sábado, outubro 11, 2008

Cantinho do Vitória - As danças de Cajuda

1. Logo que terminou a magnífica época transacta, Cajuda adoptou uma atitude imediata inteligente, defendendo que o juízo seria a melhor contratação para esta época. Apesar da possibilidade de disputar a fase de grupos da Champions - algo que não era nenhuma miragem -, o treinador apelou à contenção nas contratações, sustentando que a estrutura da equipa estava construída e que apenas era necessário limar pormenores. Foi bem pensado, embora o plano tenha sido mal executado.

2. Afinal de contas o Vitória perdeu quatro titulares - Geromel, Ghilas, Alan e Mrdakovic - e, com as trocas, só ganhou na posição de ponta-de-lança, onde Douglas, por 350.000 euros (uma loucura), já fez esquecer o seu antecessor. Os outros reforços para as mesmas posições (mais coisa menos coisa), estão a milhas do rendimento dos que partiram, quer por uma questão de valor, quer por lesões prolongadas. Gregory, Nuno Assis e Luís Filipe têm um caminho longo para percorrer para fazer esquecer quem deixou o Vitória em terceiro. Mas a estrutura, conforme planeado, continua a ser a mesma.

3. Pelo que não se percebe a loucura táctica que para ali vai. Começou no 4x3x3, frente ao Vitória sadino, da época passada. Acrescentou um trinco (Wénio) ao desenho original contra o Marítimo. Começou com um 4x3x3 coxo (com Roberto, Douglas - pontas-de-lança de 1.90m - e Carlitos contra o Trofense) que terminou em 4x4x2 clássico com a introdução, durante o jogo, de Desmarets na ala esquerda. Perdeu-se na batalha de Portsmouth com um 5x2x3 que ofereceu o meio-campo ao adversário de mão beijada. Na recepção ao Portsmouth e ao Braga optou por um 4x4x2 com o meio-campo em losango, que valeu uma vitória que parecia impossível frente aos ingleses (anulada no prolongamento) e uma auto-estrada para os contra-ataques do Braga que Renteria teve a simpatia de falhar.

4. Os próximos cinco jogos na Liga incluem confrontos com Benfica, Porto e Sporting. É hora de Cajuda perceber o que quer e terminar com as experiências tácticas. E até pode seguir um caminho diferente daquele que trilhou na época passada (embora essa situação entre em conflito com o que foi defendido no início da época), porque há lesões recorrentes nos extremos (porque é que Targino foi novamente dispensado?...), porque os jogadores desta época não permitem tanta variedade de soluções ofensivas, por tudo. Mas que escolha um caminho e que se agarre a ele, porque o que se tem passado até ao momento é a destruição de tudo o que de brilhante foi feito no passado recente.

publicado no vitória grande

master kodro

Sem comentários: