quinta-feira, outubro 16, 2008

Água na fervura

A exibição foi muito má. O resultado foi péssimo. A margem de manobra é nula. Nisto estamos todos de acordo. No resto, nem por isso. Motivados pela frustração ou por outros motivos mais duvidosos, jornalistas e analistas fazem circular por aí um discurso catastrofista, repleto de mitos infundados. São muitos, mas podem ser reduzidos essencialmente a quatro:

1."Isto nunca aconteceu". A malta de "A Bola", que teve a genialidade de produzir a capa mais indecente e cobarde de que lembro, foi mesmo obrigada a visitar os arquivos da história para desenterrar um empate com Malta há 21 anos. Não era preciso tanto, rapazes. Escassos meses depois de se sagrar vice-campeão europeu, Portugal empatava com o Liechstenstein. E há apenas um ano, Portugal empatou no terreno da poderosa Arménia. Bem sei que foram jogos fora, mas nem por isso deixaram de ser resultados escandalosos.

2. "Com Scolari não havia nada disto". Os empates acima referidos foram obtidos com Scolari ao leme. Com Scolari, Portugal foi incapaz de vencer um único de seis jogos contra os adversários directos na qualificação para 2008. Com Scolari, Portugal tinha 7 pontos em 4 jogos nessa mesma fase de qualificação, ocupando o 4º lugar da classificação. Com Scolari, Portugal entrou no último jogo com a qualificação em risco (e não era sequer com o playoff em perspectiva - era mesmo "bota fora"), isto num grupo com oito equipas e 14 jogos. Não estou a defender Queiroz: este início é mau e problemático. Mas não me falem em cenários paradisíacos com Scolari.

3. "Só resta sonhar com o apuramento". Como o Kovacevic disse antes, é possível traçar um cenário normal onde Portugal obtém a qualificação directa. E se falarmos do 2º lugar (playoff), é até possível escorregar numa outra ocasião. Portugal depende de si e se vencer a Suécia ficará em boa posição para garantir pelo menos esse 2º lugar. Teremos que fazer um óptimo percurso daqui para diante, mas falar de qualificação falhada neste momento é ridículo.

4. "Volta Scolari, estás perdoado". Será que a memória é tão curta que ninguém se lembra que Scolari saiu pelo seu pé? Que Scolari recusou as propostas de Madaíl para continuar? Que anunciou a saída para o Chelsea em pleno campeonato da Europa? Que depois desse anúncio Portugal perdeu os dois jogos disputados?

Nota final: o clima de guerrilha gerado e alimentado por Scolari explica muito do que se tem passado, com o país autenticamente dividido em dois e a braços com uma psicose colectiva. São os males - perigosos e graves - que a criação de uma religião futebolística inevitavelmente traz. Os que criticaram são hereges e a estes nada resta senão a fogueira. Vai ser muito difícil ultrapassar este ambiente nefasto e eu detestaria ser Queiroz neste momento, obrigado a invocar santinhas e a adaptar macumbas para satisfazer os fiéis...

katanec

38 comentários:

Filipe disse...

A questão é que quando o Queiroz perdeu em casa contra a Dinamarca ouviam-se vozes a dizer que preferiam perder assim e coiso e tal...

A qualificação do Queiroz não está a ser diferente das do Scolari. Vai ser difícil. Mas também não percebo tantos dramas.

A defesa assustou-me contra a Dinamarca, mas esse foi o único jogo em que sofrémos golos. Quanto ao ataque... temos o melhor marcador europeu da última época.

leaoconselheiro disse...

Concordo com muito do que está aqui escrito (bem mais do que com a análise que fizeste ao jogo, diga-se).

A qualificação está ainda em aberto - quer via primeiro, quer via segundo lugar - e estamos a entrar num estado "psicose colectiva" que pode ser o grande obstáculo para inverter a situação.

