

Ricardo disse...

Quando o debate for em torno de verdades, posso entrar nele. Enquanto os argumentos forem sustentados por mentiras, vais desculpar-me mas prefiro não.

MM disse...

Ainda bem nesse caso que as mentiras são por todos conhecidas. É uma das vantagens dos clubes grandes: o que eles fazem ou não fazem é mais ou menos por todos sabido.

Hugo disse...

Esse Rosenborg-Porto onde se não me engano brilhou o Rui Correia na baliza...

littbarski disse...

Exactamente, Hugo. Foi em 1997/1998. Mas não foi só o Rui Correia que brilhou. O Porto passou o jogo todo a ver jogar. Só deu Rosenborg (tens um resumo elucidativo aqui). Na altura falou-se muito do estado do terreno, porque tinha nevado. A verdade é que, com ou sem neve, o Porto ficou em último lugar do grupo.