terça-feira, dezembro 02, 2008

Benfica: o dia seguinte

Naturalmente, o empate de ontem é um resultado difícil de digerir, ainda para mais depois do descalabro europeu da semana passada. Todavia, as possibilidades de sucesso no futebol moderno (e noutras coisas) dependem cada vez mais da capacidade de analisar erros e falhas persistentes e de corrigi-los o mais rapidamente possível. E o jogo de ontem permite-nos tirar várias ilações importantes:

1. Um dos problemas sistemáticos do esquema táctico benfiquista é a falta de plasticidade da equipa. A existência de três blocos (defesa, meio-campo, ataque) algo monolíticos torna o espaço entre linhas muito profundo, dificultando quer a construção atacante, quer os movimentos defensivos. Há que tornar este 442 mais dinâmico, exigindo em particular maior mobilidade aos médios e criando uma ligação eficaz entre o quarteto defensivo e os médios recuados.

2. Falta trabalho psicológico. As primeiras partes têm sido francamente pobres (sobretudo em casa) e a equipa não sabe lidar com a situação de vantagem mínima. Parece-me que ambas as situações se devem a alguma inconsistência emocional, que se traduz ora num "complexo de superioridade" (do género "isto vai acabar por resolver-se porque somos melhores que os outros"), ora num "complexo de inferioridade" ("ai minha mãe, que eles agora vêm para cima de nós e não temos qualidade para aguentar").

3. O início da segunda parte mostrou que esta equipa também sabe jogar bem: pressão alta, aposta nos flancos, futebol desenvolvo e objectivo, boa ligação entre sectores. Chegou a ser entusiasmante a forma como o Benfica se lançava destemidamente para o ataque. Repetir esta fórmula durante 90 minutos é provavelmente impossível, mas se o Benfica a puser em prática com maior frequência obterá certamente muitos triunfos.

4. Em termos individuais há igualmente lições a tirar. Quim está inegavelmente num mau momento. Acontece. É o melhor guarda-redes do plantel, mas precisa de se reabilitar ficando de fora. Moreira e Moretto têm as suas insuficiências, mas um deles deveria ser titular na Madeira. Katsouranis é imprescindível. Inteligente nas movimentações, é o elemento ideal para conferir maior dinâmica à equipa, em particular na tal criação de ligações entre sectores de que falei anteriormente. Cardozo e Suazo, ao contrário do que se pensava, podem coabitar. Assistimos a diversas combinações interessantes, que me deixaram água na boca, confesso. Jorge Ribeiro não é uma opção credível. Contratar um defesa-esquerdo deveria ser prioridade em Janeiro.

katanec

7 comentários:

cparis disse...

Já não é a falta do defesa direito, o principal problema?

Carlos Saraiva disse...

Quim de facto, necessita de banco. Parece-me uma situação idêntica à vivida por Helton no FC Porto, que só foi ultrapassada depois de dois jogos no banco.

http://chutodeletra.blogspot.com/

katanec disse...

Cparis, que comentário mais mal-intencionado... Já aqui escrevi num post que dava a mão à palmatória reconhecendo que Maxi tinha subido muito de produção, quando inicialmente me parecia estar a jogar mal.

Não me custa nada mudar de opinião, se as circunstâncias assim o justificarem. E tu, continuas a achar que o Rui Costa era avançado?

cparis disse...

Não foi um comentário, foi uma pergunta.
E não foi mal intencionado. Eu, por exemplo, acho que o SLB precisa mais de um defesa direito do que de um esquerdo. Apesar de gostar do Maxi, mas a falta de alternativas é gritante.

PS. Eu achava, e continuo a achar, que Rui Costa fez jogos a avançado, aliás numa posição muito parecida com a que tem sido ensaiada por Quique com Aimar. Não me recordo de ter escrito que ERA, apenas disse que JOGAVA. Já agora Aimar é médio ou avançado? E tem jogado a médio ou a avançado?

André Santos Campos disse...

A resposta à sua pergunta é fácil, Cparis: Aimar não tem jogado nem a médio nem a avançado. Pelo simples motivo de que não tem jogado... É outro Miccoli.

Quanto ao post do katanec, exceptuando a demanda de um lateral-esquerdo em Janeiro (é suposto já termos lá dois, ainda são precisos mais?!), subscrevo todo o resto.

Ricardo disse...

Não acho que para a esquerda seja necessário comprar ninguém - isto desde que o Léo regresse do Brasil e treine, que é para isso que lhe pagam, acho eu.

Já na direita, não sei bem as razões por que deste a mão à palmatória, Katanec, em relação ao Maxi. Não é por correr muito que se torna bom jogador. Tem sido vergonhosa a sua prestação esta época. É responsável ou co-responsável por quase metade dos golos sofridos até agora. Se isto é aceitável para o Benfica, então está bem.

Ricardo disse...

*comprar alguém