O grande problema de imprensa e adeptos é centrarem as suas criticas nos treinadores, como se estes tivessem o poder de decidir cada minuto do destino dos jogos. Depois dá nisto... Scolari era burro porque fazia substituições defensivas e perdeu uma final (como se as finais fossem provas de regularidade!) e, agora, Queiros é um incompetente porque não meteu o Nuno Gomes...

Como se não bastasse ainda passamos a vida a fazer um "head to head" virtual entre Scolari e Queiros.. muito útil!

Mas também te digo que o Queiros tem responsabilidade nisso. Quando chegou foi aplaudido por muitos que agora o criticam quando disse que com ele jogavam os melhores, numa referência clara ao Scolari. Ficou-lhe mal e agora está a pagar esse preço, sempre com os abutres do costume que, tão depressa o aplaudiram, como agora o enxovalham...

leaoconselheiro disse...

Só há uma coisa que não percebi...

Porque é que o clima de guerrilha foi "gerado e alimentado por Scolari"?

Que eu saiba o homem escolheu o seu destino e está na sua vidinha. Por cá é que parece que não conseguimos viver sem ele...

Não percebo!

Ricardo disse...

Excelente.

José Leal disse...

Empatar com golos na Arménia ou no Liechtenstein, é muito diferente de empatar com a Albânia a 0 em casa perante 30 mil adeptos.

Portanto:

1)efectivamente não há memória de algo igual ter sucedido

2)Com o Scolari quase que ia acontecendo, mas acabou por não acontecer

3)Se nós podemos dar uma escorregadela ainda, o que dizer dos nossos directos adversários?

4)Essa conversa concordo que é parva. Ele está na sua vida lá em Londres, e concerteza o nosso caminho não se voltará a cruzar.

O clima de guerrilha compra-o quem quer. Até ontem os adeptos têm estado com a selecção, e concerteza em Marça lá teremos mais um estadio cheio de apoio.

Pedro disse...

Ai o clima de guerrilha foi gerado e alimentado pelo Scolari??

Essa é boa...

Pedro Reis disse...

Visão lúcida!
Sem dramas, histerias nem mitos...
Parabéns katanec

Visigordo disse...

Nesta altura, extraordinariamente lúcida, esta análise.

katanec disse...

Obrigado pelos comentários, críticos e elogiosos. Sobre o "clima de guerrilha" e a responsabilidade de Scolari nesse campo, remeto para um post que escrevi aqui há uns meses e disponível em: http://futebolar.portugalmail.pt/artigo/20071119/o-estado-da-seleccao

Hugo disse...

Excelente análise Katanec

leaoconselheiro disse...

Desculpa lá Katanec,

Esse artigo não explica nada sobre a responsabilidade do Scolari.

A única coisa que explica é que tu tens uma visão muito pouco imparcial sobre o Scolari.

Não há muita coerencia, devo dizer-te, entre esse artigo (que desconhecia) e esta "água na fervura"...

katanec disse...

O que é que é incoerente? Eu disse que o Scolari tem grande responsabilidade no clima de guerrilha que se vive em Portugal em torno da selecção. Escrevi isso no primeiro artigo e continuo a achar que sim. Onde é que está a incoerência?

E já agora, confirmo que tenho uma visão muito pouco imparcial sobre o Scolari. Era suposto não ter? E se sim, porquê?

katanec disse...

Ah, e esqueci-me: caro José Leal, escreves "Empatar com golos na Arménia ou no Liechtenstein, é muito diferente de empatar com a Albânia a 0 em casa perante 30 mil adeptos".

Isto é a sério ou estavas a ser irónico? Não me vais dizer que teria sido preferível se tivéssemos empatado 3-3 com a Albânia e no estádio estivessem 3 mil pessoas... Ou vais?

leaoconselheiro disse...

O que é incoerente é ter-se uma atitude para um e outra para o outro. Não é a tua opinião sobre o Scolari.

