Os turcos entraram em campo como os alemães receberam os portugueses, na partida dos quartos. Mas fizeram mais, embora não fossem tão eficazes na hora de atirar à baliza. Foram superiores a jogar à linha, dominaram o centro do terreno, em ataque organizado ou em contra-ataque, alugaram o relvado e, no seu terreno, divertiram-se até vencer Lehmann e a defesa alemã pelo cansaço. Um contra-ataque fulminante construído por Podolski na esquerda deu a Schweinsteiger o golo do empate. Tau. Um remate enquadrado com a baliza contra oito dos turcos ao intervalo.
Segunda parte mais equilibrada com a Alemanha, finalmente, a querer dominar a partida, mas mal muito mal. Sentiu enormes dificuldades para conseguir desequilíbrios, com Ballack sempre longe da bola e os seus companheiros do centro sem capacidade para o substituir. Os alemães só conseguiam algo parecido com perigo de cada vez que Podolski ou Schweinsteiger aceleraram nas alas. Os turcos estavam confortáveis neste jogo lento e com espaços para o contra-ataque, quando... Tau. Centro da esquerda, Rustu aparvalha, Klose marca.
Os turcos não desistiram e marcaram a 5 minutos do fim (outra vez Senturk, incrível). Lahm, depois de uma lamentável exibição defensiva, com erros atrás de erros, saca de uma das suas arrancadas (esteve óptimo a atacar) e, depois de tabelar com um companheiro, entra na área adversária isolado para garantir um lugar na final. Claro que toda a gente achou que o livre para os turcos, aos 93 minutos, ia ser golo, mas a fortuna do jogo, hoje, esgotara-se para o lado alemão.
Mais uma exibição de luxo de Altintop.
master kodro
8 comentários:
Hoje só tenho uma pergunta:
Se o que não é treinável é o talento, por que puta de razão a Alemanha ganha tantas vezes?
Ricardo, a "puta de razão" tem um nome: competência. Já dizia Edison que o seu sucesso resultava de 10% de inspiração e 90% de transpiração. É essa a mentalidade alemã. Não há muitas habilidades que os jogadores alemães saibam fazer com a bola, mas sabem ser mais vezes mais competentes do que os adversários naquilo de que se trata: ganhar.
Num total de 31 Mundiais e Europeus será a 13ª vez que a Alemanha estará na final, o que dá algo acima de 40%. Ora compara lá estes números com as outras potências do futebol europeu. A Inglaterra, por exemplo, sempre tida como potência, disputou uma final em toda a sua história, e ganhou-a da maneira que se sabe e que, aliás, este blog tão bem documenta no seu cabeçalho.
O curioso é que o profissionalismo só se instalou no futebol alemão em 1963. Se tivesse surgido na mesma altura em que apareceu em Inglaterra, Itália, Espanha, etc, nem imagino o que seria o palmarés alemão hoje em dia.
Eu sou um grande fã da Alemanha por aquilo que tu dizes. O talento ou se tem ou não, não se pode fazer nada quanto a isso. A capacidade de trabalho e, consequentemente, de vencer, ganha-se.
João, muito aprecio a tua prosa e concordo com o que dizes mas parece-me que, este ano, a Alemanha está a ganhar por factores que, juntando-se a esses que enumeras, têm sido preponderantes. Chamar-lhes-ia:
- um caganço monumental
- alguma protecção uefeira (caso Schweinsteiger em contraponto a Demirel, por exemplo)
- falhas absurdas dos Guarda-redes adversários
Com isto, não recuso nada do que disseste, mas apenas acrescento. É que chateia tão grande combinação de paia, trabalho, ajudas e falhas adversárias. Mas pronto, lá teremos a Alemanha campeã europeia, provavelmente. Depois da Grécia campeã europeia e a Itália campeã Mundial.
Será que a Rússia vai furar o sistema das equipas que ganham, não jogando patavina? Ai, santo Eusébio, quem dera, quem dera...
Não há muitas habilidades que os alemães saibam fazer com a bola, mas há uma que eles fazem como poucos: metê-la dentro da baliza. Atrás, a Alemanha tem cometido muitos erros, mas na frente tem sido extremamente eficaz. Eu acho que a Espanha terá mais hipóteses do que a Rússia de vencer a Alemanha. Porque tem uma defesa mais segura um ataque igualmente temível. Embora, pelo excelente futebol que tem tem praticado, preferisse que a Rússia vencesse.
Não concordo com os que falam no trabalho e não no talento. Na parte do trabalho, ou seja no número de falhas defensivas e movimentações atacantes, os alemães não me me impressionaram.
Os turcos remataram 19 vezes à baliza alemã, os portugueses 17 vezes. Em dois jogos a defesa alemã permitiu 36 remates do adversário, 16 dos quais no alvo. Os alemães nos dois jogos efectuaram apenas 16 remates (8 no alvo).
Os alemães contra Portugal marcaram 3 golos em 5 tiros no alvo, hoje foi 3 em três. Isto é talento. Talento é não falhar, não é fazer uma carrada de fintas ou centros em que se cruzam as pernas. Quando penso que o Ronaldo rematou 20 vezes na prova para só meter um golo...
Ricardo, a Alemanha depois de ser campeã europeia em 1996 viu morrer talvez a sua última grande geração, depois de 30 anos sempre a alto nível. Mas a verdade é que, com equipas mais fracas e com dois Europeus vergonhosos (2000 e 2004), a Alemanha normalmente está "lá". E por lá entenda-se fases adiantadas: 2ª no Mundial 2002, 3ª no Mundial 2006 e agora 1ª ou 2ª no Euro 2006.
Concedo que a Alemanha seja mais vezes beneficiada que países mais pequenos. Mas não é mais beneficiada que os outros países grandes, e no entanto chega mais vezes mais longe. E também já teve momentos de grande prejuízo, no Mundial de 66, nos Europeus de 88 e 92, por exemplo. No fundo, é como nos campeonatos nacionais, os grandes são mais vezes beneficiados que os pequenos, mas não deixam de ser melhores.
Ontem a Alemanha teve muita sorte, é verdade, se eu fosse turco teria muitas dificuldades em digerir esta derrota. Mas o Lehmann também ajudou muito nos golos turcos, não são só os adversários que ajudam os alemães.
Os números que o Filipe revelou são interessantes. Nestes dois jogos os alemães sofreram quatro golos, mas levaram 16 remates na baliza. Mas eu não me lembro de o Lehmann ter feito grandes defesas. Significa que a qualidade dos remates não foi assim tão alta e muitos até foram feitos de longe. Já os alemães marcaram seis vezes em oito tiros no alvo, o que abona em favor da qualidade de remate deles. Como também diz o Filipe, isto também é talento (e trabalho). Tal como é talento (e trabalho) a capacidade que os russos fazerem combinações a alta velocidade, que causam sempre mossa nas defesas contrárias. E depois... há o talento para fazer coisas bonitas com a bola. Mas se no final de um drible fantástico o cruzamento bate no primeiro adversário que aparece ou se sai pela linha de fundo, será que se pode falar em talento?
A frase chave dos portugueses quando são eliminados de uma competição é: "Somos melhores, mas..." É ou não é desesperante?
O talento é meter as bolas na baliza . O resto é conversa
Pelo que (não) fez neste jogo, seja contra quem for, espero que a Alemanha saia derrotada da final de domingo. Para bem da beleza que o espectáculo do futebol tem que continuar a ter.
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