sexta-feira, setembro 12, 2008

Conspiração estatística - refrescar defesa e meio-campo

As últimas 16 substituições de Scolari, em jogos oficiais (todos da última campanha), a ganhar por 1 golo de diferença nos últimos 30 minutos de jogo (aconteceu com frequência). Isto porque me foi vendida a ideia que (passo a citar): "O Scolari nunca perderia este jogo com a Dinamarca estando a ganhar por um golo a 10 e a 4 minutos do fim. Até porque aos 70 minutos, estando a ganhar por 1, não iria refrescar o ataque mas sim a defesa e o meio campo."

Rep. Checa
74' Moutinho – Meira
79' Gomes – Almeida (ataque)
80' Simão – Quaresma (ataque)

Turquia
68' Gomes – Nani (Ronaldo no meio, ataque)
82' Simão - Meireles
90' Deco – Meira

Arménia
60' Quaresma – Fernandes
67' Almeida – Makukula (ataque)
77' Simão – Nani (ataque)

Cazaquistão
84' Quaresma – Moutinho

Sérvia
65' Gomes – Quaresma (Ronaldo no meio, ataque)
77' Deco – Moutinho
83' Maniche – Meireles

Polónia
81' Simão – Moutinho

Bélgica
79' Postiga – Almeida (ataque)
86' Nani – Duda (ataque)

8 em 16 substituições refrescaram o meio-campo; 8 em 16 substituições refrescaram o ataque (aquilo que Scolari nunca faria); 0 (zero) em 16 substituições refrescaram a defesa (uma das coisas que Scolari faria). Gosto muito de mitos mas como-os ao pequeno-almoço.

master kodro

17 comentários:

leaoconselheiro disse...

Nao se trata de "refrescar a defesa" - o que é estupido em si mesmo. Trata-se de, depois de já ter levado um valente susto e estar a ganhar por 2-1, meter jogadores altos porque os gajos, em 4 ou 5 minutos só vao chutar la para cima. Se eles metem tudo lá em cima convém, como dizem os "francius", fazer cuidado!

Não quer dizer que eles não marcassem, mas que era de fazer, lá isso era...

master kodro disse...

É uma ideia, leão conselheiro. Eu não gosto de substituições retranqueiras, por norma. Aponto-o a Scolari, como o aponto a Cajuda, como o aponto a Queiroz. Muitas vezes chama adversários que até então tiveram dificuldades em lá chegar.

Agora não me digam que o Scolari não o faria - meter gajos baixos. Olha o jogo da Sérvia.

MrMiles disse...

Sempre acompanhei o blog, com gosto e prazer. Mas acho este post - assim como tem acontecido ultimamente - totalmente desnecessário, dirigido a meia duzia (se tantos) de leitores com os quais o autor tem uma qualquer querela. É uma pena que decidam tomar esse rumo.
Obrigado pelos bons momentos e adeus

luissm disse...

Pontos prévios:

- Cada jogo é um jogo e, para discutirmos a qualidade das substituições, temos que os rever todos. Eu tenho mais que fazer.

- Há adversários mais perigosos e adversários menos perigosos. Nem toda a farinha vem do mesmo saco.

- Também já disse aí algures que reforçar a defesa e o meio-campo não é só pôr defesas e médios, é também obrigar os jogadores que lá estão dentro a retrairem-se mais.

- Não sou advogado do Scolari, nem acho que não tenha defeitos. O facto é que nos ajudou e que levou o Clube Portugal a patamares nunca antes alcançados.

- O CQ enquanto treinador principal só fez merda. E eu não quero ter que torcer pela Espanha ou pelo Brasil no Mundial2010.

Mas vamos por partes.

Rep Checa: primeiro marca o Koller com o Meira. Depois, não me lembro em que estado é que estavam o Gomes e o Simão. Mas lembro-me que após o golo do Ronaldo a equipa começou a jogar muito mais defensivamente.

Turquia: Faz uma substituição em que troca um ponta de lança por um extremo (não me digas que Ronaldo no meio é igual a Gomes no meio; a capacidade de jogar em contra-ataque aumenta exponencialmente). As outras duas, enfim, pôs-se a jogar à retranca o estúpido do Scolari.

Arménia, Cazaquistão: não me peças para comparar jogos com a Dinamarca com jogos contra a Arménia e o Cazaquistão.

Sérvia: o que é que queres que diga? Todas as substituições trazem a equipa para trás.

Polónia: idem.

Bélgica: Não me lembro minimamente deste jogo, mas o Scolari devia estar com os copos para pôr o Duda :).
De qualquer forma, a Bélgica não representa exactamente o mesmo perigo que a Dinamarca.