Não é suposto seres imparcial. Só o és se quiseres. Não podes é esperar que se achem muito correctas as tuas opiniões sobre as matérias que o envolvem. Por exemplo, isso de o responsabilizares pelo clima de guerrilha é simplesmente absurdo. Mas, mais uma vez, não era suposto que fosses imparcial.

José Leal disse...

Oh Katanec se não fazes um esforço para perceber, achas que vale mesmo a pena eu vir para aqui explicar?

Zé Luís disse...

100% de acordo com katanec e especialmente pela observação da "nota final".

Sem tirar nem pôr.

Eu já previra muitas dificuldades antes da última qualificação sofrida, miserável e talvez imerecida porque até se justificava pior (goleada na Polónia, derrota na Finlândia).

Mas esta qualificação com Dinamarca e Suécia e mesmo a Hungria era sabido que seria um problema.

Pior ainda quando não se marcam penáltis flagrantes (mais o da Suécia do que em Braga).

Ora, até para vencer a Arménia (1-0) em Leiria, sob assobios, foi preciso o árbitro negar aos arménios um penálti escandaloso.

As vitórias, as qualificações, os títulos fazem-se disto. Adversários mais ou menos difíceis e coriáceos, árbitros a favor num lado e contra noutros.

Depois, comparar um 0-0 com a Albânia, ainda assim ´com oportunidades de golo esparsas mas suficientes para ganhar, com 2-2 no Liechtenstein depois de estar a ganhar 2-0, só de deficientes mentais.

É o tal estado de espírito que alguns alimentaram para suportar o Scolari, enquanto o resto do pessoal, desagradado, assistia de braços cruzados e sem esperança no futuro, a verem Portugal, em casa, passar de 2º na Europa em 2004 (mas com um clube campeão continental!), para 4º em 2006 no Mundial e 8º no Euro-2008. Íamos por um lindo caminho, sim senhor, com os sub-21 e todo o edifício do futebol jovem a ruir - foi esta a pobre herança de Scolari.

Agora os primeiros procuram vingança até contra um treinador português que já deu ao país os títulos mais retumbantes e alguns dos jogadores mais geniais.

Nuno disse...

Katanec, o mais ridículo desta conversa toda é assumir que ou é bom o Queiroz, ou é bom o Scolari. Quando o Scolari saiu, vinha o Queiroz, que era muita bom, salvar a pátria. As coisas correm mal ao Queiroz, logo se lembram de invocar o Scolari. Eles são os dois muito fraquinhos, cada um com o seu estilo, é verdade, Queirós mais académico, Scolari mais católico. Mas são fraquinhos, os dois. Com jogadores do calibre dos de Portugal, podem sempre conseguir resultados, mas isso não implica que sejam bons. Aquilo que está a acontecer a Queiroz foi o que aconteceu durante 6 anos a Scolari. Contra equipas medianas ou fracas, Portugal nunca conseguiu superiorizar-se de forma categórica. Quando tinha que assumir o jogo, era uma equipa sem imaginação. Contra grandes equipas, porém, conseguiu lutar cara a cara porque tinha talento para isso. Juntando-lhe uma grande dose de sorte, Scolari teve sucesso. Se Queiroz tiver a sorte de Scolari, também terá o mesmo sucesso. Mas os apuramentos, os jogos contra os menos bons, será sempre um sofrimento porque Queiroz não é muito diferente de Scolari, em termos de competências tácticas.

Nuno disse...

"Agora os primeiros procuram vingança até contra um treinador português que já deu ao país os títulos mais retumbantes e alguns dos jogadores mais geniais."

Zé Luís, queres ver que foi ele que pariu o Rui Costa e ensinou o Figo a jogar, não? Se o Queiroz fosse assim tão bom com jovens, maior parte daqueles que foram campeões em Riad teriam feito uma grande carreira. Mas quantos é que fizeram? Pouquíssimos. Assumir que os resultados de Queiroz nas selecções jovens está associado a alguma reforma especial é muita giro...

pitons na boca disse...

passar de 2º na Europa em 2004 (mas com um clube campeão continental!)

