terça-feira, junho 15, 2010

O Mundial é deles

Ontem, uma reportagem nas ruas de Lisboa esforçava-se por concluir que os portugueses andam menos entusiasmados com a selecção nacional do que nos tempos de Scolari. E a prova deste arrefecimento emocional, garante a SIC, é a falta de bandeiras à janela.

Esta manhã, na África do Sul, um luso-descendente avança um prognóstico à RTP: "two nil", confia, incapaz de expressar-se em português. A jornalista não compreende o que ouve. Hesita. Ele repete. Sem sucesso. Segundos depois, a luz. E o remate da repórter, transitoriamente ao serviço do desporto: "provavelmente uma expressão idiomática sul-africana".

O Mundial é deles. Dos donos das bandeirinhas, dos sopradores de vuvuzelas, das meninas para quem o jogo começa e acaba em Ronaldo, dos álvaros com portáteis à noite nas notícias, dos adeptos de circunstância, de todos aqueles para quem o futebol, no resto do tempo, não passa de um abominável e inexplicável vício.

A coisa está neste ponto: depois do trajecto de Portugal no Mundial 2010 ensaiado aqui pelo MK, o comentário mais esclarecido sobre as reais possibilidades e responsabilidades da selecção nacional veio de Rui Santos, que domingo à noite, no Tempo Extra, perguntou o óbvio: se Portugal ganhar à Costa do Marfim e à Coreia do Norte e perder com a Espanha nos oitavos-de-final, alguém pode ficar chocado?

kovacevic

8 comentários:

Hugo disse...

"provavelmente uma expressão idiomática sul-africana".
Porra ela disse mesmo isto?

Pedro disse...

Só ficará chocado quem acha q esta equipa tem capacidade para lutar pelo caneco. Quem acha q dificilmente passará a primeira fase concerteza q encarará com total normalidade qqr eventual eliminação perante a Espanha...

PS: Essa jornalista é das boas...
:)

M disse...

que trenga....chiça, é mesmo nao saber da poda...

"saber da poda", expresao idiomatica portuguesa

Ah-a...estupida

Francis disse...

"Esta manhã, na África do Sul, um luso-descendente avança um prognóstico à RTP: "two nil", confia, incapaz de expressar-se em português. A jornalista não compreende o que ouve. Hesita. Ele repete. Sem sucesso. Segundos depois, a luz. E o remate da repórter, transitoriamente ao serviço do desporto: "provavelmente uma expressão idiomática sul-africana"."

ahahahahahahahahahahahahahahahahah
brilhante.

Ricardo disse...

O que me deixa chocado é a forma como toda a gente (quase toda a gente, vá), apesar dos vários exemplos em Mundias anteriores, continua a antecipar resultados e vitórias dos "favoritos" como se nem tivessem de jogar. Olham para os grupos e dizem: "bem, estes vão ganhar os jogos todos, logo ficam em primeiro, logo jogam com Portugal se Portugal conseguir ganhar à Costa do Marfim e à Coreia". Isso é que é uma grande estupidez.

A Espanha é forte e favorita a passar em primeiro? É. Isso é uma certeza absoluta? Claro que não. A Espanha pode muito bem escorregar e passar em segundo ou pode até - desculpem-me a heresia! - nem sequer passar aos oitavos. Quantas vezes já vimos SUPER-FAVORITOS serem eliminados nos grupos, quantas?

E depois Portugal: A teoria é a de que no melhor das hipóteses ficamos em primeiro, porque - é científico! - com o Brasil perdemos. Eh pá, até pode dar-se o caso de ganharmos ao Brasil e nem sequer passarmos porque perdemos com a Coreia e empatámos com a Costa do Marfim ou sei lá que outros resultados possam acontecer.

Ontem ouvia o comentador no Itália-Paraguai, quase no final do jogo, dizer "e aqui temos, depois dos empates de França e Inglaterra, mais uma surpresa semi-escandalosa". Mas escandalosa para quem? O Paraguai empatar com a Itália é um escândalo? Mas não é essa, a possibilidade de qualquer resultado acontecer, uma das maravilhas do futebol? Não é isso que esperamos quando vemos um jogo, principalmente no Mundial?

Deixem-nos ver a bola. E não nos dêem favoritos. Cada um terá a sua opinião sobre as equipas mais fortes mas depois é no campo, lá onde ela rola, que se decide. E se a Nova Zelândia ganhar o Mundial não é escândalo nenhum, é... futebol.

Ricardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo disse...

*na melhor das hipóteses ficamos em segundo

Treinador de Sofá disse...

Ricardo, o bom exemplo que eu uso, para comprovar isso, é o grupo de Portugal no euro 2000. Mas o que interessa com a maioria da opiniões é "Brasil" e "Espanha". Enquanto estiverem preocupados com "rankings", nem reparam na miséria franciscana que vai para ali...

Não faz mal, daqui a 4 anos há mais, segundo parece...