segunda-feira, outubro 27, 2008

Wishful thinking

Escreve Luís Avelãs no Record: "E quem seria capaz de dizer que, após 6 rondas, a liderança seria ocupada por Nacional e Leixões? Poucos admitem que haja competitividade na Liga Sagres, mas ela continua a aumentar ano após ano [...]". É a metodologia da moda: partir de amostras escassas para elaborar teorias gerais. Foi assim com o ranking da UEFA ("Portugal só está em 17º!"), quando as competições ainda mal tinham começado; e é agora também com o campeonato nacional, subitamente transformada numa prova de grande equilíbrio.

Infelizmente, há um pormenorzinho que estraga tudo: a realidade, esse elemento maçador. Liga competitiva "ano após ano"? Que houve - e há - melhor qualidade, sobretudo entre as equipas mais modestas, não tenho dúvidas. Mas mais competitividade, nem por isso, particularmente desde que o campeonato foi reduzido a 16 equipas. Olhemos para os últimos três anos: um campeão prematuramente anunciado em duas ocasiões; uma luta pela descida praticamente decidida semanas antes do final do campeonato; e alguma (mas pouca) indefinição quanto aos lugares da UEFA...

Liga competitiva esta época? Talvez. Mas seria porventura recomendável aguardar um pouco mais. É que em seis jornadas os grandes já jogaram todos os confrontos entre si, o que ajuda a explicar boa parte dos pontos perdidos por Sporting, Benfica e Porto (na verdade, 10 pontos em 21 - quase 50%!)...

katanec

4 comentários:

leaoconselheiro disse...

Claro!

A competitividade desta liga de tesos depende das crises dos grandes e não dos feitos dos pequenos. Andar iludido só ajuda a cavar ainda mais o buraco...

cparis disse...

Na verdade, concordo contigo, que não há pior do que a metodologia da moda: partir de amostras escassas para elaborar teorias gerais. Mas há mais que cometa o mesmo pecado, e alguns bem mais perto.

Zé Luís disse...

Concordo com a objecção e conheço a tendência daquela casa do "politicamente correcto" - só falta tecer loas ao presidente da tasca da Liga.

Mas se é certo que os grandes competem para ver quem joga pior, ao menos há equipas pequenas que jogam mesmo bem e isso é um bálsamo para a alma.

Que mantenham a postura e hoje o Estrela se junte aos da frente, pois está a surpreender pelos resultados (embora ainda não tenha visto qualquer jogo deles, sem transmissão televisiva).

Nuno disse...

Zé Luis, não me digas que uma dessas equipas que joga "mesmo bem" é o Leixões... Santa paciência...