quarta-feira, novembro 12, 2008

Preciosismo ou o quadrado

Tenho pelo excelentíssimo senhor Rui Cartaxana, ex-director de Record e actual colaborador em artigos de opinião do mesmo jornal, a pior das opiniões e por diversas razões, a maior parte das quais relativas à sua visão parcial da realidade, sempre em defesa da mesma dama, nem que seja pelo ataque sistemático às outras damas, o que não é caso grave quando se assinam artigos de opinião, mas que, devido ao empenho com que o faz, me leva a equacionar como terá sido tratada a ética jornalística durante o seu reinado. Até porque sabemos qual foi o resultado final.

Sabemos também que, nestes artigos, já se dedicou ao mais grosseiro plágio, como se pode ver aqui. Agora dedica-se às lições de português e de história. No último departamento, escreve coisas tão espantosas como "na milenar história da Grã-Bretanha (onde se inventou não apenas o futebol, mas todos os desportos conhecidos)", mas o cerne da intervenção é o derby, britânico de berço, que evoluiu para o português dérbi. O Sporting x Porto não foi um derby. Não foi um dérbi. Foi um clássico. Saberá Cartaxana que existem recursos da língua que nos permitem enriquecê-la? Saberá Cartaxana que quando falamos de "um mar de gente", por exemplo, não estamos a dizer que é um mar com ondas? Permitirá Cartaxana que usemos essa imagem da mesma forma que podemos estender o sentido do dérbi ao Minho, num Vitória x Braga, ou a Portugal, num Sporting x Porto? Temos abrangência de espírito ou temos que ficar limitados ao quadrado?

Como nota um leitor de Record online, também é conveniente que, quando se tentam dar lições de português, não se chame acento grave ["
com acento grave no e"] a um acento agudo, como aparece no texto ["um dérbi, tal como um FC Porto-Boavista"]. Ficava bem, digo eu...

master kodro

7 comentários:

Jorge disse...

Esta discussao surge sempre apos um jogo "grande" a que se chama ou classico ou derbi.
Pelo que sei a palavra derbi tem origem na maior corrida de cavalos em Inglaterra organizada pelo twelfth Earl of Derby em 1780. O seu uso disseminou-se primeiro para outras corridas de cavalos de grande importancia e mais tarde para outros desportos. O termo e usado normalmente para os confrontos de maior impacto ou importancia no desporto e nao tem que estar relacionado com a localizacao geografica dos intervenientes.
O termo "local derby" refere-se a confrontos entre rivais locais.
O Porto-Sporting e um derbi e o Benfica-Sporting e um derbi local.
O Rui Cartaxana poderia aprender a fazer pesquisas na net para aprender e nao para plagiar o trabalho dos outros.

jose disse...

O sr. Cartaxana deveria preocupar-se mais com a epidemia que grassa nos mass media lisboetas que leva os jornalistas das rádios e estações de televisão a dizerem "menistro" por ministro, "melitar" por militar, "decedir" por decidir, "credebilidade" por credibilidade, "destinguir" por distinguir, etc.

Filipe disse...

De onde é que tiraste isso ó José?

Filipe por exemplo pronuncia-se Felipe, ministro é de facto "menistro", etc. Esta é a regra habitual na língua portuguesa quando se têm dois is seguidos e a sílaba tónica não é no primeiro. Essa é forma correcta de pronunciar as palavras e não tem nada que ver com morar em Lisboa, Coimbra ou Braga.

Aliás é mais "Flipe" e "mnistro" e credebilidade até se pronuncia credeblidade.

És estrangeiro ou filho de estrangeiros?

jose disse...

Filipe pronuncia-se "Felipe" mas é em Espanha. Em Portugal, tirando Lisboa e arredores, pronunciam-se todos os is de cre-di-bi-li-dade, ad-mi-nis-tra-ção, etc. O que acontece é que está na moda institucionalizar o erro de pronúncia desde que oriundo da macrocéfala capital do império.

Filipe disse...

José eu não moro em Lisboa, moro em Gaia. Continuo a não perceber em que raio de parte do país é que moras... se não há acento (agudo) no segundo i (como em difícil) o primeiro é em geral um "e" mudo. É daquelas coisas que são válidas do Algarve até ao Minho.

Já agora, como lês príncipe?

Mas para que não continues a teimar, eis o que diz a malta porreira das ciberdúvidas da língua portuguesa:

[Pergunta] Diz-se "Ministro" ou "Menistro"? Em que situação é que um "i" se lê como um "e"? Por exemplo, diz-se "Filipe" ou "Felipe", "electricista" ou "electrecista"?

[Resposta] As pronúncias destas e doutras palavras, com o chamado e mudo em vez de i, são as consideradas normais, espontâneas. Com i são afectadas, procuram artificialmente evitar a dissimilação: i -i em e -i, que é antiga e muito frequente na língua portuguesa.

Resposta por F. V. Peixoto da Fonseca

jose disse...

"Felipe", esta guerra já tem mais de 100 anos e eu não tenho culpa que os académicos de Lisboa queiram à viva força obrigar todo o País a dizer as mesmas asneiras que eles dizem. Se me acharem afectado por dizer visita em vez de "vesita", é lá com eles, mas enquanto não escreverem "menistro", com "e", continuarei a dizer ministro, com "i", à boa maneira trasmontana. A propósito, hás-de perguntar ao dr. Peixoto da Fonseca se distingue vocalmente emigrante de imigrante. E porquê.

Filipe disse...

José, se queres criticar o falar lisboeta tens muito onde pegar. Por exemplo na forma como tornam elho em âlho, em "joâlho" e "vâlho" (joelho e velho). Mas o pior é o que fazem aos "sc," por exemplo em "pichina" e "dichiplina." Ou a forma como aspiram o fim das palavras.

Agora não me venhas acusar de ser lisboeta por dizer "menistro" ou o meu nome com sempre foi pronunciado! Isso é algo que caracteriza o português de norte a sul, não um dos "defeitos" do falar lisboeta.