E desde quando uma coisa implica a outra?
A França foi campeã do Mundo, campeã Europeia, e que clube francês era campeão europeu, mundial ou continental?

Ele há com cada argumentação...


Scolari tentou unir os portugueses em volta de um grupo. Por isso agora é acusado de criar um clima de guerrilha... tem a sua piada, desculpem que diga.

Bruno Ribeiro disse...

Antes de mais, totalmente de acordo com a análise. Os ataques vergonhosos a Queiroz são feitos pelos jornalistas que com Scolari tinha tratamento preferencial e por adeptos que viam no brasileiro um semi-deus. Patéticos! Acho bem que critiquem e apontem falhas e que estejam descontentes. Agora aquilo que se tem visto é vergonhoso.

Eu acho que seria interessante os defensores do 'com Scolari isto não acontecia' se dessem ao trabalho de reverem o jogo com a Finlândia, aquele empatezinho que nos garantiu a qualificação em casa, para se lembrarem que Portugal foi ao Euro com muita sorte porque nos últimos minutos do jogo só não sofremos golo porque a santinha de Scolari desviou a bola 2 centímetros (e antes que venham com conversa de treta eu estava por detrás da baliza a 5 metros do lance). A qualificação para o Euro foi sofrível! Esta também vai ser.

Parece-me evidente que Portugal tem equipa e jogadores para vencer os 6 jogos que faltam. É preciso que não se esqueçam, que até agora ainda não tivemos todos os nossos melhores jogadores disponíveis. Aliás para estes dois jogos não só não tivemos Deco, Carvalho, Maniche e Simão, como podemos constatar que Ronaldo, Quaresma e Nani estão em péssima forma. Junte-se a ausência de Bosingwa e aquilo que temos é uma equipa sem jogadores capazes de desequilibrar. Isto não justifica o empate com a Albânia, mas seria justo, pelo menos para quem gosta de ser imparcial o que já sabemos não é comum no adepto português, que este facto fosse recordado.

No resto, esperemos por Março.

Zé Luís disse...

pitons na boca, pois é, esquecer torna-se tão fácil...

Esquecer que o FC Porto foi campeão europeu em 2004?

Não, esquecer que houve 15 ou 17 jogos de preparação, qual deles o mais miserável, pela obstinação ridícula do tipo que mal perdeu um jogo a valer desatou a mudar a equipa como certos adeptos achavam, ao arrepio dos louvaminhas da fase da tanga que durou 2 anos, que devia jogar.

O ponto é que, de facto, daí para cá a descida tem sido, senão vertiginosa, pelo menos assustadora.

De qualquer maneira, quando soou uma qualificação a sério foi um Deus nos acuda rumo ao Euro 2008.

Esta fase de qualificação estava feita à medida de Scolari. Jogar para o meio a zero; empatar fora e ganhar em casa. Sem dúvida. Mas depois do que se viu frente às portentosas Polónia, Sérvia e Finlândia, ante a Dinamarca e a Suécia nem a Senhora do Caravaggio prosseguiria na senda dos milagres.

Zé Luís disse...

Nuno, os êxitos da selecção não se deveram só ao Rui Costa nem ao Figo. Mas quanto a Figo, o CQ até o treinou no Sporting antes da saída dele para o Barcelona. Alguma coisa ajudou, convenhamos.

Mas este argumento é redutor face à grandiosidade da tarefa cumprida com êxito. À falta de continuidade, estamos agora num beco sem saída, penso ser consensual que isto vai voltar ao antes-Queiroz. Aliás, foi para isso que ele foi chamado à FPF. E a tarefa dele não durou dois anos com títulos mundiais, vinha de muito antes.

É claro que quem se habituou a viver com vitórias de meio a zero acha tudo isto ridículo. Mas esse é o problema...

pitons na boca disse...