Mas eu não vou discutir mais isto, não tenho tempo. Mas, se acham que o CQ é que é, que o Scolari era um fdp dum treinador que ainda por cima era estrangeiro e que não punha a seleção a jogar o futebol mais bonito do Mundo, força.

Eu gostava muito de ir ao Mundial 2010 e com o CQ duvido que isso seja possível. Estarei cá para ver isso, e se tiver razão, hei-de vir aqui (longa vida ao 442!) dizê-lo com lágrimas nos olhos e revolta no coração.

luissm disse...

Foi um bocado poética a última frase, mas foi sem intenção.

Oh mrmiles, eu não tenho querelas com ninguém, eu venho aqui discutir futebol. Relaxa pah, isto são só palavras, não magoam ninguém.

master kodro disse...

mrmiles, não te interessa saber como é que os dois últimos seleccionadores se comportam, no banco, quando estão a ganhar por 1, a meia-hora do fim? Por outro lado, não vejo nenhum inconveniente em fazer posts só para um leitor que seja (embora não seja esse o caso, porque a matéria em apreço é bem mais vasta que isso).

Continuamos a discutir futebol, luissm. Não nos estamos a insultar e estamos a esgrimir argumentos.

1. Já viste que a tua frase não corresponde à realidade.

2. Continuas a aplaudir Scolari e criticar Queiroz por fazerem substituições idênticas.

3. Queres atribuir-me uma afirmação, ou ideias, em que, por fazer estas substituições, supostamente defendo que Scolari é burro e que Queiroz é que é bom, quando eu digo e insisto que, perante situações idênticas, tiveram o mesmo comportamento táctico. O mesmo. Eu digo que tiveram o mesmo comportamento.

4. Não queres comparar um jogo com a Dinamarca com jogos com a Arménia e com o Cazaquistão. E com a Turquia, a Rep. Checa, a Sérvia, a Bélgica e a Polónia?

5. Mas, se reparares, mesmo nesses dois jogos de que não gostas, foram duas de reforço do ataque e duas de reforço do meio-campo, pelo que, mesmo assim, continuam a ser 6 de ataque, para 6 de meio-campo, num universo de 12.

6. O Queiroz não podia fazer as substituições de colocar Ronaldo a ponta-de-lança, porque Ronaldo não estava disponível e nenhum dos outros extremos joga no meio como Ronaldo o pode fazer.

7. Mas não discutes que é um reforço do ataque, presumo...

8. Mesmo podendo fazer essa substituição (Queiroz não teve essa oportunidade), Scolari trocou de ponta-de-lança contra a Bélgica, Rep. Checa e a Arménia.

9. Espero que venhas cá no fim da qualificação (e antes e depois), com ou sem "razão".

leaoconselheiro disse...

MK,

Aos 88 minutos nao se chama ninguem, porque aos 88 minutos eles vem de qualquer maneira. Nessa altura ou jogas o jogo deles ou arriscas-te. E tou-me nas tintas pra saber o q o scolari faria...

Jorge disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jorge disse...

Mr Miles:

Por acaso se ha coisas que gosto neste blog sao destar respostas minuciosas do MK a comentarios feitos pelos leitores.
Da gosto ver um blog em que ha conteudo e nao so uma grande dose de verborreia para defender ideias mal alinhavadas.
Apesar de nao concordar com algumas das ideias apresentadas acho que aqui se podem ler argumentacoes inteligentes, minuciosas e consistentes, com recurso a dados estatisticos quando necessario e possivel.
Alem do mais e notavel como o MK se da ao cuidado de ler os comentarios com atencao o que mostra muito respeito pelos comentadores, o que infelizmente nao e sempre reciprocado.

master kodro disse...

Eh pá. Obrigado, jorge.

Claro que vêm, leão conselheiro. Mas podem vir mais cedo ou mais tarde. Não é por ser o Scolari ou o Queiroz. Se há alguém que me irrita especialmente com a substituição do terceiro trinco é o meu Cajuda. Valeu-nos, entre muitas outras ocorrências, o empate da primeira jornada contra o V. Setúbal, uma equipa que até então não teve uma única oportunidade de golo. O Cajuda meteu o Wénio, eles foram lá uma vez e foi-se a vitória fácil.

O Anti Lampião disse...

Comissão Disciplinar passou por cima da Lei que pune violência em espectáculos desportivos

http://oantilampiao.blogspot.com/

luissm disse...

1. Qual minha frase?

2 e 3. Eu não acho que façam substituições idênticas, nem que tenham o mesmo comportamento táctico. A entrada do Moutinho no jogo contra a Dinamarca é quase só para queimar tempo (87) e acho o Scolari bem mais retranqueiro que o CQ.