Não, Zé Luis, não me esqueço que o Porto foi campeão europeu em 2004. Tenho pena de não ter sido uma equipa portuguesa, mas lembro-me.

Mas como Portugal não vai ganhar tão cedo outra prova internacional desse nivel, o melhor é mesmo não sonhar com a qualificação de Portugal sequer para uma fase final. Não vale a pena, enquanto não tivermos um clube que volte a ganhar uma taça europeia.

pitons na boca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
pitons na boca disse...

ante a Dinamarca e a Suécia nem a Senhora do Caravaggio prosseguiria na senda dos milagres.

O que é curioso é que tenho visto pessoas indignadissimas por haver quem diga que Scolari faria melhor, sem qualquer ponta de fundamento.

Mas esta tirada tem fundamento, não tem? Claro que tem. Pena eu não ser tão tu-cá-tu-lá com o mestre Alves como o Zé Luis (e os que defendem o mesmo).

(o comentario apagado fui eu, para corrigir demasiados erros)

leaoconselheiro disse...

Pode-se gostar do Scolari ou do CQ, não gostar de um ou de outro, ou dos dois (que é o mais comum e prático, porque assim pode dizer-se mal à vontade!).

Agora, convém é não perder a noção da Selecção que fomos e somos...

- Até 96 eramos uma selecção perfeitamente secundária, normalmente terceira classificada nos apuramentos.

Desde 96:

- Qualificação 96: 1º
- Euro 96: Quartos de Final
- Qualificação 98: 3º
- Qualificação 2000: 2º
- Euro 2000: Meia Final
- Qualificação 2002: 1º
- Mundial 2002: Grupos
- Euro 2004: Final
- Qualificação 2006: 1º
- Mundial 2006: Meia Final
- Qualificação 2008: 2º
- Euro 2008: Quartos de Final

Entre 96 e 2002 fomos a selecção do tudo ou nada.

A partir de 2002 até 2008 fomos uma das mais consistentes a nível de resultados no mundo (Selecções europeias apenas Alemanha, Espanha e Itália se podem comparar em termos de consistencia de resultados nesse períodos).

Esta é a realidade, goste-se ou não do futebol ou do bigode de Scolari. O que se exige a Queiroz não é que melhore os resultados, mas sim que os mantenha próximos dos de Scolari. Seja por sorte, pelo caravaggio, mestre alves ou pela qualidade do futebol. Que não vai ser fácil já todos percebemos...

Bruno Ribeiro disse...

O que eu acho engraçado, mas que explica muita coisa, é que houve duas grandes penalidades a favor de Portugal, uma em cada jogo. Ambas foram evidentes, e se tivessem sido convertidas significariam 6 pontos para Portugal. No entanto, o típico barafustar tuga nem se fez sentir.

Eu não acho que estes lances servem para escamotear o que quer que seja. Mas, eu gostava de ver qual seriam as capas e as reacções com Scolari tendo em conta estes dois lances e a ausência de muitos dos nossos principais jogadores.

Jorge disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jorge disse...

Pitons na boca:

Se nao percebes como e que uma equipa de clube constituida em grande parte por jogadores portugueses ganhar a UCL pode ajudar a seleccao nacional...

Nuno:
Dizes que o CQ ganhou dois campeonatos do mundo de sub-20 com jogadores que nao eram suficientemente bons para fazerem uma grande carreira so lhe daria mais merito nao?

Acho que nao faz muito sentido achar que o Scolari foi o melhor treinador que jamais orientou a seleccao nacional e na mesma leva considerar qualquer treinador que nao faca tanto quanto ele um desastre. Devera haver qualquer coisa entre o melhor e um desastre.
Do mesmo modo, se o Scolari foi o treinador que teve mais sucesso a frente da seleccao nacional nao faz sentido exigir (nem sequer e esperar, desejar) que o proximo treinador faca tao bem ou melhor.

pitons na boca disse...

Pelos vistos quem não percebeu muita coisa foi o Jorge.

Yazalde74 disse...

"Esta é a realidade, goste-se ou não do futebol ou do bigode de Scolari. O que se exige a Queiroz não é que melhore os resultados, mas sim que os mantenha próximos dos de Scolari. Seja por sorte, pelo caravaggio, mestre alves ou pela qualidade do futebol. Que não vai ser fácil já todos percebemos..."

Precisamente! Mas havia muita gente a criticar/desvalorizar os resultados da selecção com Scolari, dizendo que se devia exigir muito mais de uma das melhores selecções do mundo. Na altura disse que seguindo essa lógica, esperava para ver se se iria manter o mesmo critério de exigência com o seleccionador seguinte...

nm disse...

É curioso que alguns leitores deste blogue (o Zé Luís, por exemplo) tentem valorizar o grupo de qualificação que Portugal tem hoje pela frente em relação àquele que tinha no apuramento para o Mundial Euro 2008. Mas seria interessante fazerem-no com base em algum dado concreto e não com falsas verdades.

Senão vejamos:

A Suécia é actualmente 28.ª do "ranking" FIFA. A Dinamarca 31.ª primeira. A Hungria 62.ª.

A Polónia, que agora tanto jeito dá desvalorizar, é 30.ª No ranking europeu, está encaixada precisamente entre Sérbia e Dinamarca. Mas, curiosamente, no início do apuramento para o Euro 2008 era 24.ª! A Sérbia era 30.ª, um "ranking" semelhante ao da Suécia e Dinamarca hoje. Tanto a Finlândia, hoje 43.ª, como a Bélgia (51.ª) estão bem à frente da Hungria (62.ª).

Toda a gente tem direito a ter a sua opinião sobre Scolari ou Queirós. Vale tudo, menos a desonestidade intelectual.

Já agora, não tenho nenhuma procuração para defender Scolari. Também afirmei, quando Queirós regressou, que não me parecia que fosse a solução. Tenho as minhas opiniões, mas deixei aqui apenas factos.

nm disse...

Onde aparece entre "Sérbia e Dinamarca, deveria aparecer entre Suécia e Dinamarca". E Sérvia, claro, é com "v" em português.

Jorge disse...

nm:

nao se le da mesma maneira?

Zé Luís disse...

nm, em conclusão o grupo de qualificação anterior era mais difícil do que o actual. A questão é que não deve olhar-se só para os números, o ranking.

Quantas vezes a Polónia e a Sérvia/Jugoslávia se classificaram para um Europeu?

Quantas vezes a Suécia e mesmo a Dinamarca (menos um bocadinho) se classificara para um Mundial?

Como é que o senso-comum de adepto argumentou que o apuramento para 2008 ia ser fácil ou garantido?

E quantos vaticinavam que este apuramento ia ser mais fácil?

Eu estou à vontade, porque até em comentários aqui imaginei muito difícil o apuramento anterior, não calculei em favas contadas.

Mas o desonesto intelctual sou eu...

Quanto ao pitons na boca, tem muito mais do que isso e pelo visto só saem moscas...

E se uma equipa quase 100% portuguesa (V. Baía, P. Ferreira, J. Costa, R. Carvalho, N. Valente, Costinha, Maniche, Deco que já era português até para o Europeu logo a seguir...) não ajuda a selecção nacional a ser campeã europeia só pode ser culpa dela, realmente.

É este tipo de adeptos os que há por cá, infelizmente. Os das vitórias de meio a zero. Os do costume, aliás. Os frustrados que querem ganhar de qualquer maneira. Porque não ganham nada de jeito ou nada mesmo, anos e anos a fio. Pobres. Bem para o País que é Portugal.

leaoconselheiro disse...

Sérvia, Polónia, Finlandia e Bélgica são claramente mais dificeis do que Suécia, Dinamarca, Hungria e... Albania.