O meu erro foi ter, no início, resumido as críticas às substtuições, quando não é só isso (mas também). É mesmo abrir a pestana aos jogadores e pedir-lhes calma, obrigá-los a ter a bola nos pés mais 3 minutos em vez de tentar ir marcar mais um golo.

4. Também me custou meter a Bélgica no mesmo saco, todas as outras equipas estavam a lutar pelo mesmo objectivo que nós (pelo menos naquele jogo específico).

6. Pois, logo se vê o que o CQ faz quando tiver todos.

7. Não, não discuto. Se queres razão neste jogo, eu dou-te.

8. Sim, mas pelo menos contra a Rep Checa, Portugal começou a jogar muito mais fechado.

9. Por aqui ando, está descansado. E, não concordando com tudo, louvo o trabalho que tu e uns quantos como tu têm para manter 4 ou 5 blogs que dá gosto visitar.

Nós vimos cá e comentamos quando apetece, vocês não podem estar 3 ou dias sem postar.

master kodro disse...

1. A que está no post.

9. E és muito bem vindo.

Bruno Ribeiro disse...

"Não sou advogado do Scolari, nem acho que não tenha defeitos. O facto é que nos ajudou e que levou o Clube Portugal a patamares nunca antes alcançados."

Não há nada que me irrite mais do que esta conversa da treta em relação ao trabalho de Scolari. Mas algum outro seleccionador nacional teve a oportunidade de conduzir Portugal num Europeu organizado em casa? E escusam de dizer que é comparável porque não é!

De resto, em Mundiais ficámos em quarto! Comparações temos com 2002 e 1986 em que não passamos da primeira fase, e 1966 em que ficámos no terceiro lugar. Como tal, Scolari aqui não nos levou a nenhum patamar nunca antes alcançado.

Em europeus fora de casa, ficámos pelos quartos-de-final, registo igual ao de 1996 e inferior aos de 1984 e de 2000. Uma vez mais lá vai o mito de que o Scolari nos levou a patamares nunca antes alcançados. Querem comparar, comparem aquilo que é igual.

Peyroteo disse...

Queiroz teve azar neste jogo mas a verdade é que uma derrota em casa contra um rival directo na qualificação é um resultado comprometedor.
Com Scolari, a selecção poucas vezes foi brilhante mas os resultados sempre apareceram e das qualificações para o Mundial/2006 e Euro/2008 não consta qualquer derrota caseira.
Esperemos que a selecção continue a demonstrar bom futebol mas que seja também eficaz pois o nosso grupo não é nada fácil e o próximo jogo, na Suécia, é bastante importante.

luissm disse...

Bem, sou obrigado a dar-te razão quanto à frase. Mas com um grande "mas" que se prende com o comportamento táctico da equipa.

O Scolari tinha passado a jogar mais à retranca. Aliás foi o que fez nos jogos contra adversários directos.

Yazalde74 disse...

Bruno Ribeiro:

Não é um mito. Scolari teve, sim, os melhores resultados de sempre à frente da selecção (e nem vou entrar pela análise a factores mais subjectivos, como uma consistência competitiva admirável e uma união inédita identificação não-clubística entre portugueses e equipa nacional). Uma final, meias-finais e quartos-de-final. É uma sequência. Alguém fez o mesmo? Não! E sim, eu sei, poucos tiveram tal hipótese, mas também na maioria dos casos porque falharam. Não entremos numa de "ninguém teve a oportunidade", porque senão ficamos no campo dos cenários e das hipóteses, do "poderia ser". O que temos são realidades e factos, que falam por si e, não sei porquê, a certas pessoas custa muito admitir.

De resto, eu gosto de Carlos Queiroz e acho que foi uma boa opção para a selecção, principalmente para reestruturar toda a estrutura das equipas nacionais, a começar pelas camadas jovens, que estão num estado lastimável.

Mas, por favor, não queiram também vir, uma vez mais, ignorar todos os dados objectivos: Scolari é um dos treinadores de maior sucesso em activo; Queiroz, enquanto treinador principal, acumula decepções e tem como único título relevante uma Taça de Portugal. Logo por aí parece-me um absurdo que se venha falar do "burro" e "incompetente" Scolari, que não soube aproveitar uma equipa espantosa, tão forte como as melhores do mundo, que tinha! Menos, bem menos... E se realmente assim era, o que tem que se exigir a Queiroz é, no mínimo, o mesmo que Scolari atingiu, não?

Veremos como as coisas serão com Queiroz e com isto, obviamente, não estou a desejar que fracassemos, obviamente! Apenas a expressar os meus receios e dúvidas face ao futuro da selecção.