Não é preciso saber muito de futebol para chegar a essa conclusão (sobretudo pelo mau momento que atravessa a Suécia que é Zlatan e mais 10).
Também não preciso saber muito para se chegar à conclusão que, em qualquer dos casos, Portugal tem obrigação de ficar em primeiro do grupo...

cparis disse...

katanec,

Há alguns erros no teu discurso, começando logo no primeiro ponto. A Bola diz que "isto nunca aconteceu", tu dizes que é mentira mas não encontras nenhum exemplo onde se tenha empatado em casa, num jogo oficial, com uma equipa como a Albânia. Mas tirando isso e uma vez que acho a conversa Scolari/Queirós com pouco sentido, só te quero chamar a atenção que Portugal já não depende só de si. O cenário do katanec, plausível, exige sempre que outra equipa perca pontos com terceiros.


E aproveito para te convidar a leres isto de um director de jornal que pertence a um grupo que perderá muito se Queirós não fizer bem o seu papel. É que o que me faz mesmo confusão são os pontos 4, 6, 7, 9 e 10.

P.S. Se o País está dividido em dois (tese que não perfilho) deve-se aos resultados de Queirós. Tivesse ele ganho estes 3 jogos e terias unanimidade.

nm disse...

Zé Luís

Não digo que o grupo de qualificação anterior seja mais difícil que o actual. Isso são apreciações subjectivas que nada de substancial trazem ao debate. Uns podem dizer que é mais difícil, hoje podem dizer que é majis fácil. E daí não saímos. Convém é que quando façamos uma apreciação desse género a suportemos de alguma forma. Eu usei o "ranking" mundial para desmontar a sua teoria. O Zé Luís contrapõe com o histórico das principais competições.

É justo, mas parece-me que o momento actual das selecções é mais importante que seu "ranking" histórico. Se fosse esse que contasse, Portugal seria uma selecção de meio da Europa. E o Benfica, por exemplo, ainda seria um dos mais temíveis adversários europeus (acalmem-se os espíritos benfiquistas. apenas quis fazer a constatação, que me parece óbvia, que o valor histórico do Benfica, suportado no seu palmarés, é bem superior ao seu valor actual).

Por isso, entendo que o seu argumento é falaccioso.

Já agora, falando de Mundias, a Polónia (7) pode ter menos presenças que a Suécia (11), mas tem mais do dobro da Dinamarca (3). A Sérvia/antiga Jugoslávia tem segundo o site da FIFA 10. 10+7= 17. 10+3=13. Ainda quer falar de cor?

E talvez fosse justo incluir a Bélgica (11 presenças) por oposição à Hungria (9).

Já agora, em relação aos europeus, temos:

Bélgica (4 presenças)
Polónia (1 presença)
Sérvia/ex-Jugoslávia (5 presenças)

TOTAL: 10 presenças

Suécia (4 presenças)
Dinamarca (7 presenças)
Hungria (2 presenças)

TOTAL: 13 presenças

Já agora, as ironicamente portentosas (como se referiu a elas) Sérvia e Polónia são neste momento, respectivamente, primeira no grupo 7 (à frente da França, por exemplo), e 2.ª no grupo 3, embora este seja um grupo sem nenhum dos grandes tubarões europeus.

Portanto, nada sustenta essa sua convicção absoluta que este grupo é mais forte. E podem fazer as comparações que querem com Scolari, que não vejo que ele tenha empatado em casa com uma selecção da cauda da Europa. E nem vale a pena dizer que, por esta altura, com Scolari, no apuramento para o último europeu, Portugal tinha 7 pontos porque isso é mais 40 por cento que 5. E isso é tão ou mais importante quando desta vez há menos 4 jogos para se jogar. Ou seja, menos espaço para erro. O cenário é pior hoje do que era há dois anos. E não há forma de fugir a isso. Só ganhando os próximos jogos.